7.2.07

Lembranças!


As lembranças, na minha opinião, deveriam ser o que de melhor habita em nós, no sentido de fazer com que nasça um sorriso em cada um de nós, por ter vivido algo da melhor maneira possivel. De que vale desenterrar aquelas memórias de dor, lágrimas e faltas do que não se teve? Tudo bem que nem sempre o vivemos intensamente, mas valeu a tentativa, o esforço... agora ficar a mexer numa ferida de perda ainda mal cicatrizada, vale mesmo a pena? Sei que nos completa, ainda que momentaneamente, aquela autoflagelação consentida, mas... e o depois? E o incômodo até que volte a recuperar? Já cultivei muitas coisas dolorosas, e já as reguei com muitas lágrimas... mas hoje prefiro acreditar e viver na esperança que apareçam apenas aquelas que me encham os olhos, e o coração! E as outras, que só nos moem e magoam, não me fazem bem e impedem-me de viver o melhor da vida, prefiro deixar que sejam levadas... pelo vento... pelo tempo... por qualquer coisa...

5.2.07

Inverno...


Hoje sinto-me como se a minha vida fosse a vida de uma criança de 5 anos parada no tempo, com a incerteza de muitas coisas. Criança essa que enquanto esperava ansiosamente pelo outono, na certeza de sentir uma brisa leve que arrasta as folhas castanhas outrora verdes, é surpreendida pelo inverno, pela sua chuva, pelo seu vento cortante e gelado, pelo seu frio e pelas suas desesperanças, enquanto brincava na porta de casa... Sinto-me gelado e com falta de esperança... Por vezes penso que, (muito) em breve, tudo vai mudar. Mas este inverno está a ser uma estação longa e penosa... Tento correr contra a corrente, mas ela é forte e devolve-me ao ponto de partida, experimento então andar, mas o vento que corta impede-me de abrir os olhos e não me deixa ver, só me resta parar e esperar... Nada me pode tirar daqui, nem há sequer por onde fugir, não há portas, não há chaves, não há nada... não há ninguém... Apenas eu e o inverno na porta de casa...

2.2.07

Depois!


Depois do tempo de tempestades, de sofreguidão e de abandono, em que nos sentimos perdidos e sem saber que rumo tomar, pensando que nada vale a pena e tudo foi em vão de tal forma que a vida nos parece um deserto, não daqueles de areia em que falta água, mas daqueles em que abunda a água derramada pelos nossos olhos (e pela alma) em forma de lágrimas salgadas ao nosso paladar e falta o carinho e os afectos de quem nos parece cada vez mais distante, vem sempre um intermédio, onde descobrimos vida no que achávamos mórbido e sem esperança de renascer... Temos forças para, finalmente, ver a flor, ainda que encharcada pela chuva, desabrochar, ou o pássaro, que molhado e frio começa a piar! E o mundo que antes era um deserto pintado em tons cinzentos que arrefeciam a paisagem, começa a ser colorido, e começamos a vislumbrar um mundo de cores que não víamos há muito tempo... Ganhámos um tempo novo, um tempo de novidades, em que a vida vai ensinando (e talvez redefinindo) de novo os significados de sentimentos que o tempo, pela falta de uso, nos fez esquecer sem darmos por isso, um tempo em que vamos juntando os cacos criados no passado e vamos, aos poucos, voltando a descobrir passos, que queremos desta vez que sejam mais seguros e que não sejam em falso, tendo por isso mais cautela... É no período da chuva e do medo, depois da tempestade e antes do sol e do sorriso, é nesse espaço, em que o sonho e a memória ganham fôlego e encontram uma brecha para falarem mais alto, até que sejamos capazes de os ouvir mas incapazes de traduzir o que nos dizem para a realidade... É aí que está, misturada com a solidão e a saudade, com a plenitude e o amor: a poesia, a felicidade, o sorriso!

31.1.07

Xutos & Pontapés - Dia de S. Receber

Embora falar da arte
Da arte de sobreviver
Daquela que se descobre
Quando não há que comer
Há os que roubam ao banco
Os que não pagam por prazer
Os que pedem emprestado
E os que fazem render
Este dia a dia é duro
É duro de se levar
É de casa pró trabalho
E do trabalho pró lar
Leva assim uma vida
Na boínha sem pensar
Mas há-de chegar o dia
Em que tens de me pagar
Ai é o dia
De S. Receber
Dia de S. Receber
Já não chega o que nos
Tiram à hora de pagar
É difícil comer solas
Estufadas ao jantar
De histórias mal contadas
Anda meio mundo a viver
Enquanto o outro meio
Fica à espera de receber
Ai é o dia de S. Receber
Dia de S. Receber
Ai a minha vida
Ai a minha vida
É assim esta diálise
Entre o deve e o haver
Sei que para o patrão custa
Enfrentar este dever
O dinheiro para mim não conta
Eu trabalho por prazer
Mas o dia que eu mais gosto
É o dia de S. Receber


30.1.07

Adeus!


Quanto custa dizer um adeus às pessoas que gostámos? Custa-me dizê-lo e fazê-lo ainda mais, mesmo que por breves instantes! Dou comigo todos aos dias a despedir-me três quatro ou cinco vezes da mesma pessoa. É a obrigação que carrego na consciência que me obriga a dizer adeus e não a vontade de ir embora, porque essa não existe verdadeiramente e a outra vontade, a de ficar, essa não consegue ser superior e não se consegue impor! É estranho a quantidade de vezes que digo, chau, adeus, tenho de ir, desta é que é, agora vou mesmo... uma infinidade de expressões que tenho de dizer para me enganar a mim próprio e crer que quero ir embora sem o desejar! Digo-o uma vez, e outra... e outra... e mais uma... e quando dou por mim já estive mais vinte minutos a tentar despedir-me... Se ao falares comigo isto acontecer, é bom sinal....

