1.6.07

Fim-de-semana


“Fim-de-semana - Expressão que se utiliza para indicar os dois dias de descanso existentes no termo de cada semana. Constituem o fim-de-semana o Sábado e o Domingo.”
Foi este o significado que encontrei, para a expressão fim-de-semana, num qualquer dicionário de sinónimos banal que se encontram por aí. Certamente seria esta a explicação que mais gente acharia justa e acertada. Concordo, em certa parte. O meu significado de fim-de-semana é um pouco diferente e talvez não tão correcto para o resto da sociedade. Os dias do meu fim-de-semana não se distinguem dos outro dias da semana, por não estar durante oito horas atado ao emprego, é diferente, pessoal e intransmissível, é como uma impressão digital, é único! O meu fim-de-semana começa ao crepúsculo da sexta-feira e tem um tempo indeterminado, á partida, podendo acabar poucas horas depois ou durar, no máximo, até ao nascer do Astro Rei da terça-feira seguinte. Tem um nervoso miudinho que se confunde com a crescente ânsia, um nervoso mais sentido e um relaxamento profundo que me traz o desespero pelo próximo fim-de-semana, e ao mesmo tempo, me dá força para encarar o resto da semana!
Saio do trabalho no fim de mais uma sexta-feira como a maioria das pessoas, e desde logo, sou tomado de assalto por uma pequena inquietação que me desvia o pensamento e o encerra numa cela onde ele apenas consegue pensar no tempo que falta para começar o grande jogo, aquele onde joga o Sporting de Braga, tudo o resto tem importância mínima e se desvanece por entre o nevoeiro tal e qual D. Sebastião. Agora apenas me concentro no onde, quando e como vou ver jogar a minha equipa... Chegada a hora do apito algo em mim se transfigura e me muda completamente, deixo a timidez de lado e uso da minha força interior para apoiar os meus bravos em mais uma batalha. Durante 90 min é a única coisa que sei fazer, e ainda assim, são actos inconscientes. Vem depois a paz, a chave que me liberta o pensamento da cela e que traz atado a si o entusiasmo pelo fim-de-semana seguinte! É este o meu fim-de-semana, é por ele que anseio durante todos os dias que me levanto. Dependo dele, e do que ele me dá, para sobreviver, tal como um viciado no tabaco depende dele para o seu bem-estar. Mas algo de estranho tem acontecido ultimamente. Desde à uns dias para cá que algo está errado. O pensamento foi cerrado, o nervoso miudinho já cá mora, mas passaram duas terças e nem sinal da cura para este estado de alma. Já por vários dias que desço a Rua de S. Martinho em direcção ao Estádio e... nada! Não há trânsito, não há carros estacionados em cima dos passeios, não há ninguém a envergar as cores vermelha e branca unidas como só nós Braguistas sabemos e amamos, não há nada... É tudo tão monótono e previsível como em qualquer dia da semana! Que fizeram com o meu fim-de-semana? Preciso dele para me sentir vivo, preciso da chave que me vai libertar o pensamento, preciso de sentir a paz dentro de mim...
E tu, tiveste fim-de-semana?

