4.7.07

Acorda-me quando chegares! VII (o regresso)


Com o envelhecer e o passar dos anos, apercebemo-nos que na vida existem coisas pouco importantes, importantes, e muito importantes. Porém a nossa mente estúpida tem a inconsciente tendência de baralhar tudo isto! Frequentemente damos importância a coisas mínimas e esquecemos a importância das que realmente a têm, levando a um maior número sucessivo de erros, quer em actos quer em pensamentos! Magoamos o nosso interior, mas pior que isso, ferimos outras pessoas, e o tamanho das cicatrizes que se irão formar é inversamente proporcional à distância que essa pessoa está de nós, ou seja, quanto menor a distância emocional, maior o golpe! É certo que o fazemos sem consciência dos actos, mas fazemos, e não temos desculpa para isso, não deixa de ser um erro nosso! Há bem pouco tempo eram poucas as pessoas com quem eu me dava, com quem falava, desabafava, trocava opiniões, e como consequência disso aprendi a estar só e pensar comigo mesmo, mas sobretudo a desabafar com as lagrimas que iam distorcendo as estrelas que moram no céu que pinta o limite do horizonte da minha varanda e que manchavam as folhas dos pequenos textos que ia escrevendo! Descarregava ali toda a minha fúria! Deixei esse hábito durante vários dias, semanas, meses até... Pois encontrei alguém que me ouvia e ajudava. Mas um pormenor tinha escapado neste meu novo refugio. E se o meu desabafo tivesse relacionado com esse amor? Tinha de voltar ao meu antigo método de alívio pessoal. Foi isso que aconteceu na última semana, fui atirado para aqui por duas ocasiões! Precisava de pensar, de me encontrar comigo mesmo para ver onde falhei, deixar escorrer as lágrimas que me iriam ajudar a curar, mas apenas com a junção de ambos os métodos consegui chegar a uma conclusão! A parte do meu cérebro à qual cabe a função de distinguir a importância das coisas, não estava a trabalhar a 100%... Confundiu muitas coisas, esqueceu outras, e perdeu dados importantes para o equilíbrio e bem estar de tudo a que eu digo respeito. Enquanto possuía apenas um método de desabafo dos meus mais íntimos pensamentos e desejos, a escrita era a forma de não voltar a cair no mesmo erro e de mostrar a alguém aquilo que a boca não dizia quando por perto se encontravam os ouvidos dela. Apesar de o resto do corpo dar sinais, e dar a entender o que a boca abafava, ela continuava muda. Foi assim (na minha ideia) que ela me foi conhecendo melhor e sabendo como eu funcionava, de maneira a que nos conseguimos entender de tal forma a criar uma intimidade capaz de fazer com que a boca soltasse as palavras acorrentadas, com liberdade condicional apenas na escrita até então! Tinha sido criado um hábito, o de escrever para alguém, coisa que nunca tinha feito antes, ou pelo menos tão intensa e directamente... Por culpa da minha avaria cerebral, deixei que este hábito caísse em desleixo e fosse cada vez menos frequente, até ser erradicado por completo, e tudo por culpa minha, coisa que ela não merecia! Deixei que a minha fome de escrita fosse levada para outros campos e outras paixões diferentes. Por “umbiguidade” (mas errada e inconscientemente) deixei que se sobrepusesse em mim a preferência de ver uma criação minha publicada num jornal regional que fazer crescer um pouco mais de amor num coração que tanto bem me quer! Errei, e o erro trouxe-me a esta noite fria de Julho, como se tratasse de um sinal do quão frio eu tenho sido para quem me tenta aquecer a cada passo, devolveu-me o sabor salgado das lágrimas e as manchas no papel, mas também me devolveu a funcionalidade que precisava para me aperceber que não fiz o correcto e para tentar emendar! Fica por isso aqui escrito, que a minha vontade de voltar a mostrar que te amo, te quero, te desejo é tão grande como a minha vontade de voltar a ser tudo como era... Tristezas não pagam dívidas, e dúvidas não passam de meros obstáculos que são criados apenas para serem destruídos, por isso, a certeza de um sorriso na tua cara é o bastante para um igual nascer na minha e fazer crescer aquilo que aumenta o coração... Estou de volta à escrita, aquela que tu gostas! Só falta uma palavra para acabar: amo-te!!!