29.1.07

Desculpa!


Prometi, ontem, a alguém que hoje a minha escrita ia ser posta em dia... Tentei pensar num assunto para poder falar antes de ir dormir, mas o vento levou-me o pensamento para longe e trouxe-me o sono... durante o dia deixei “para mais tarde”, e à medida que o sol descia em direcção à imensidão azul do mar o tempo escasseava, e eu continuava sem nenhuma ideia... Sentei-me aqui para escrever e já por varias vezes vi o ponteiro dos minutos mexer e a folha continua a teimar em não se deixar pintar pela caneta que tenho no punho... Imagino entretanto o que poderia escrever... Poderia escrever sobre a minha auto-mutilação para retirar 5 mm de aço espetado num dedo, mas é melhor não, não tem interesse... Ou então dava a conhecer a minha conselheira... a minha almofada, é com ela que me aconselho a maioria das vezes, e revelava que as ideias e conselhos dela são sempre os mesmos que os da minha consciência, os mesmos medos, os mesmos avisos, por vezes penso que são a mesma coisa e confondo-os, mas é melhor não escrever isto, ninguém precisa de saber e ainda fico com vergonha ao saberem disto, na volta ainda me acham maluco... mais umas quantas voltas deu o ponteiro dos segundos e eu sem nada sobre o que escrever... Futebol? Talvez... mas já há tanta coisa a falar de futebol, só se fosse para criticar os críticos dos fóruns do meu clube, mas assim também seria critico eu, tem de ser outra coisa... mas o quê? Começo a perder a esperança e acho que vou faltar ao prometido embora me custe muito... 90º foi quanto percorreu o ponteiro dos minutos e eu já perdi a esperança de actualizar o blog como prometi... resta-me pedir desculpa a quem eu faltei com a promessa e talvez outro dia o actualize, mas hoje não... hoje não consigo...

25.1.07

Mar adentro!


Um dia perdi-me em frente ao mar. Não sei se foi do azul intenso, ou do sol quente nas cadeiras de lona. Se foi das palavras que fluíam como ondas ou do olhar onde mergulhei sem querer. Um dia perdi-me em frente ao mar. Ao sol. Ao luar. O azul como refúgio. A luz como farol.Perdi-me nos teus olhos, nos teus gestos, nos teus sorrisos. Perdi-me no mimo com que me estragas, nas mãos com que me seguras a cara, nos abraços com que me fazes sentir em casa. Perdi-me nas tuas palavras, nas tuas histórias, nos teus sonhos iguais aos meus. Perdi-me nas tuas gargalhadas, nos teus cuidados, na tua voz quente e segura.Um dia perdi-me em frente ao mar.Um dia perdi-me e encontrei-me dentro de ti.

24.1.07

Simples gesto!


Foi mais uma vez na varanda destas traseiras, que me sentei ao relento, e esperei já sem desespero que o tempo passasse e me levasse os pensamentos para longe, o frio gela-me o corpo, mas isso não me importa porque não consegue fazer o mesmo com o pensamento... Esse já abandonou o meu corpo antes mesmo de eu começar a escrever... já vai longe! Foi para tão longe que me levou a pensar no próprio tempo. Passámos o dia á espera da hora de sair do trabalho, passámos a semana á espera do fim-de-semana, passámos o mês á espera do fim-do-mês, passámos o ano á espera das férias... e desejámos com quantas forças temos que esse dia chegue o mais rápido possível, e esquecemo-nos de viver a vida, viver aqueles pequenos momentos que fazem a diferença na vida de cada um! A vida é feita de pequenos nadas! Ficámos presos a um passado que nos tolhe, nos prende os movimentos, as ideias, as intenções e os sentimentos... Prendemo-nos a algo ou a alguém de tal maneira que quando nos apercebemos é tarde demais, já fomos apanhados e somos levados para longe, para um sítio onde tudo se torna rotineiro e não há espaço para esboçar, por naturalidade, o mais belo e formoso sorriso, aquele que reluz nos inocentes olhos de uma criança... lá tudo é forçado e fingido e por isso não é bonito de se ver! É nessas alturas que temos de encontrar os amigos para nos distraírem e para voltarmos a sorrir com naturalidade! Hoje algo me fez sorrir assim... um simples obrigado fez-me sentir feliz, encheu-me de alegria fez-me nascer uma estrela nos meus olhos e aqueceu-me o peito... por dentro!

23.1.07

Sentimentos mudos!


Peguei neles... peguei neles todos e meti-os lá dentro... fechei-os com um cadeado para não saírem mais de lá! Meti lá o ódio, a raiva junta com fúria, o medo, a tristeza e a inveja, a solidão e o desprezo, tudo o que me infecta e que não tem cura medicinal! A chave não a tenho eu... a chave tem cada pessoa que eu conheço e só elas podem abrir a porta para os libertar...

22.1.07

Anti-depressivo


Já não quero
que me digam nada!
Mas também
não quero estar só!
Quero deixar assentar
toda a poeira,
quero sentir
que sou apenas
mais um grão de pó...
Já não quero
estar ausente,
quero sentir,
e ter um papel
no presente!
Quero a Primavera
a florir na lapela,
quero um sonho
ao abrir de cada janela!
Quero esquecer o passado
ao fechar de cada porta,
quero uma chuva de vida,
para lavar o sal
de cada derrota!
Se posso começar de novo,
o que é
que uma derrota importa??
Abra-se a janela!
Que se feche a porta!