24.5.07

Ultimo apito


Apita o árbitro pela última vez esta época na Pedreira Mágica... O empate caseiro a uma bola associado ao resultado de um derby da capital classifica o Sporting de Braga na 4ª posição! À sua frente apenas se vislumbram os rotulados de 3 grandes pela imprensa nacional. Razão pela qual o Braguista enche o peito de ar e grita Braga, com o mesmo orgulho de quem vê a sua equipa a ser campeã. Aplaude efusivamente como forma de agradecimento a um grupo de bravos, que se debateu durante uma época inteira contra inúmeras contrariedades, para obter um lugar tão honroso como este... Nota, com pena, no rosto de alguns uma espécie de lágrima, que foge e desfoca a visão, por saber que certamente foi a última vez sentiu este símbolo ao peito como sendo seu. Já com os guerreiros, que o fizeram vibrar toda esta época, recolhidos aos balneários, e a maioria do público já a descer a Alameda do Estádio, o Braguista contempla toda a beleza que a Pedreira Mágica lhe oferece, e saltam-lhe à memória momentos ali vividos que lhe arrepiam todos os milímetros do corpo. Todos os golos marcados e a explosão de alegria criada a cada um deles, o calor humano mesmo nas noites mais gélidas, e todas as demonstrações de amor ao símbolo do clube, tudo isso é lembrado como uma retrospectiva não mais longa que trinta segundos. Apesar de toda esta alegria e euforia conjugadas num sentimento só, uma não menos sentida tristeza o assalta. A tristeza por saber que tão cedo não voltará a este mesmo estádio para ver o seu clube jogar...
Antes do regresso a casa, resolve festejar pelas ruas e artérias da cidade dos Arcebispos, a conquista do primeiro lugar entre os clubes de orçamento mais reduzido, e uma nova presença na Taça Uefa, porém depara-se por todo o lado com festejos de outra cor, mas isso não afecta a sua vontade de festejar, pois torna-se daltónico por instantes e tudo lhe parece festejar de vermelho e branco.
De regresso ao aconchego do seu sofá, aguarda ansiosamente por ver o golo do seu clube na televisão e ver na classificação final que no quarto posto figura o Sporting de Braga.
O tão aguardado momento já passou, a época já acabou, e agora é simplesmente um conjunto de resultados registados em forma de números. Para trás ficam noites e tardes de grandes alegrias, uma época de excelentes resultados, talvez a melhor de sempre, embora as exibições nem sempre tenham sido as melhores. Mas que importa a exibição se não conta para os registos? O que conta são os resultados... E esses é que vão ser lembrados e nos vão encher de orgulho nos próximos anos!
É hora do Braguista recolher ao seu ninho, repousar a cabeça na almofada e esperar pelo sono... Mas ele tarda em chegar, e não quer mesmo vir! O Braguista não prega olho, pois a sua cabeça não pára de pensar por um minuto que seja nos tempos que se avizinham. Mentalmente dolorosos e penosos. Durante cerca de dois meses e meio não irá sentir o prazer de ver o seu clube de coração jogar ao mais alto nível, no trabalho não irá defender o Sporting de Braga com unhas e dentes, pois não se vai falar de futebol até começar a nova época, nos jornais nacionais apenas vão sair notícias de transferências, dos jogadores que melhor defenderam o símbolo da camisola vermelha com mangas brancas para outros clubes rivais, quase todas elas criadas por jornalistas sem escrúpulos ou encomendadas para destabilizar o equilíbrio emocional desses bravos, e consequentemente enfraquecer a união dentro do balneário, notícias que criam um mal estar no Braguista que teme pela perda das suas mais valias. É totalmente massacrado pela invasão de tais inverdades... Resta-lhe ler a imprensa regional, que defende os interesses do seu clube e lhe abranda a azia... Tempos difíceis que irão surgir a cada nova aurora... Mas o Braguista aguenta, pois o amor que arde dentro dele pelo clube da cidade que o viu nascer, torna-o forte e capaz de suportar isto e muito mais, pois está para chegar uma nova época, cheia de coisas bonitas para fazer e jogos para apoiar, vibrar e vencer. É com este pensamento, vontade e confiança que o Braguista se irá levantar e deitar todos os dias...

