1.6.08

Guerreiros do Minho


Salve ó Guerreiro do Minho
Que de tão nobre Legião és!
Ergue-te por entre as cinzas,
E luta pelos que caíram a teus pés.
Depois de muitas batalhas perdidas,
Com suor, lágrimas e sangue derramado,
Encontras novamente o teu povo,
E novo Guerreiro por ele serás aclamado.
É tempo de reunir tropas e esquecer tristezas,
Pois grandes batalhas se avizinham,
Com muita fé e poucas fraquezas
Vencereis todos os que contra vós alinham.
Por entre a densa selva fareis trilho,
Tende força e agilidade.
A Pantera representa sarilho,
E não conteis com facilidade.
Seguireis o curso do rio
Para defrontar os Homens do Mar,
Aos da Trofa tirais-lhe o pio,
Pois tendes um Dragão para atacar!
Os arcos das Caxinas vão tremer
Ao sentir o vosso marchar,
O saber dos Doutores devereis absorver
Para a força Naval eliminar.
Espera-vos o VIII exército no Sado
São terras de muito sal
Munidos de canhões e armas ao lado,
Tereis de lutar de igual para igual!
Quando a fome vos apertar,
E nada mais houver de comer,
As Águias ireis caçar,
E delas vos defender!
Calareis os Velhos do Restelo
E à arena sereis deitados,
E sem medo nem apelo
Mostrais que até Leões podem ser domados!
Quebrai a Estrela que nada ilumina,
Entrai pelo mar em busca de algo novo,
Encontrareis a esquecida vida Felina,
E do Nacional quem se diz povo.
E quando pensardes que tudo acabou,
Começa uma nova e grande batalha
Foi El Rei de Espanha quem preparou,
E o terror pelo povo espalha.
Contra seus homens lutareis,
Até derrubares o castelo.
Mostrai-vos fortes e vencereis
Quebrando assim o último elo.
Proclamareis alto e bom som
Quando regressardes à vossa terra:
“Preparai festa com tudo de bom.
Finalmente ganhámos a guerra”...