21.6.07

Braga - a minha doença


Ontem foi dia de consulta médica, daquelas normais, chamadas “consultas de rotina”. Somos pesados, auscultados, mostramos a língua, os dentes e a garganta para serem examinados e as análises feitas à uns mesitos atrás. Ainda nesta fase da consulta, em que nos verificam os sistemas, chega a altura de medir a tensão... O médico faz uma cara um pouco estranha, que me deixa apreensivo, e enquanto procura as análises ao sangue atira-me uma pergunta:
- Há alguma coisa que te deixe nervoso ultimamente?
- Não! – respondi eu ainda meio inquieto pela cara e estranheza da pergunta.
Segui-se um silêncio...
Já com os exames abertos e depois de uma rápida olhadela por eles apenas dispara:
- Confirma-se!
- O quê senhor doutor?
- Tem uma espécie de doença...
- E é grave? – interrompi eu
- Não! E no seu caso é genético!
- Genético?
- Sim. O seu pai tem o mesmo síndroma!
- Excesso de açúcar no sangue, certo? – era a única doença que conhecia no meu pai...
- Não...
- Não!? Então?
- Tem algo em excesso no sangue e não é açúcar! É a paixão por um símbolo, por um clube...
- Pelo Braga...
- Certo! Está presente no sangue, nasceu consigo e interfere-lhe com o sistema nervoso, tal como sucede hoje, regista os valores mais altos de sempre nos batimentos cardíacos e a pressão arterial está também acima do normal!
- Mas nesta altura do ano não há futebol, não há muita razão para eu estar assim... Tem cura?
- Exactamente por isso é que o sistema nervoso está alterado, é uma espécie de ressaca, sentes a falta de algo a que estavas habituado e a ânsia de estar a chegar a altura em tudo vai voltar ao normal está-se a apoderar do inconsciente! Não tem cura, a medicina não consegue fazer nada, porque é algo que nasce dentro de si, lhe corre o corpo pelo sangue, e que guarda no coração! A medicina é inútil na luta contra um amor verdadeiro a um clube...
- Mas posso fazer algo?
- No entanto pode sempre atenuar estes efeitos...
- Como?
- Para começar, deixe de ler a imprensa desportiva que o bombardeia todos os dias com notícias falsas e sem fundamento, cujo único objectivo, é a venda daqueles pedaços de papel coloridos, na maior parte das vezes, com mentiras ou simplesmente suposições, que saltaram á ideia do jornalista sem mais nem menos... Aceite apenas as notícias publicadas no site do Sporting Clube de Braga, pois apenas essas são verdadeiras e não são contraditórias, tudo o resto veja como mera especulação! Depois pode sempre começar a preparar a nova época...
- Preparar a nova época? Eu? Como?
- Como é do conhecimento geral, está a decorrer a renovação das cadeiras no EMB para a nova temporada, não perca mais tempo, e renove já a sua... Terá melhoras rápidas e significativas...

Fiquei espantado com o método, não há cá medicamentos caros nem idas à farmácia, apenas uma simples mas muito valiosa cadeira cinza que me faz afirmar com toda a convicção: comprar cadeira faz bem à saúde... Braguista!

15.6.07

Voltando atrás no tempo...