16.5.07

Bracarense, Arcebispo, Arsenalista, Braguista


Todas as palavras, por mais pequenas que sejam, têm um significado. Algumas têm até mais que um significado podendo a mesma palavra ser aplicada em vários contextos. Acontece também o inverso, várias palavras significarem a mesma coisa. Com o passar do tempo certas palavras caem em desuso e surgem outras novas que aos poucos vão entrando no vocabulário de cada um de nós e vão fazendo cada vez mais parte do nosso dia a dia, vindo estes novos vocábulos fazer companhia, e por vezes substituir, os antigos, enriquecendo assim a língua. Certos termos existem apenas num determinado local, ou numa determinada sociedade (se lhe podermos chamar assim), não fazendo por isso parte do vocabulário oficial da língua. Exemplo disso é a palavra Braguista.
Desde a criação do Sporting Clube de Braga que os adeptos do clube eram denominados por Bracarenses. Esta designação deve-se ao facto de os habitantes ou naturais da cidade de Braga serem Bracarenses, nome atribuído devido à cidade ter sido fundada no tempo dos romanos com o nome de Bracara Augusta. Apesar de já não ser utilizado com tanta frequência, por vezes utiliza-se o termo Arcebispos quando se fala da comunidade em volta do clube, mais uma vez com a razão a ser atribuída à cidade que, por em 1112 ter sido doada aos Arcebispos, é também conhecida por Cidade dos Arcebispos. Porém outra designação têm, a de Arsenalistas, esta tem a ver com o facto de José Szabo ter sugerido um equipamento para o Sporting clube de Braga, à semelhança do utilizado pelo Arsenal de Londres (equipamento utilizado ainda hoje) ficando a equipa a ser conhecida por Arsenal do Minho e, consequentemente, os adeptos por Arsenalistas.
Muitos anos mais tarde, devido a uma grande parte dos Bracarenses nutrir um certo sentimento por um clube de fora da cidade que lhes pertence, surge a necessidade de criar um vocábulo que destinga aqueles que somente apoiam e amam o clube mais representativo da capital do Minho, daqueles que por algum motivo sentem algo por outro clube, ou ainda daqueles que simplesmente habitam ou são naturais da cidade de Braga. Com esta necessidade, nasce o Braguista, palavra que não existe no dicionário e é vulgarmente utilizada pelas pessoas a que se refere. O significado é muito simples, caracteriza uma pessoa que ama um só clube e que o defende até que as forças não o permitam mais, sendo esse clube o Sporting Clube de Braga. A palavra Braguista, é uma palavra relativamente nova, e que é mais usada e conhecida pelos frequentadores mais assíduos da Internet nos sites e fóruns que se relacionam com o Sporting Clube de Braga, apesar disso, está a tornar-se cada vez mais conhecida e mais utilizada entre a comunidade Bracarense. Está a ganhar estatuto e a começar a ser conhecida pelo “mundo fora”. Existe já uma associação constituída por este tipo de adeptos, a Associação Braguista! Brevemente iremos ser reconhecidos como apoiantes de um só clube e a palavra Braguista vai figurar no dicionário da língua portuguesa, iremos finalmente ser diferenciados e dar a conhecer ao poder centralizado que os Braguistas são de carne e osso, e não simples hologramas...
Enquanto este meu sonho não se realiza e este dia não chega, resta-me apenas dizer que, quer sejamos Bracarenses, Arcebispos, Arsenalistas, ou Braguistas o que importa é estarmos unidos e apoiar única e exclusivamente o Sporting Clube de Braga...


P.S.: O significado da palavra Braguista aqui apresentado por mim foi, uma vez que a palavra não existe oficialmente, criado por mim, sendo assim, uma mera sugestão pela maneira como eu a vejo e gostaria que fosse vista pelos outros, podendo estar totalmente errada!

11.5.07

Jewel - Hands

If I could tell the world just one thing
It would be that we're all OK
And not to worry 'cause worry is wasteful
And useless in times like these
I won't be made useless
I won't be idle with despair
I will gather myself around my faith
For light does the darkness most fear
My hands are small, I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
And I am never broken
Poverty stole your golden shoes
It didn't steal your laughter
And heartache came to visit me
But I knew it wasn't ever after
We'll fight, not out of spite
For someone must stand up for what's right
'Cause where there's a man who has no voice
There ours shall go singing
My hands are small I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
I am never broken
In the end only kindness matters
In the end only kindness matters
I will get down on my knees, and I will pray
I will get down on my knees, and I will pray
I will get down on my knees, and I will pray
My hands are small I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
And I am never broken
My hands are small I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
And I am never broken
We are never broken
We are God's eyes
God's hands
God's mind
We are God's eyes
God's hands
God's heart
We are God's eyes
God's hands
God's eyes
We are God's hands
We are God's hands



8.5.07

Mais um Domingo igual?