25.5.08

Devaneio de um outro eu


Deito-me já tarde neste vale que me embala. É neste momento que atinjo um estado em que se torna possível escrever algo com nexo e sentimento. Não, eu não tenho qualquer tipo de dom da escrita, eu limito-me a, em certos momentos não programados, pôr em palavras escritas aquilo que sinto e que a alma transfigurada me dita. Devaneios autênticos de uma mente nunca satisfeita em busca da perfeição. Há já algum tempo que não actualizava o blog, não por falta de vontade ou inspiração, mas talvez por uma pergunta que me foi feita várias vezes (e para a qual não fui capaz de arranjar argumento suficiente) e pela lucidez de pensamentos se ter extraviado por entre a rotina dos dias. Talvez esta tenha voltado com a chuva que nos últimos dias tem caído sobre mim. Apenas hoje consegui atingir a velocidade de pensamento e sentimento necessária para que as palavras me saiam pelas pontas dos dedos à medida que pressiono coordenadamente cada tecla, velocidade essa que, ao contrário do que se pensa, é bem lenta. Uma velocidade que aos poucos me desliga os circuitos dos sentidos um por um, primeiro a audição que ignora o bater da chuva na janela, depois o odor que apenas consegue sentir o cheiro da calma, o paladar em seguida deixando-me a boca sequiosa, o tacto que faz com que eu apenas imagine que estou a escrever o que penso e por fim a visão que me apaga tudo o que me envolve deixando-me a viver num vazio escuro onde apenas sei que tenho o coração a bater, e o pensamento a comandar. É neste estado quase defunto que me encontro e em que tento encontrar resposta a tão difícil pergunta. Várias são as pessoas que por este blog passam e numa leitura na diagonal do que por aqui vou escrevendo põem em causa a originalidade de tais textos, e interpelam-me porque escrevo eu coisas tão tristes sendo eu na vida real totalmente o oposto, bem-disposto, carinha alegre, tentando sempre sorrir para receber um sorriso em troca. Não é fácil fazer as pessoas acreditar que eu também tenho problemas por resolver e obstáculos para vencer, e que tal como a água tento contorná-los em vez de enfrentá-los, é difícil de perceberem que no meio de tanta alegria tem de existir um espaço para a tristeza, para o desabafo. Foi com esse intuito que comecei a escrever. Escrevia para desabafar, para muitas vezes chorar sozinho e encontrar forças onde antes existiam lágrimas, e comecei a publicar para que alguém pudesse usufruir de um certo conforto ao ler, e não para me lamentar ou queixar! É extremamente difícil para mim explicar como consigo escrever, e o que consigo escrever, uma vez que é como se fosse outra pessoa que habita em mim que existisse para desabafar comigo mesmo e me levantar quando caio, como se tivesse outra cara dentro da minha cabeça, um pseudónimo, daí eu assinar como Nemec, nome que por mero acaso é também dado a umas correntes (correntes de Nemec) que servem de alívio à dor. É neste estado, sem sentidos, que me sinto ao mais puro eu, que fico cru, que me exponho como sou e não como finjo ser por vezes, poderia escrever sobre algo que fizesse rir ou pelo menos sorrir, mas seria sem sentimento, seria uma contradição do que sente o meu pseudónimo. Sei que são raras as pessoas que lêem de princípio a fim o que escrevo, por ser muito extenso torna-se maçudo de ler o que eu compreendo e respeito, mas não deixo de publicar por isso, porque não me importa o que os outros lêem pois são livres de escolher, apenas me importo em desabafar o que me fere, mata, ou simplesmente toca cá dentro, em devaneios nem sempre compreendidos mas sentidos. Quem sabe eu não sou capaz de acabar o livro que à muito comecei e mostrar finalmente aquilo de que sou capaz? Quem sabe se amanhã não será diferente? Mas como ainda não é amanhã, chegou a hora de desligar o que resta dos circuitos e esperar pela aurora...

9.5.08

O último dia... o dia do desabafo


Tudo o que começa tem um fim, assim diz a lei da vida, como tal, sei que amanhã será um dia triste para mim, será o dia do fim! Não, não se trata do dia do meu fim, nem a minha fotografia irá figurar nas páginas da necrologia, é o dia do fim da época, do último jogo, da última emoção. Vou pela última vez colocar o cachecol no pescoço e mostrar orgulhosamente, por esta cidade que é minha, o símbolo que me enche de orgulho o ser. Nas últimas épocas a vida do Braga corria de vento em poupa, chamou à atenção do país, e todos os habitantes de Braga diziam nutrir no mínimo um carinho especial pelo clube da “terra”. Sabia bem ouvir isso apesar de saber que em grande maioria se trava de uma tremenda falsidade, pois esses que na altura se diziam adeptos ferrenhos do Braga, em outras ocasiões gritaram golos de clubes distantes daqui, chamavam-me louco, tolo, anormal, doente, e um sem fim de coisas por sentir que o Braga era o maior mesmo quando não se falava nele. Nesta época que, para mim morre amanhã, o Braga ficou aquém das expectativas, e esses falsos Braguistas voltaram à carga. Desligaram-se de tal maneira do clube que o carinho que diziam nutrir se voltou a transformar em fome de vencer de um outro clube fora da região. Durante os jogos que o Braga não ganhava toda gente me conhecia, todos me gozavam, todos se riam na minha cara, todos falavam para mim, se por outro lado o Braga ganhava nem tema de conversa tinham. Por tudo isso, e para todos esses que me massacraram ao longo destes últimos meses deixo o desabafo:
- A todos aqueles que deixaram de ir ao estádio e diziam que assim castigavam os jogadores pois não os apoiavam porque eles não mereciam, digo que sinceramente eu não consigo, faltei a alguns jogos esta época por estar a trabalhar, ouvi o relato e sofri tamanha dor que por vezes parecia não aguentar, se os jogadores não sentirem apoio, não têm motivação para jogar logo não ganham jogos e saem os adeptos castigados. Ser Braguista é castigar os jogadores do próprio clube?
- A todos aqueles que me chamaram de tolo, doido, maluco digo, um tolo, doido ou maluco é alguém que faz algo que não tem lógica ou totalmente fora do contexto, e agora pergunto, apoiar e defender incondicionalmente o clube da cidade que me viu nascer é algo ilógico? Se assim é eu adoro ser maluco, doido e tolo!
- A todos aqueles que me chamaram doente por continuar a apoiar o Braga digo, uma doença diminui física ou psicologicamente o doente debilitando-o, não me sinto como tal, mas se por ventura se referem ao aspecto que eu um dia aqui referi de que era “Braguista” por sofrer de uma doença genética e me culpam por tal estão a agir mal, caso contrário tentem culpar o diabético pelo simples facto de o ser…
- A todos aqueles que se acham superiores, porque apoiam clubes melhor classificados deixo um apelo em nome de todos os que, como eu, se sentiram massacrados ao longo da época, deixem-nos estar, porque façam o fizerem o nosso clube irá ser sempre o Sporting Clube de Braga, é este clube que vamos sempre apoiar e é por ele que iremos sempre lutar, e chegado o dia de triunfar, irá saber melhor do que todas as conquistas por vós alcançadas.
Serei Braguista até ao meu último dia…até ao dia do desabafo

