
Partiste novamente, com data prevista, hora marcada, e destino traçado... Não pensei que voltasse a sofrer com a distância, curta fisicamente, mas longínqua no que ao tempo diz respeito... Ano novo vida nova diz a sabedoria popular, mas este início de ano, apesar de novo, não está a ser muito justo. Separou-nos, apenas fisicamente mas separou. Levou de mim a maior parte do tempo que passava contigo. Tirou-me o inicio do dia, aquele passava junto a ti! Tirou-me o sorriso, aquele que te mostrava e aquele que a minha vista deslumbrava, quando te via sossegada, de cabeça encostada ao meu peito a dormir como se no paraíso estivesses e nada te pudesse perturbar, nem nenhum Deus tivesse força para apagar aquele quadro... Tudo isto me tirou o início de ano, e eu sozinho, deixei-me adormecer na esperança de te ter como parte do meu sonho. Não me lembro do que sonho, porque sonho, nem tenho a noção certa do que sonho, mas sei que, quando estou acordado, vêm-me imagens tuas à cabeça que me fazem desejar saber a continuação daqueles fragmentos sem qualquer tipo de ligação. Sei que são partes do sonho. Daquele que sonhei. É cada vez mais difícil ver-te quase só em sonhos. Sinto-me a ressacar e aqueles pequenos sopros do sonho não chegam para curá-la, quero mais, quero-te a ti, quero sentir-te novamente. Tenho um sentimento que me diz que será por pouco tempo e brevemente tudo regressará ao normal, mas isso não chega, e cada segundo que passa é uma eternidade que me moí. Dói ver-te todas as noites e não poder tocar-te, dói ler as tuas mensagens e não poder ouvir-te, dói desejar-te e não poder ter-te, dói lembrar o passado e sentir a diferença do presente. Sem forças capazes de fazer diminuir tamanha diferença, resta-me esperar pelo pôr do sol ainda que encoberto pelas nuvens, pela chegada das estrelas que não vejo, pelo acender dos candeeiros das ruas que embalam a minha cidade que se acalma e adormece, já deitado e de olhos fixos no tecto tenho mais um sopro com a tua cara a sorrir, um aperto no coração e uma lágrima marota mostram o quanto te amo, tento serrar as pálpebras molhadas pelo liquido que me salgou a cara, desejo sonhar contigo toda a noite, para ter visões tuas todo o dia, digo-te boa noite na esperança que oiças o meu grito mudo e adormeço... Não sei se vou sonhar, nem se me vou lembrar do que sonhei, nem sequer se vou sonhar contigo, mas adormeço na esperança de que quando acordar teres sido tu a me acordar...