Manhã de Domingo, toca o despertador, dia de descanso para muitos, mais um dia de trabalho para outros, uma manhã a empregado de balcão para mim. Lá fora o sol ainda tem poucas horas de vida, mas já brilha com todo o seu esplendor. O céu, esse está limpo e azul, o que faz prever um magnífico Domingo. Poderia ser o porquê do sorriso estampado na minha cara e da felicidade que me preenche por dentro apesar da hora, mas não é, e por uma simples razão, logo á tarde há futebol na “Pedreira”, joga o meu clube, razão mais que suficiente para me fazer sorrir e renegar tudo o resto para segundo plano. Como não podia deixar de ser, visto uma camisola vermelha com mangas brancas e lá vou trabalhar. No curto caminho, encontro alguns conhecidos que me abordam e expressam a sua felicidade por logo irem ver jogar o clube mais representativo da cidade. Não é um hábito irem ao futebol, não por não gostarem de futebol, ou por apoiar outra equipa que não o Braga, mas porque nem sempre conseguem chegar ao fim do mês com mais de 1 euro no bolso... Já no local de onde devo estar até perto das 13 horas, reparo que as conversas giram todas em volta do jogo onde todos apenas esperam um resultado. Por entre as conversas lá consigo apanhar alguém a dizer que hoje vai levar a mulher e os 3 filhos ao estádio, outro que convidou uns amigos de fora de Braga para virem ao Estádio Municipal de Braga apreciar a sua beleza e ver o Sporting Clube de Braga jogar, outro ainda vai fazer uma surpresa à mãe (por ser o dia dedicado a ela) e levá-la ao estádio, ela que sofre sempre em casa agarrada ao relato que vai passando no rádio, mas mesmo assim torce por uma vitória do clube da cidade que a viu nascer. Todos levavam alguém pela primeira vez, e todos falavam em ir vestidos de vermelho. Do outro lado do balcão começo eu a sonhar em ver o estádio cheio e uma grande vitória do clube de todos nós, sonho prontamente interrompido pelo pedido de alguém. Em cada pessoa que vejo vestida de vermelho penso se também irá ver o espectáculo, mas não me atrevo a perguntar... O que é certo é que uma anormal quantidade de pessoas se veste de vermelho neste dia da mãe, ou talvez seja eu que estou mais atento a isso. Começa a nascer em mim, perto do estômago uma espécie de dor, é ânsia em chegar a hora do jogo... Olho para o relógio mas ele teima em andar devagar, muito devagar, nem um quarto de volta deu desde a última vez que olhei para ele... Após umas largas dezenas de clientes me terem dito que logo de tarde pode ser que nos voltemos a encontrar, o relógio lá faz o favor de dar umas voltinhas... Saio no fim do almoço para entreter o pensamento e tentar deixar de olhar para o relógio que voltou a abrandar o ritmo, ao contrario do meu coração, esse acelera cada vez mais. É inútil tentar distrair a mente de algo que amámos com tanta força, pois na minha cabeça só o jogo tem lugar agora. Continuo a reparar nas pessoas vestidas de vermelho e começo a reparar agora que muitas delas se fazem acompanhar de um cachecol, que não é para cobrir o pescoço do frio, que esse não se faz sentir, é para apoiar o clube cá da cidade. Todos se dirigem para o estádio, e eu, que já não aguento mais esta ânsia, sigo-lhes os passos. Hoje há uma movimentação anormal no mesmo sentido em que eu vou, algo de extraordinário se adivinha... Sento-me na cadeira de sempre ainda antes do habitual aquecimento das equipas, e olhando em volta, reparo que as bancadas estão já mais cobertas que no início de certos jogos. Sinto o primeiro arrepio ao imaginar as pessoas que ainda se dirigem para lá e ainda vão ocupar os lugares vazios, e começo a adivinhar uma enchente, um mar vermelho... Já mais perto do apito inicial reparo que nunca esteve tanta gente na Pedreira para apoiar o Braga! Para alguns este jogo tem um sabor especial, existe nele uma sede de vingança pelas duas derrotas sofridas este ano, contra a mesma equipa que hoje terá de lutar contra o apoio de cerca de trinta mil vozes de incentivo aos nossos bravos... É esta sede de vingança e esta vontade tremenda de vencer que me faz gritar golo com toda a força que conseguia, quando vejo pela primeira vez a bola a fazer abanar as redes da baliza contrária... Estava tudo perfeito até que perto do fim uma tristeza se aproxima de mim querendo estragar a festa, mas eis que, contra a crença de muitos dos presentes, um remate com fé, força, garra e vontade faz a bola beijar o fundo da baliza, faz erguer um estádio, faz matar a sede de vingança de muitos faz encher o coração de alegria de outros e faz-me perder a total noção das coisas de tal modo que dei comigo com uma grande parte dos músculos contraídos, um punho fechado de raiva, e um abraço forte a alguém que o merecia. Consigo inexplicavelmente abstrair-me de tudo isto, para durante cerca de dois segundos imaginar aquele jogo como sendo o jogo do título, aquele golo como sendo o decisivo e aqueles adeptos como sendo os normalmente presentes, apenas um arrepio ainda mais forte me faz voltar a mim e lembrar com um enorme desejo de concretização esse sonho... E assim foi mais um Domingo, mais um Dia da Mãe que tinha tudo para ser igual a tantos outros, mas acabou por ter tudo para ser diferente e marcante...