24.4.08

Sol molhado


Cinzentos os dias, as forças, o desalento,
As dores no corpo das feridas que carrego,
Abertas por pequenos nadas, mais de um cento,
Que como a chuva, caem em mim, e como um relâmpago,
Por entre a penumbra que subestimo, e sem qualquer preparo,
Como uma penitência que pago
Me golpeiam a pele e alma,
É triste com o que deparo!
Não sei da minha calma,
Talvez da chuva fugisse.
Se cá estivesse talvez uma porta me abrisse,
Com ligação ao céu celeste,
Onde em cada janela não figurasse,
O cinzento que se tornou peste,
E o Sol triunfalmente brilhasse.
Oh sol porque de mim fugiste?
O sorriso da boca me roubaste,
E aqui fiquei sozinho e triste,
Semblante carregado quanto baste,
Que transparece a dor que existe.
Por mais um dia eu espero,
Por um só raio que na janela bata,
Eu nada posso e apenas quero,
Sorrir para a tristeza que me mata!
Qual meu espanto quando amanhece,
Ao som de um belo canto,
O Sol me aparece.
De sorriso na cara me levanto,
Matando tudo o que me entristece,
Levando para longe tamanho pranto.
E com alegria na cara estampada,
Desejo um bom dia à minha amada,
Porque quem ama nunca esquece…

23.4.08

Para ler e reler do avesso


Faço parte de uma geração perdida
E recuso-me a acreditar que
Posso mudar o Mundo
Acredito que isto possa chocar mas
“A felicidade vem de dentro”
É uma mentira, e
“O dinheiro traz felicidade”
Por isso em 30 anos vou dizer aos meus filhos
Não são o mais importante na minha vida
Os meus patrões saberão que tenho prioridades definidas porque
É mais importante o trabalho não
A família
Digo-vos
Por vezes
As famílias reúnem-se
Mas não será assim na minha era
É uma sociedade sem sentimentos
Os entendidos dizem-me
Daqui a 30 anos vou celebrar o 10º aniversário do divorcio
Não me convenço que
Viverei num pais criado por mim
No futuro
Destruição ambiental será a norma
Nunca mais se poderá dizer que
Eu e os meus, preocupamo-nos com a Terra
Será evidente que
A minha geração será acomodada e doentia
É de doidos presumir que
Ainda existe esperança
E tudo isto será real a não ser que escolhamos revertê-lo

27.3.08

Paulo Gonzo (com Lúcia Moniz) - Leve Beijo Triste

Teimoso subi
Ao cimo de mim
E no alto rasgei
As voltas que dei

Sombra de mil sóis em glória
Cobrem todo o vale ao fundo
Dorme meu pequeno mundo

Como um barco vazio
P´las margens do rio
Desce o denso véu lilás
Desce em silêncio e paz
Manso e macio