Dia 8 de Fevereiro de 2005 – “Proença abandona a arbitragem” .
Era este o título que esperava ver escrito numa página qualquer de algum jornal naquele dia. Este desejo tão invulgar tem um fundamento. No dia 6 do mesmo mês realizou-se mais um derby minhoto onde o clube da capital do Minho perdeu fora de portas por uma bola a zero. O árbitro deste encontro foi o Sr Pedro Proença. Já em tempo de descontos, dois jogadores (Paulo Sérgio do Braga e Cléber do Guimarães) envolvem-se numa disputa de bola e acaba por cair dentro da área o avançado arsenalista, nada foi assinalado... Momentos depois ouve-se o apito final e já com a cabeça fria vem-me á cabeça a pergunta “será que era mesmo pénalti?”, apercebo-me entretanto de algum alarido em torno do referido árbitro, “nada de anormal” pensava eu... Na manhã seguinte e ainda na ressaca jogo, enquanto folheio um jornal desportivo, deparo com o seguinte titulo “Proença abandona se for pénalti”; no resto da notícia Amaral Correia, assessor da SAD do Braga, fazia saber que no fim do jogo ainda dentro do relvado, Pedro Proença tinha dito a António Salvador, em frente dos companheiros de equipa e dos delegados da Liga de Clubes, que abandonaria a arbitragem caso ele tivesse errado na decisão tomada naquele lance e realmente fosse pénalti. Era divulgado também que alguns dos jogadores do Braga tinham sido alvo de insultos pelo arbitro no decorrer da partida, caso que chegou a ir para tribunal, e que levou o Sporting de Braga a vetar este juiz para os seus jogos, tendo este arbitro sido nomeado para arbitrar um jogo do Braga ainda com o processo a decorrer em tribunal e jogando o Braga sob protesto! Referia ainda as palavras do jogador do Guimarães envolvido no lance (Cléber) que admitia ter havido uma grande penalidade por assinalar mas recusava-se a dizer em que altura do jogo ocorreu! Depois de ler isto tive a imediata reacção de procurar nos meios de comunicação social disponíveis se realmente teria sido pénalti e Proença iria pendurar o apito. Nas imagens televisivas era clara a obstrução de Cléber a Paulo Sérgio, embora os comentadores, tratando-se de um clube que não interessa fazer “publicidade” tenham apenas tocado ao de leve no assunto... Foi já com certeza de que tinha havido um erro que me levantei dia 8 na esperança que o Sr Pedro Proença fosse um homem de palavra e fizesse cumprir aquilo que tinha dito dois dias antes... Mas foi com tristeza que constatei que este senhor não passava de um mentiroso e não honrou a palavra como devia... Hoje foi-lhe atribuído um prémio de distinção na arbitragem, e pergunto eu: Como pode receber um prémio alguém que já não deveria arbitrar???

7.6.07

Desafio-te...

Em resposta ao desafio da Cristina (randomnes)


7 coisas que faço bem:
- escrever
- exagerar
- mostrar a alguém que realmente gosto dela
- fazer as pessoas rir
- projectar circuitos electronicos
- fazer reparações e "invenções"
- sudoku

7 coisas que não faço:
- desenhar
- apoiar uma equipa que não a minha
- trair
- beber alcool
- fumar
- cozinhar
- comer caracois


7 coisas que apercio no sexo oposto:
- sinceridade
- humildade
- beleza interior
- gosto pelo desporto
- simpatia
- ser braguista
- mostrar o que realmente sente


7 actores/actrizes:
- Sandra Bullock
- Jennifer Lopez
- George Clooney
- Angelina Jolie
- Rowan Atkinson
- Jerry Seinfeld
- Michael Richards


7 coisas que digo diariamente:
- amo-te
- como é?
- falta muito para a meia-noite?
- tenho fome
- coiso
- "cala-ti"
- tá bem

desafio a "minha" cirigaita (
*_Lipinha_*) e a Cidália (Cidi's World)

1.6.07

Fim-de-semana


“Fim-de-semana - Expressão que se utiliza para indicar os dois dias de descanso existentes no termo de cada semana. Constituem o fim-de-semana o Sábado e o Domingo.”
Foi este o significado que encontrei, para a expressão fim-de-semana, num qualquer dicionário de sinónimos banal que se encontram por aí. Certamente seria esta a explicação que mais gente acharia justa e acertada. Concordo, em certa parte. O meu significado de fim-de-semana é um pouco diferente e talvez não tão correcto para o resto da sociedade. Os dias do meu fim-de-semana não se distinguem dos outro dias da semana, por não estar durante oito horas atado ao emprego, é diferente, pessoal e intransmissível, é como uma impressão digital, é único! O meu fim-de-semana começa ao crepúsculo da sexta-feira e tem um tempo indeterminado, á partida, podendo acabar poucas horas depois ou durar, no máximo, até ao nascer do Astro Rei da terça-feira seguinte. Tem um nervoso miudinho que se confunde com a crescente ânsia, um nervoso mais sentido e um relaxamento profundo que me traz o desespero pelo próximo fim-de-semana, e ao mesmo tempo, me dá força para encarar o resto da semana!
Saio do trabalho no fim de mais uma sexta-feira como a maioria das pessoas, e desde logo, sou tomado de assalto por uma pequena inquietação que me desvia o pensamento e o encerra numa cela onde ele apenas consegue pensar no tempo que falta para começar o grande jogo, aquele onde joga o Sporting de Braga, tudo o resto tem importância mínima e se desvanece por entre o nevoeiro tal e qual D. Sebastião. Agora apenas me concentro no onde, quando e como vou ver jogar a minha equipa... Chegada a hora do apito algo em mim se transfigura e me muda completamente, deixo a timidez de lado e uso da minha força interior para apoiar os meus bravos em mais uma batalha. Durante 90 min é a única coisa que sei fazer, e ainda assim, são actos inconscientes. Vem depois a paz, a chave que me liberta o pensamento da cela e que traz atado a si o entusiasmo pelo fim-de-semana seguinte! É este o meu fim-de-semana, é por ele que anseio durante todos os dias que me levanto. Dependo dele, e do que ele me dá, para sobreviver, tal como um viciado no tabaco depende dele para o seu bem-estar. Mas algo de estranho tem acontecido ultimamente. Desde à uns dias para cá que algo está errado. O pensamento foi cerrado, o nervoso miudinho já cá mora, mas passaram duas terças e nem sinal da cura para este estado de alma. Já por vários dias que desço a Rua de S. Martinho em direcção ao Estádio e... nada! Não há trânsito, não há carros estacionados em cima dos passeios, não há ninguém a envergar as cores vermelha e branca unidas como só nós Braguistas sabemos e amamos, não há nada... É tudo tão monótono e previsível como em qualquer dia da semana! Que fizeram com o meu fim-de-semana? Preciso dele para me sentir vivo, preciso da chave que me vai libertar o pensamento, preciso de sentir a paz dentro de mim...
E tu, tiveste fim-de-semana?