25.4.07

Passa o tempo fica o sentimento...




Enquanto pequeno fui criado através de um "molde" que me ensinou a gostar e a defender até não ter mais forças ou argumentos aquilo que, de certo modo, me pertence. Numa família de braguistas ensinaram-me a defender as cores do meu clube não só quando ele ganha. Mostraram-me que me devia sentir orgulhoso por ser adepto de um clube que mesmo não ganhando muito, me alegrava o coração só em vê-lo jogar. Na escola primária era olhado com espanto quando alguém me perguntava "De que clube és?", e eu orgulhoso respondia "Do Braga.", a pergunta seguinte, todos aqueles que como eu começaram de cedo a gostar, defender e apoiar em qualquer circunstância o que lhes pertence e não o que ganha mais, consegue adivinhar, "E que mais?". Parecia uma obrigatoriedade ser de um clube que já tivesse sido campeão. "Mais nenhum." respondia eu. Na maioria das vezes mesmo sem lhes perguntar acabavam por me dizer "Eu sou do X... mas também gosto do Braga...". Não compreendia o porquê de dizer que tinha outro clube, e sentia-me triste, triste por ficar com a sensação de que o meu clube tinha poucos adeptos verdadeiros.
Era raro na altura ver alguém a jogar á bola na rua com a camisola do Braga, mas eu jogava e vestia-a sempre que podia, mostrava o meu cartão de sócio e o meu cachecol a toda a gente, e sentia-me orgulhoso pelo que fazia, por mostrar a todos o meu braguismo... Sentia-me a criança mais feliz do mundo por domingo sim domingo não ir até ao 1º de Maio e exibir o meu cartão de sócio apenas por satisfação (pois não era necessário para entrar com aquela idade) a quem controlava a entrada.
Os anos foram passando, eu fui crescendo, as conversas foram mudando mas as perguntas e as respostas continuavam as mesmas, apenas os comentários dos outros consoante o resultado do jogo mudavam e algumas perguntas começavam a vaguear na minha cabeça. Sempre que o Braga fazia um bom resultado falavam comigo e referiam-se ao "nosso Braguinha", quando os resultados não agradavam abordavam-me referindo-se ao "teu Braga". Perdia a cabeça com isto, sentia a raiva correr-me nas veias como se de sangue se tratasse. Como era possível alguém se aproveitar do resultado de um clube e tirar sempre satisfação fosse qual fosse o resultado... Não havia sentimento verdadeiro, não havia sofrimento... Eram anos em que o Braga vivia de altos e baixos, em que se lutava uma época para ir á UEFA e na seguinte para não descer de divisão. Nestes anos conseguia-se distinguir perfeitamente, o Braguista sofredor e verdadeiro do "falsificado e oportunista". Sentia-me feliz por, embora sermos poucos Braguistas verdadeiros, não sermos confundidos com os que simplesmente iam á bola ou mesmo sem ir discutiam como se fossem...
