17.11.11

Não deixes cair mais


Escorre, salgada, fria, agreste…
Como a despedida
E o último beijo que me deste.
Mas não apaga a dor sentida
Nem tira o aperto do peito.
Continua a escorrer no seu leito
Cara abaixo, a lágrima triste
Caindo na mão que ternamente abriste
Para guardar um sopro de mim
Junto ao teu coração doce
Onde por agora só guardas esse frenesim
E desejas que o dia de regresso já fosse.
Mas ainda não o é…
E ainda nem sequer fui, mas…
Quando voltar vou estar ainda mais próximo de ti
Para te contar as histórias que vivi
Passar um bom bocado contigo,
Que eu cumpro sempre aquilo que digo,
Até deixo-te uma lembrança,
Um abraço enorme e um beijo sentido,
Vou, mas volto na esperança
De saber curar esse coração ferido…

15.10.11

A vontade da telha


E se a telha estiver partida?
Se recusar encaminhar água
Para o caleiro como fez toda a vida?
Tem o direito de se achar perdida,
De não mais querer ser telha
Por achar-se já velha,
Queimada pelo sol, que lhe bateu durante anos,
Roída pela água que encaminhou para os canos.
Desgastada de uma vida dura
Onde ninguém lhe encontra cura.
Com vontade de deixar as demais,
Deixar de ser pouso de pardais
E simplesmente nada fazer,
Apreciar um dia o amanhecer
Gozar a vida até ao anoitecer…
Permitirá o telhado tal desejo
Gerado pela telha num breve ensejo?
Sem ela o telhado não tem valor,
Fica oco, sem alma, perde a cor…
Acorda a telha em sobressalto
Com a água que cai lá do alto,
Jura nunca mais querer
Ao telhado não pertencer,
Enche-se de força e consegue gritar
Para que a ouçam além, no mar:
- Poderei para sempre ser velha
Mas orgulho-me de ainda ser telha,
A ti que de pedras tens as mãos fartas
Só te rogo que não me partas!

22.9.11

Vento


Subi à mais alta montanha!
Queria ver-te, tenho saudades.
Puxei pelas minhas habilidades
E tentei decifrar tudo o que olho o apanha.
Não te consegui ver, estás distante.
Desanimei e sentei-me nas flores a meus pés
Contei-lhes tudo, disse-lhes quem és,
Disse-lhes o que sinto, o quanto és importante.
No meio da conversa tentou meter-se o vento
Com seu ar forte e valentão, ia soprando
Ia-se fazendo de desatento,
Mas chamava-me fraco e suspirando
Pedi-lhe um enorme favor,
Pedi-lhe que te entregasse um beijo
Doce, ternurento, meigo, cheio de amor,
E te dissesse que ver-te neste ensejo
Era o meu maior desejo.
Poder sussurrar-te o quanto te quero,
Acalmando-te prometendo que por ti espero
Como se estivesses ao virar da esquina,
É assim que vou sobrevivendo,
Enganando a mente que também desatina,
Enganando um coração que resiste à dor
Anestesiada pelo teu amor.
Depressa o vento forte se comoveu
E o seu ar agreste desapareceu,
Amainou e ouvi-o prometer
Que te entregaria o meu pedido
Numa leve brisa ao amanhecer.
Um beijo, um carinho e um amo-te sentido…

Parabéns!



Pediste-me que fizesse um poema
Anunciando o teu aniversário,
Respondi que pegaria nesse tema
Adicionaria mais um poema ao diário.
Busquei as palavras ideais,
Enfeitiçadas pela tua alegria,
Nascidas entre os meus dedais,
Sentidas com alguma nostalgia.
Palavras não há para igualar
A prenda que tu merecias,
Um inteiro recital te queria dar.
Lamento por apenas te desejar um
Aniversário muito feliz…

20.9.11


Há uma nova remessa de 50 livros pronta a ser distribuida por quem os desejar. A quem não conhece, é uma edição com alguns dos melhores textos publicados aqui no blog ao longo dos últimos 5 anos.