Deixa que te leve
assim tão leve
Leve e que te beije meu anjo triste
Deixo-te o meu canto canção tão breve
Brando como tu amor pediste

Não fales calei
Assim fiquei
Sombra de mil sóis cansados
Crescendo como dedos finos
A embalar nossos destinos

Deixa que te leve
assim tão leve
Leve e que te beije meu anjo triste
Deixo-te o meu canto canção tão breve
Brando como tu amor pediste

Deixa que te leve
assim tão leve
Leve e que te beije meu anjo triste
Deixo-te o meu canto canção tão breve
Brando como tu amor pediste


24.3.08

Eu, o sol e... o cu!




Todos nós nascemos e iremos morrer um dia, é a ordem natural da vida. Nascer, crescer e morrer. Entre o nascer e o morrer temos uma imensidão de pequenas coisas que nos vão marcando e vão sendo escritas no grande livro da nossa vida. Cada pessoa escreve o seu próprio livro, onde contém todos os sentimentos e peripécias que vamos vivendo. As fazes boas, as fazes más, as lutas por um objectivo, as desistências… Ultimamente tenho reflectido bastante sobre que caminho dar ao meu livro, se devo fechar um capítulo, se o devo manter por mais algum tempo encerrando-o depois por outra qualquer razão, se valerá a pena arriscar por o ponto final para virar a pagina… Dúvidas que não se calam e me obrigam a pensar em todos aqueles que não as têm. Apesar da tenra idade que tenho, já muitas vezes escrevi no meu livro algo que não tinha projectado, que mudou o rumo da história, por acreditar em mim, por lutar pelos meus objectivos, por defender o que possuo, por todas as conquistas que vou conseguindo com sangue, suor e lágrimas, por procurar incessávelmente a perfeição inatingível por qualquer mortal, por querer ser especial sem dar nas vistas, por querer ser diferente, por querer ser eu… Uma luta diária, cansativa e dura mas que me faz encher de orgulho por tudo aquilo que sou e que tenho. Troquei a entrada na Universidade pela entrada no mercado de trabalho, lutei contra a vontade dos meus pais, professores e amigos. Por entre as batalhas diárias travadas diariamente no emprego lá fui conseguindo amealhar dinheiro para conseguir cumprir aos poucos os meus objectivos. Tirei a carta comprei um telemóvel, um portátil, um carro, consegui a independência necessária para sustentar os meus desejos. Sacrifiquei-me, chorei muitas vezes, revoltei-me contra mim e contra o mundo e deu-me vontade de desistir, mas lá fui conseguindo levar o meu barco, remando muitas vezes contra a maré, outras deixando-me ir à deriva, esforcei-me e consegui atingir alguns objectivos. De todas as palavras redigidas até agora no meu livro lembro várias que não deveriam figurar lá, entre elas a troca da electrónica pela metalomecânica. Mundos dispares, a que me tive de afeiçoar sem preparação. Ajudou-me a raiva transformada em força, e a necessidade transformada em vontade. Ainda continua a ser difícil ouvir das bocas de muita gente “Eu bem te avisei, ias para a Universidade…”, custa porque eles não sabem o que é a vida, não sabem o que é trabalhar porque assim tem de ser, trabalhar e parte do salário ser para a ajuda da família, trabalhar porque o dinheiro auferido vai fazer mais falta a alguém do que a mim, sujeitar-me a empregos e horários que muitos desempregados rejeitariam, fazer sacrifícios para poupar algum dinheiro para que ele estique até ao próximo fim do mês, eles não sabem… Não sabem porque têm a vida facilitada, ofereceram-lhes a carta no dia em que fizeram 18 anos, a prenda por ter passado no exame de condução é o carro com que eles fazem inveja aos amigos, falam com o pai ou com a mãe quando se esticam mais um bocado nos gastos da mesada e eis que nascem mais uns euros na conta, gastam com exagero porque nada lhes custa, sobem na vida porque o dinheiro é algo que se dão ao luxo de esbanjar, e gabam-se, gabam-se de boca cheia que são os melhores, que têm os melhores empregos (mas não dizem que foi uma “cunha”) não lutam pela vida, nunca lutaram e nunca vão precisar de lutar, nasceram com tudo, e isso é o que vão deixar quando morrerem, nasceram com o cu virado para o sol, e por muito que abanem ou escondam o sol vai estar sempre a brilhar no fundo das costas, mas eu não, eu nasci com o cu na sombra e tenho de lutar, tenho de chorar, tenho de sangrar para triunfar, mesmo não sendo reconhecido, mesmo não me sendo dado o devido valor, e por muito que procure o sol com o cu ele há-de fugir-lhe sempre. Mas no fundo tenho orgulho do que sou, tenho orgulho de todas as escolhas que fiz, tenho orgulho em ser eu e agradeço por não ter nascido com o cu virado para o sol…