Passaram mais alguns invernos, e eis que num verão se realiza um Campeonato Europeu que veio mudar muita coisa e apaixonar mais pessoas pelo futebol... Coincidência ou não, foi um ponto de viragem para o Braga, tornou-se um clube mais estável e mais forte, tornou-se num "Braga Europeu". Muitos, arrastados pela onda vitoriosa do clube da sua terra, decidiram segui-lo de mais perto, e esquecer um pouco o clube que até então os prendia á televisão, e começaram-se a auto-intitular Braguistas... Começaram a ir ao estádio, aos treinos, a comentar fóruns na internet afirmando sempre que o Braga sempre foi a paixão deles. Agora quando lhes perguntam o clube dizem "Do Braga" mas lá acabam por confessar, a custo "simpatizo por o X"... Apesar de se ter criado uma nova geração de verdadeiros Braguistas, são muitos os que se tornaram Braguistas falsificados e oportunistas, mas estes são agora mais difíceis de distinguir...
Época 2006/2007. Após uma série de épocas espectaculares, as melhores de sempre, vem uma época com alguma quebra, fica-se uns furos abaixo do esperado. O que acontece? Os Braguistas falsificados e oportunistas criticam tudo o que podem, presidente, treinadores, jogadores, horários de jogos e treinos, equipamentos utilizados, métodos de treino e tudo o que se possa imaginar, preferem assobiar em vez de dar apoio... Pois eles querem sempre mais para matar a sua fome... Na minha opinião, o verdadeiro Braguista, aquele que sofre, vê esta época como uma época menos boa (ou talvez não) que as anteriores mas mesmo assim de sonho, ½ da Taça de Portugal, mais jogos de sempre efectuados na Taça UEFA e um lugar na classificação que a 4 jornadas do fim nos permite sonhar e depender apenas dos nossos resultados para participar na próxima edição da Taça UEFA... O único sentimento de revolta deste Braguista é saber que está a ser confundido com alguém que não é capaz de sacrificar uma unha que seja pelo clube que diz ser adepto... Lembro aqui todos aqueles que, independentemente do resultado, ficam no seu lugar até o arbitro apitar pela ultima vez, todos aqueles que aplaudem quando a equipa perde, todos aqueles que foram esperar a equipa ao aeroporto no fim de um jogo para a Taça UEFA, não só quando ganhou mas também quando perdeu, lembro alguém que apesar de ser sócio preferiu comprar um bilhete de público do que ir embora porque a espera iria ser demorada para tirar bilhete de sócio e iria perder o principio do jogo, todos aqueles que lutam, assim, pela verdade e genuinidade clubistica. É por tudo isto que, olhando para trás e vendo-me naquela criança sinto um enorme orgulho e agradeço a que me ensinou a ser assim...

3.4.07

Um Mundo do meu tamanho...