24.5.07

Ultimo apito


Apita o árbitro pela última vez esta época na Pedreira Mágica... O empate caseiro a uma bola associado ao resultado de um derby da capital classifica o Sporting de Braga na 4ª posição! À sua frente apenas se vislumbram os rotulados de 3 grandes pela imprensa nacional. Razão pela qual o Braguista enche o peito de ar e grita Braga, com o mesmo orgulho de quem vê a sua equipa a ser campeã. Aplaude efusivamente como forma de agradecimento a um grupo de bravos, que se debateu durante uma época inteira contra inúmeras contrariedades, para obter um lugar tão honroso como este... Nota, com pena, no rosto de alguns uma espécie de lágrima, que foge e desfoca a visão, por saber que certamente foi a última vez sentiu este símbolo ao peito como sendo seu. Já com os guerreiros, que o fizeram vibrar toda esta época, recolhidos aos balneários, e a maioria do público já a descer a Alameda do Estádio, o Braguista contempla toda a beleza que a Pedreira Mágica lhe oferece, e saltam-lhe à memória momentos ali vividos que lhe arrepiam todos os milímetros do corpo. Todos os golos marcados e a explosão de alegria criada a cada um deles, o calor humano mesmo nas noites mais gélidas, e todas as demonstrações de amor ao símbolo do clube, tudo isso é lembrado como uma retrospectiva não mais longa que trinta segundos. Apesar de toda esta alegria e euforia conjugadas num sentimento só, uma não menos sentida tristeza o assalta. A tristeza por saber que tão cedo não voltará a este mesmo estádio para ver o seu clube jogar...
Antes do regresso a casa, resolve festejar pelas ruas e artérias da cidade dos Arcebispos, a conquista do primeiro lugar entre os clubes de orçamento mais reduzido, e uma nova presença na Taça Uefa, porém depara-se por todo o lado com festejos de outra cor, mas isso não afecta a sua vontade de festejar, pois torna-se daltónico por instantes e tudo lhe parece festejar de vermelho e branco.
De regresso ao aconchego do seu sofá, aguarda ansiosamente por ver o golo do seu clube na televisão e ver na classificação final que no quarto posto figura o Sporting de Braga.
O tão aguardado momento já passou, a época já acabou, e agora é simplesmente um conjunto de resultados registados em forma de números. Para trás ficam noites e tardes de grandes alegrias, uma época de excelentes resultados, talvez a melhor de sempre, embora as exibições nem sempre tenham sido as melhores. Mas que importa a exibição se não conta para os registos? O que conta são os resultados... E esses é que vão ser lembrados e nos vão encher de orgulho nos próximos anos!
É hora do Braguista recolher ao seu ninho, repousar a cabeça na almofada e esperar pelo sono... Mas ele tarda em chegar, e não quer mesmo vir! O Braguista não prega olho, pois a sua cabeça não pára de pensar por um minuto que seja nos tempos que se avizinham. Mentalmente dolorosos e penosos. Durante cerca de dois meses e meio não irá sentir o prazer de ver o seu clube de coração jogar ao mais alto nível, no trabalho não irá defender o Sporting de Braga com unhas e dentes, pois não se vai falar de futebol até começar a nova época, nos jornais nacionais apenas vão sair notícias de transferências, dos jogadores que melhor defenderam o símbolo da camisola vermelha com mangas brancas para outros clubes rivais, quase todas elas criadas por jornalistas sem escrúpulos ou encomendadas para destabilizar o equilíbrio emocional desses bravos, e consequentemente enfraquecer a união dentro do balneário, notícias que criam um mal estar no Braguista que teme pela perda das suas mais valias. É totalmente massacrado pela invasão de tais inverdades... Resta-lhe ler a imprensa regional, que defende os interesses do seu clube e lhe abranda a azia... Tempos difíceis que irão surgir a cada nova aurora... Mas o Braguista aguenta, pois o amor que arde dentro dele pelo clube da cidade que o viu nascer, torna-o forte e capaz de suportar isto e muito mais, pois está para chegar uma nova época, cheia de coisas bonitas para fazer e jogos para apoiar, vibrar e vencer. É com este pensamento, vontade e confiança que o Braguista se irá levantar e deitar todos os dias...