18.3.08

"O Pedro e o sonho" - A concretização


Cumpri o prometido. Levei o “Pedro” ao estádio, que orgulhosamente vestiu o cachecol do Braga. É difícil encontrar palavras que descrevam todos os momentos que quer eu, quer ele vivemos. Saltou, gritou, apoiou o Braga como nunca antes tinha feito, sentia-se a criança mais feliz do mundo. Apesar de não saber o nome dos jogadores, sentia-se um felizardo por poder vê-los ali tão de perto e ver que mesmo eles parecendo algo diferentes de todos os outros humanos, são no fundo pessoas como qualquer um de nós. Ele imaginava-os maiores, como se fossem Deuses, como se não reparassem que estavam ali milhares de pessoas a torcer por eles por serem tão importantes, mas não, ele sentiu que afinal são pessoas como ele, quis aprender os cânticos e tudo o resto, sentiu-se bem por estar ali no meio de toda aquela festa, sentiu-se em casa, sentiu-se Braguista!
Há quem diga que não há felicidade maior que ver um sorriso de uma criança, mas eu digo que há, é simplesmente inexplicável a sensação de realizar o sonho de um miúdo e sentir a felicidade que dos olhos lhe saía… Já em minha casa e enquanto jantava-mos, ele contava eufórico aos pais e à irmã como tinha sido o dia mais feliz da vida dele. Uma lágrima marota quis fugir, mas prendi-a no canto do olho, deixei-me embalar pelo momento e sorri ao mesmo tempo que me senti realizado, senti que nasceu mais um Braguista e a confirmação veio logo a seguir quando a irmã, mais nova do que ele, lhe atirou “Eu sabia que tu ias virar a casaca…”, e ele com o sorriso que não conseguiu disfarçar o dia todo respondeu que “Desta vez é diferente, até tenho um cachecol e tudo! Agora vou ser sempre do Braga”. Já o sol dormia à muito quando me despedi dele, apertou-me a mão com força, olhou-me nos olhos, e eu vi nos dele um brilho ofuscante, e um sorriso maravilhoso e gratificante, não resisti, abracei-o e disse-lhe um simples mas sentido obrigado. Ele ficou confuso pois obrigado era o que ia dizer, e eu é que agradeci, agradeci por me ele me ter deixado feliz e agradeci por ele sentir que o meu clube também é dele, agradeci pela felicidade que a sua criou em mim. Ele foi embora, ainda de cachecol ao pescoço, e eu senti-me feliz por realizar o sonho de um menino… E assim nasceu mais um Braguista, que no que depender de mim, será para sempre…