Domingo, manhã solarenga de Junho, acordo bem cedo, o fato de cerimónia que ainda cheira a novo cobre-me o corpo, prepara-se um dia diferente, não imaginava eu o quão diferente... A cerimonia era um casamento, e eu ia fazer parte dela de certa forma especial, ia ser "menino das alianças"... Antes da igreja toca a tirar as fotografias da praxe na casa da noiva, uma assim, outra daquela maneira, mais um flash, mais um passarinho, e a minha vergonha não me deixava ver ninguém... Acabadas as fotos e satisfeitos os estômagos dos convidados, tudo ruma à igreja, onde já está o noivo, nervoso e com a consciência de que está a acabar o tempo de solteiro, coisa que nunca mais vai voltar a ser... Alinha-se a noiva em frente á porta de braço dado com o padrinho, que a vai levar ao altar, á frente os meninos das alianças, e os convidados vão entrando devagar, enquanto entram vão dizendo qualquer coisa á noiva que está nervosa. Entretanto alguém me pede para dar a mão á menina das alianças que era mais nova que eu, talvez com 2 ou 3 anos e eu cheio de vergonha lá pego na mão da menina, um dos convidados ao entrar, não fala para noiva, mas para mim, "Vais casar com a menina..." disse-me... Com a vergonha que tinha, e com a que ganhei depois disto, não me consigo lembrar de mais nada, apenas que entrei de mão dada com uma menina na igreja e alguém me disse que seria ela minha noiva, não me consigo lembrar de nomes, nem sequer de nenhum rosto... A cerimonia acabou, o fato voltou para o guarda-vestidos, a menina já não sei dela... Passaram dias, meses, anos... tantos que o fato já nem me serve, cresci, mudei, e a menina das alianças também, ficámos irreconhecíveis... Cerca de 13 anos mais tarde sou apresentado a uma rapariga, pela qual me apaixono, e começo a namorar 8 meses depois. Com um mês e alguns dias de namoro, uma duvida me assalta, "será que devo acreditar no destino?" coisa que até então não acreditava. O fundamento desta duvida em forma de questão é que enquanto lhe mostrava as fotografias desse casamento, ouço sair da voz dela, "Esta sou eu!"... Encontrei a menina das alianças...

23.3.07

What do you do? - Papa Roach

I got a one-way ticker on a hell-bound train
With nothing to lose and nothing to gain
Nobody ever taught me how to live
I'm feeling like I'm lost- like I'll never be found
I'm twisted and I'm turned around
Nobody ever taught me how to love
I'm hurting everybody I'm hurting myself
I'm desperate
So what do you do
When it all comes down on you?
Do you run and hide
Or face the truth?
If you were to tell me that I'd die today
This is what I'd have to say
I never really had the time to live
And if you were to give me just another chance
Another life, another dance
All I really want to do is love
I'm hurting everybody
I'm hurting myself
I'm desperate
When all is said and done you could be the one
With open arms and open eyes
You're jumping off the edge and hoping you can fly
Accept your fate for what it is
Into the great unknown
...got a one-way ticket on a hell-bound train
With nothing to lose and nothing to gain...

18.3.07

Secretamente


Secretamente te sussurro
Leve e de mansinho
O que a minha alma grita
Desesperadamente
Cá dentro
Com medo que tu não oiças
Encosto a boca tremula
Ao teu ouvido delicado
E por breves momentos esqueço tudo
Até mesmo que existo
Apenas me lembro e sinto
O que os meus lábios acabaram de dizer
Palavra pequena e de enorme significado
Que demostra toda a insanidade que me compõe
Devagar, com carinho e ternura
Solto um Amo-te
E um sorriso
Por saber que também o disseste...

17.3.07

Mika - Grace Kelly

Do I attract you?
Do I repulse you with my queasy smile?
Am I too dirty?
Am I too flirty?
Do I like what you like?
I could be wholesome
I could be loathsome
I guess I'm a little bit shy
Why don't you like me?
Why don't you like me without making me try?
I try to be like Grace Kelly
But all her looks were too sad
So I try a little Freddie
Ive gone identity mad!
I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?
Why don't you like me?
Why don't you walk out the door!
How can I help it
How can I help it
How can I help what you think?
Hello my baby
Hello my baby
Putting my life on the brink
Why don't you like me
Why don't you like me
Why don't you like yourself?
Should I bend over?
Should I look older just to be put on your shelf?

I try to be like Grace Kelly
But all her looks were too sad
So I try a little Freddie
Ive gone identity mad!
I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?
Why don't you like me?
Why don't you walk out the door!
Say what you want to satisfy yourself
But you only want what everybody else says you should want
I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?
Why don't you like me?
Why don't you walk out the door!