16.5.07

Bracarense, Arcebispo, Arsenalista, Braguista


Todas as palavras, por mais pequenas que sejam, têm um significado. Algumas têm até mais que um significado podendo a mesma palavra ser aplicada em vários contextos. Acontece também o inverso, várias palavras significarem a mesma coisa. Com o passar do tempo certas palavras caem em desuso e surgem outras novas que aos poucos vão entrando no vocabulário de cada um de nós e vão fazendo cada vez mais parte do nosso dia a dia, vindo estes novos vocábulos fazer companhia, e por vezes substituir, os antigos, enriquecendo assim a língua. Certos termos existem apenas num determinado local, ou numa determinada sociedade (se lhe podermos chamar assim), não fazendo por isso parte do vocabulário oficial da língua. Exemplo disso é a palavra Braguista.
Desde a criação do Sporting Clube de Braga que os adeptos do clube eram denominados por Bracarenses. Esta designação deve-se ao facto de os habitantes ou naturais da cidade de Braga serem Bracarenses, nome atribuído devido à cidade ter sido fundada no tempo dos romanos com o nome de Bracara Augusta. Apesar de já não ser utilizado com tanta frequência, por vezes utiliza-se o termo Arcebispos quando se fala da comunidade em volta do clube, mais uma vez com a razão a ser atribuída à cidade que, por em 1112 ter sido doada aos Arcebispos, é também conhecida por Cidade dos Arcebispos. Porém outra designação têm, a de Arsenalistas, esta tem a ver com o facto de José Szabo ter sugerido um equipamento para o Sporting clube de Braga, à semelhança do utilizado pelo Arsenal de Londres (equipamento utilizado ainda hoje) ficando a equipa a ser conhecida por Arsenal do Minho e, consequentemente, os adeptos por Arsenalistas.
Muitos anos mais tarde, devido a uma grande parte dos Bracarenses nutrir um certo sentimento por um clube de fora da cidade que lhes pertence, surge a necessidade de criar um vocábulo que destinga aqueles que somente apoiam e amam o clube mais representativo da capital do Minho, daqueles que por algum motivo sentem algo por outro clube, ou ainda daqueles que simplesmente habitam ou são naturais da cidade de Braga. Com esta necessidade, nasce o Braguista, palavra que não existe no dicionário e é vulgarmente utilizada pelas pessoas a que se refere. O significado é muito simples, caracteriza uma pessoa que ama um só clube e que o defende até que as forças não o permitam mais, sendo esse clube o Sporting Clube de Braga. A palavra Braguista, é uma palavra relativamente nova, e que é mais usada e conhecida pelos frequentadores mais assíduos da Internet nos sites e fóruns que se relacionam com o Sporting Clube de Braga, apesar disso, está a tornar-se cada vez mais conhecida e mais utilizada entre a comunidade Bracarense. Está a ganhar estatuto e a começar a ser conhecida pelo “mundo fora”. Existe já uma associação constituída por este tipo de adeptos, a Associação Braguista! Brevemente iremos ser reconhecidos como apoiantes de um só clube e a palavra Braguista vai figurar no dicionário da língua portuguesa, iremos finalmente ser diferenciados e dar a conhecer ao poder centralizado que os Braguistas são de carne e osso, e não simples hologramas...
Enquanto este meu sonho não se realiza e este dia não chega, resta-me apenas dizer que, quer sejamos Bracarenses, Arcebispos, Arsenalistas, ou Braguistas o que importa é estarmos unidos e apoiar única e exclusivamente o Sporting Clube de Braga...