13.3.08

O Pedro e o sonho




O “Pedro” é um menino ainda, mora na aldeia, e estuda na pequena escola primária da sua freguesia nos arredores de Braga. Adora futebol, e no intervalo das aulas, todos os dias joga “à bola” com os poucos amigos que lhe servem de companhia nas aulas. Em casa, já sem os amigos, imagina no muro uma baliza como as que apenas na televisão viu até então. Não tem clube favorito, e confessa que quando diz que é sportinguista , diz apenas para fazer o pai feliz, pois ele também o é! Nascido no seio de uma família com poucos recursos, nunca entrou num estádio, e apenas viu o do Braga… por fora! Gostava de um dia entrar num estádio, ver como é, aprender todas as regras que no recreio da escola não se utilizam, saber o que é fora-de-jogo, saber porque é que a barreira não fica só a três passos do sítio onde foi marcada a falta, saber o que é uma claque, porque não se sentam, porque estão sempre a cantar, todas as curiosidades de um miúdo, que ainda nem fez 8 anos, acabado de chegar a um mundo totalmente novo. No último fim de semana expliquei-lhe que eu era braguista (palavra que ele desconhecia), que ia ver muitos jogos e já fui a muitos estádios, tentei explicar-lhe que mesmo quando o Braga perde eu continuo a gostar dele. Embalado pelo entusiasmo de mostrar o quão realizado e feliz me sinto em ser braguista, esqueci-me do sentimento que estava a provocar no miúdo, esteve sempre calado enquanto me ouvia com atenção e estranhei a ausência de perguntas por parte dele. Quando deparei com tal silêncio parei de falar. O miúdo olhou para mim com ar abatido e os olhos a brilhar e disse-me: “ Um dia, já há muito tempo, ainda nem tinha pedido as prendas ao Pai Natal, fui a Braga e passei perto do estádio. Estava a estrada cheia de carros, muitas pessoas com cachecóis e eu perguntei ao meu pai porque estava ali tanta gente, e ele disse que era por jogar o Braga, como eu gosto de futebol pedi-lhe para irmos ver. Ele parou o carro e foi até onde se compra os bilhetes, quando veio entrou no carro e disse que não podíamos ir porque os bilhetes eram muito caros. Nesse dia fiquei triste, e a partir daí, imagino-me no recreio da escola e aqui em casa a jogar no estádio do Braga, no meio daquelas pessoas todas a gritar. Por causa disso na quarta-feira tive um sonho. Enquanto estava a dormir sonhei que tinha um cachecol do Braga e um bilhete para ir ver o jogo e estava a ir para o estádio, mas depois acordei. Gostei muito daquele sonho, mesmo tendo acordado antes de entrar no estádio. Mas foi só um sonho. Como o meu pai não tem dinheiro para comprar os bilhetes não posso ir. Quando eu for grande, vou trabalhar muito, para poder ir ver um jogo de futebol!”. Continuei calado com um aperto no peito e uma lágrima ao canto do olho enquanto olhava a cara dele. Não consegui dizer mais nada e apenas sorri para disfarçar a dor, ele pegou na bola e foi marcar mais golos contra o muro. Esta semana soube da possibilidade de um sócio do Braga com cadeira anual poder obter um ingresso. Vou buscar o bilhete, comprar o cachecol e realizar o sonho do pequeno “Pedro”. Sei que ele vai ficar feliz, sei que nunca se vai esquecer deste dia e sei que de hoje em diante será mais braguista… Quantos Pedros existem por aí à espera de concretizar o sonho? Quantos novos braguistas estão a ser criados?

12.3.08

Clã - Sexto andar

Uma canção passou no rádio
E quando o seu sentido
Se parecia apagar
Nos ponteiros do relógio
Encontrou num sexto andar
Alguém que julgou
Que era para si
Em particular
Que a canção estava a falar

E quando a canção morreu
Na frágil onda do ar
Ninguém soube o que ela deu
O que ninguém
estava lá para dar

Um sopro um calafrio
Raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio
Numa simples canção

Uma canção passou no rádio
E quando o seu sentido
Se parecia apagar
Nos ponteiros do relógio
Encontrou num sexto andar
Alguém que julgou
Que era para si
Em particular
Que a canção estava a falar

E quando a canção morreu
Na frágil onda do ar
Ninguém soube o que ela deu
O que ninguém
estava lá para dar

Um sopro um calafrio
Raio de sol num refrão
Um nexo enchendo o vazio
Tudo isso veio
Numa simples canção

Uma canção passou no rádio
Habitou um sexto andar