
Com o envelhecer e o passar dos anos, apercebemo-nos que na vida existem coisas pouco importantes, importantes, e muito importantes. Porém a nossa mente estúpida tem a inconsciente tendência de baralhar tudo isto! Frequentemente damos importância a coisas mínimas e esquecemos a importância das que realmente a têm, levando a um maior número sucessivo de erros, quer em actos quer em pensamentos! Magoamos o nosso interior, mas pior que isso, ferimos outras pessoas, e o tamanho das cicatrizes que se irão formar é inversamente proporcional à distância que essa pessoa está de nós, ou seja, quanto menor a distância emocional, maior o golpe! É certo que o fazemos sem consciência dos actos, mas fazemos, e não temos desculpa para isso, não deixa de ser um erro nosso! Há bem pouco tempo eram poucas as pessoas com quem eu me dava, com quem falava, desabafava, trocava opiniões, e como consequência disso aprendi a estar só e pensar comigo mesmo, mas sobretudo a desabafar com as lagrimas que iam distorcendo as estrelas que moram no céu que pinta o limite do horizonte da minha varanda e que manchavam as folhas dos pequenos textos que ia escrevendo! Descarregava ali toda a minha fúria! Deixei esse hábito durante vários dias, semanas, meses até... Pois encontrei alguém que me ouvia e ajudava. Mas um pormenor tinha escapado neste meu novo refugio. E se o meu desabafo tivesse relacionado com esse amor? Tinha de voltar ao meu antigo método de alívio pessoal. Foi isso que aconteceu na última semana, fui atirado para aqui por duas ocasiões! Precisava de pensar, de me encontrar comigo mesmo para ver onde falhei, deixar escorrer as lágrimas que me iriam ajudar a curar, mas apenas com a junção de ambos os métodos consegui chegar a uma conclusão! A parte do meu cérebro à qual cabe a função de distinguir a importância das coisas, não estava a trabalhar a 100%... Confundiu muitas coisas, esqueceu outras, e perdeu dados importantes para o equilíbrio e bem estar de tudo a que eu digo respeito. Enquanto possuía apenas um método de desabafo dos meus mais íntimos pensamentos e desejos, a escrita era a forma de não voltar a cair no mesmo erro e de mostrar a alguém aquilo que a boca não dizia quando por perto se encontravam os ouvidos dela. Apesar de o resto do corpo dar sinais, e dar a entender o que a boca abafava, ela continuava muda. Foi assim (na minha ideia) que ela me foi conhecendo melhor e sabendo como eu funcionava, de maneira a que nos conseguimos entender de tal forma a criar uma intimidade capaz de fazer com que a boca soltasse as palavras acorrentadas, com liberdade condicional apenas na escrita até então! Tinha sido criado um hábito, o de escrever para alguém, coisa que nunca tinha feito antes, ou pelo menos tão intensa e directamente... Por culpa da minha avaria cerebral, deixei que este hábito caísse em desleixo e fosse cada vez menos frequente, até ser erradicado por completo, e tudo por culpa minha, coisa que ela não merecia! Deixei que a minha fome de escrita fosse levada para outros campos e outras paixões diferentes. Por “umbiguidade” (mas errada e inconscientemente) deixei que se sobrepusesse em mim a preferência de ver uma criação minha publicada num jornal regional que fazer crescer um pouco mais de amor num coração que tanto bem me quer! Errei, e o erro trouxe-me a esta noite fria de Julho, como se tratasse de um sinal do quão frio eu tenho sido para quem me tenta aquecer a cada passo, devolveu-me o sabor salgado das lágrimas e as manchas no papel, mas também me devolveu a funcionalidade que precisava para me aperceber que não fiz o correcto e para tentar emendar! Fica por isso aqui escrito, que a minha vontade de voltar a mostrar que te amo, te quero, te desejo é tão grande como a minha vontade de voltar a ser tudo como era... Tristezas não pagam dívidas, e dúvidas não passam de meros obstáculos que são criados apenas para serem destruídos, por isso, a certeza de um sorriso na tua cara é o bastante para um igual nascer na minha e fazer crescer aquilo que aumenta o coração... Estou de volta à escrita, aquela que tu gostas! Só falta uma palavra para acabar: amo-te!!!