P.S.: O significado da palavra Braguista aqui apresentado por mim foi, uma vez que a palavra não existe oficialmente, criado por mim, sendo assim, uma mera sugestão pela maneira como eu a vejo e gostaria que fosse vista pelos outros, podendo estar totalmente errada!

11.5.07

Jewel - Hands

If I could tell the world just one thing
It would be that we're all OK
And not to worry 'cause worry is wasteful
And useless in times like these
I won't be made useless
I won't be idle with despair
I will gather myself around my faith
For light does the darkness most fear
My hands are small, I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
And I am never broken
Poverty stole your golden shoes
It didn't steal your laughter
And heartache came to visit me
But I knew it wasn't ever after
We'll fight, not out of spite
For someone must stand up for what's right
'Cause where there's a man who has no voice
There ours shall go singing
My hands are small I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
I am never broken
In the end only kindness matters
In the end only kindness matters
I will get down on my knees, and I will pray
I will get down on my knees, and I will pray
I will get down on my knees, and I will pray
My hands are small I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
And I am never broken
My hands are small I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
And I am never broken
We are never broken
We are God's eyes
God's hands
God's mind
We are God's eyes
God's hands
God's heart
We are God's eyes
God's hands
God's eyes
We are God's hands
We are God's hands



8.5.07

Mais um Domingo igual?


Manhã de Domingo, toca o despertador, dia de descanso para muitos, mais um dia de trabalho para outros, uma manhã a empregado de balcão para mim. Lá fora o sol ainda tem poucas horas de vida, mas já brilha com todo o seu esplendor. O céu, esse está limpo e azul, o que faz prever um magnífico Domingo. Poderia ser o porquê do sorriso estampado na minha cara e da felicidade que me preenche por dentro apesar da hora, mas não é, e por uma simples razão, logo á tarde há futebol na “Pedreira”, joga o meu clube, razão mais que suficiente para me fazer sorrir e renegar tudo o resto para segundo plano. Como não podia deixar de ser, visto uma camisola vermelha com mangas brancas e lá vou trabalhar. No curto caminho, encontro alguns conhecidos que me abordam e expressam a sua felicidade por logo irem ver jogar o clube mais representativo da cidade. Não é um hábito irem ao futebol, não por não gostarem de futebol, ou por apoiar outra equipa que não o Braga, mas porque nem sempre conseguem chegar ao fim do mês com mais de 1 euro no bolso... Já no local de onde devo estar até perto das 13 horas, reparo que as conversas giram todas em volta do jogo onde todos apenas esperam um resultado. Por entre as conversas lá consigo apanhar alguém a dizer que hoje vai levar a mulher e os 3 filhos ao estádio, outro que convidou uns amigos de fora de Braga para virem ao Estádio Municipal de Braga apreciar a sua beleza e ver o Sporting Clube de Braga jogar, outro ainda vai fazer uma surpresa à mãe (por ser o dia dedicado a ela) e levá-la ao estádio, ela que sofre sempre em casa agarrada ao relato que vai passando no rádio, mas mesmo assim torce por uma vitória do clube da cidade que a viu nascer. Todos levavam alguém pela primeira vez, e todos falavam em ir vestidos de vermelho. Do outro lado do balcão começo eu a sonhar em ver o estádio cheio e uma grande vitória do clube de todos nós, sonho prontamente interrompido pelo pedido de alguém. Em cada pessoa que vejo vestida de vermelho penso se também irá ver o espectáculo, mas não me atrevo a perguntar... O que é certo é que uma anormal quantidade de pessoas se veste de vermelho neste dia da mãe, ou talvez seja eu que estou mais atento a isso. Começa a nascer em mim, perto do estômago uma espécie de dor, é ânsia em chegar a hora do jogo... Olho para o relógio mas ele teima em andar devagar, muito devagar, nem um quarto de volta deu desde a última vez que olhei para ele... Após umas largas dezenas de clientes me terem dito que logo de tarde pode ser que nos voltemos a encontrar, o relógio lá faz o favor de dar umas voltinhas... Saio no fim do almoço para entreter o pensamento e tentar deixar de olhar para o relógio que voltou a abrandar o ritmo, ao contrario do meu coração, esse acelera cada vez mais. É inútil tentar distrair a mente de algo que amámos com tanta força, pois na minha cabeça só o jogo tem lugar agora. Continuo a reparar nas pessoas vestidas de vermelho e começo a reparar agora que muitas delas se fazem acompanhar de um cachecol, que não é para cobrir o pescoço do frio, que esse não se faz sentir, é para apoiar o clube cá da cidade. Todos se dirigem para o estádio, e eu, que já não aguento mais esta ânsia, sigo-lhes os passos. Hoje há uma movimentação anormal no mesmo sentido em que eu vou, algo de extraordinário se adivinha... Sento-me na cadeira de sempre ainda antes do habitual aquecimento das equipas, e olhando em volta, reparo que as bancadas estão já mais cobertas que no início de certos jogos. Sinto o primeiro arrepio ao imaginar as pessoas que ainda se dirigem para lá e ainda vão ocupar os lugares vazios, e começo a adivinhar uma enchente, um mar vermelho... Já mais perto do apito inicial reparo que nunca esteve tanta gente na Pedreira para apoiar o Braga! Para alguns este jogo tem um sabor especial, existe nele uma sede de vingança pelas duas derrotas sofridas este ano, contra a mesma equipa que hoje terá de lutar contra o apoio de cerca de trinta mil vozes de incentivo aos nossos bravos... É esta sede de vingança e esta vontade tremenda de vencer que me faz gritar golo com toda a força que conseguia, quando vejo pela primeira vez a bola a fazer abanar as redes da baliza contrária... Estava tudo perfeito até que perto do fim uma tristeza se aproxima de mim querendo estragar a festa, mas eis que, contra a crença de muitos dos presentes, um remate com fé, força, garra e vontade faz a bola beijar o fundo da baliza, faz erguer um estádio, faz matar a sede de vingança de muitos faz encher o coração de alegria de outros e faz-me perder a total noção das coisas de tal modo que dei comigo com uma grande parte dos músculos contraídos, um punho fechado de raiva, e um abraço forte a alguém que o merecia. Consigo inexplicavelmente abstrair-me de tudo isto, para durante cerca de dois segundos imaginar aquele jogo como sendo o jogo do título, aquele golo como sendo o decisivo e aqueles adeptos como sendo os normalmente presentes, apenas um arrepio ainda mais forte me faz voltar a mim e lembrar com um enorme desejo de concretização esse sonho... E assim foi mais um Domingo, mais um Dia da Mãe que tinha tudo para ser igual a tantos outros, mas acabou por ter tudo para ser diferente e marcante...

25.4.07

Passa o tempo fica o sentimento...




Enquanto pequeno fui criado através de um "molde" que me ensinou a gostar e a defender até não ter mais forças ou argumentos aquilo que, de certo modo, me pertence. Numa família de braguistas ensinaram-me a defender as cores do meu clube não só quando ele ganha. Mostraram-me que me devia sentir orgulhoso por ser adepto de um clube que mesmo não ganhando muito, me alegrava o coração só em vê-lo jogar. Na escola primária era olhado com espanto quando alguém me perguntava "De que clube és?", e eu orgulhoso respondia "Do Braga.", a pergunta seguinte, todos aqueles que como eu começaram de cedo a gostar, defender e apoiar em qualquer circunstância o que lhes pertence e não o que ganha mais, consegue adivinhar, "E que mais?". Parecia uma obrigatoriedade ser de um clube que já tivesse sido campeão. "Mais nenhum." respondia eu. Na maioria das vezes mesmo sem lhes perguntar acabavam por me dizer "Eu sou do X... mas também gosto do Braga...". Não compreendia o porquê de dizer que tinha outro clube, e sentia-me triste, triste por ficar com a sensação de que o meu clube tinha poucos adeptos verdadeiros.
Era raro na altura ver alguém a jogar á bola na rua com a camisola do Braga, mas eu jogava e vestia-a sempre que podia, mostrava o meu cartão de sócio e o meu cachecol a toda a gente, e sentia-me orgulhoso pelo que fazia, por mostrar a todos o meu braguismo... Sentia-me a criança mais feliz do mundo por domingo sim domingo não ir até ao 1º de Maio e exibir o meu cartão de sócio apenas por satisfação (pois não era necessário para entrar com aquela idade) a quem controlava a entrada.
Os anos foram passando, eu fui crescendo, as conversas foram mudando mas as perguntas e as respostas continuavam as mesmas, apenas os comentários dos outros consoante o resultado do jogo mudavam e algumas perguntas começavam a vaguear na minha cabeça. Sempre que o Braga fazia um bom resultado falavam comigo e referiam-se ao "nosso Braguinha", quando os resultados não agradavam abordavam-me referindo-se ao "teu Braga". Perdia a cabeça com isto, sentia a raiva correr-me nas veias como se de sangue se tratasse. Como era possível alguém se aproveitar do resultado de um clube e tirar sempre satisfação fosse qual fosse o resultado... Não havia sentimento verdadeiro, não havia sofrimento... Eram anos em que o Braga vivia de altos e baixos, em que se lutava uma época para ir á UEFA e na seguinte para não descer de divisão. Nestes anos conseguia-se distinguir perfeitamente, o Braguista sofredor e verdadeiro do "falsificado e oportunista". Sentia-me feliz por, embora sermos poucos Braguistas verdadeiros, não sermos confundidos com os que simplesmente iam á bola ou mesmo sem ir discutiam como se fossem...
Passaram mais alguns invernos, e eis que num verão se realiza um Campeonato Europeu que veio mudar muita coisa e apaixonar mais pessoas pelo futebol... Coincidência ou não, foi um ponto de viragem para o Braga, tornou-se um clube mais estável e mais forte, tornou-se num "Braga Europeu". Muitos, arrastados pela onda vitoriosa do clube da sua terra, decidiram segui-lo de mais perto, e esquecer um pouco o clube que até então os prendia á televisão, e começaram-se a auto-intitular Braguistas... Começaram a ir ao estádio, aos treinos, a comentar fóruns na internet afirmando sempre que o Braga sempre foi a paixão deles. Agora quando lhes perguntam o clube dizem "Do Braga" mas lá acabam por confessar, a custo "simpatizo por o X"... Apesar de se ter criado uma nova geração de verdadeiros Braguistas, são muitos os que se tornaram Braguistas falsificados e oportunistas, mas estes são agora mais difíceis de distinguir...
Época 2006/2007. Após uma série de épocas espectaculares, as melhores de sempre, vem uma época com alguma quebra, fica-se uns furos abaixo do esperado. O que acontece? Os Braguistas falsificados e oportunistas criticam tudo o que podem, presidente, treinadores, jogadores, horários de jogos e treinos, equipamentos utilizados, métodos de treino e tudo o que se possa imaginar, preferem assobiar em vez de dar apoio... Pois eles querem sempre mais para matar a sua fome... Na minha opinião, o verdadeiro Braguista, aquele que sofre, vê esta época como uma época menos boa (ou talvez não) que as anteriores mas mesmo assim de sonho, ½ da Taça de Portugal, mais jogos de sempre efectuados na Taça UEFA e um lugar na classificação que a 4 jornadas do fim nos permite sonhar e depender apenas dos nossos resultados para participar na próxima edição da Taça UEFA... O único sentimento de revolta deste Braguista é saber que está a ser confundido com alguém que não é capaz de sacrificar uma unha que seja pelo clube que diz ser adepto... Lembro aqui todos aqueles que, independentemente do resultado, ficam no seu lugar até o arbitro apitar pela ultima vez, todos aqueles que aplaudem quando a equipa perde, todos aqueles que foram esperar a equipa ao aeroporto no fim de um jogo para a Taça UEFA, não só quando ganhou mas também quando perdeu, lembro alguém que apesar de ser sócio preferiu comprar um bilhete de público do que ir embora porque a espera iria ser demorada para tirar bilhete de sócio e iria perder o principio do jogo, todos aqueles que lutam, assim, pela verdade e genuinidade clubistica. É por tudo isto que, olhando para trás e vendo-me naquela criança sinto um enorme orgulho e agradeço a que me ensinou a ser assim...