3.9.11

Não é justo esconder

Deixei-me levar pelas notas de um piano, que me foram batendo uma a uma no peito. Leves, meigas, doces… suaves… Lembraram-me de ti, mas não me mataram a falta que me faz o teu carinho. Cansei-me de te esconder em emaranhados de palavras, em textos sentidos pelo coração mas nem sempre fazendo sentido para quem os lê, cansei-me de joguinhos com letras. Não é justo esconder o que arde cá dentro, o que de mais bonito podemos ver nascer e sentir, o que mais queremos preservar e queremos fazer durar. Não é justo guardar só para mim a vontade de gritar o que sinto por ti quando na verdade quero gritar mais alto que tudo e todos.  Parei para pensar em como somos tão estúpidos ao ponto de não dizermos que amamos alguém porque temos medo, medo que nos achem ridículos, medo que nos achem inferiores e frágeis, mas na verdade desejamos com todas as forças ouvi-lo da boca de alguém, num sussurrar sentido ao nosso ouvido, numa voz tremula, meiga e doce, num palpitar de um coração que quer sair do peito, num esvoaçar de ideias que nos fazem sentir as pessoas mais felizes do Mundo. Não acredito que alguém não seja assim… Se queremos ver um sorriso na cara de quem amamos porque não lhe dizemos? Porque não lhe baralhamos os sentido e não lhe pomos o coração aos saltos? E se não houver amanhã? Um dia não vai haver, e vamos querer voltar a um ontem que nunca vamos poder, por isso te digo hoje o que há muito tempo alguém incompreendido chamou de fogo, por isso não te escondo neste texto. Podia dar-te uma flor, podia dar-te a maior das extravagâncias, mas não, nada disso é suficiente, é o Mundo que quero conquistar para ti. Não sei ainda quando estarei do outro lado desta bola que chamamos planeta mas prometo-te que volto, volto por ti, e trarei o outro lado do Mundo que prometi dar-te… Até lá quero apenas lembrar-te do que me enche a alma, me acalenta o coração, me alimenta o sorriso. Porque mesmo não sendo Carnaval não levas-te a mal que dissesse que te amo. Não te vou chamar de flor, nem de borboleta, ou outra coisa qualquer para te esconder, chamo-te de Joana e digo por isso que te amo…

3.8.11

Recuso-me acreditar

Um sorriso que se perde nos dias
Que passam e deambulam por nós
Sem razão, deixa a dor nas noites frias
Pela falta do calor de sua voz.
Dói estar tão consciente da realidade,
Atravessa-se na garganta o grito mudo
Que não acredita em tamanha atrocidade,
Que não vê nisto o fim de tudo.
É impossível não te ver mais!
Tira-me a lágrima que me tomou de assalto,
Acredito que verei teus risos e gestos banais
Quando procurar por ti amanhã, bem lá no alto…
É mentira tudo o que me dizem
Acreditar é impossível, não dá!
Custe o que custar, por mais vontades que deslizem,
Sei que te vou encontrar, por isso, até já…

2.8.11

À espera do recomeço

Sinto no peito algo que não defino.
Não por não querer, mas por não ser capaz,
Por não me sentir suficientemente audaz
E quando tento explicar sai algo sem tino.
Sinto bolas, sinto golos, sinto abraços,
Explosões de alegria que me seguem os passos.
Tenho sonhos, tenho ilusões,
Tenho a crença que ainda seremos campeões
Se para baixo não nos empurrarem
Os senhores que no futebol mandam,
Para se satisfazerem e se vangloriarem,
Mas que ao longe a vigaristas tresandam.
Temos de lutar contra esta espécie,
Unidos e com as nossas armas prontas,
Deixar de lados as batalhas tontas
Entre aqueles que a nós pertencem
E que apenas de algum fervor carecem.
Se somos família dentro da muralha
É contra os de fora nossa batalha.
Contra quem nos destrói o sonho
E esses sei que não são Braguistas,
Por esses ponho as mãos no fogo
Pela certeza de serem bairristas.
Para a nova época estamos prontos
Derrotaremos quem nos acha tontos,
Até não poder-mos mais, iremos marchar!
Quem comigo se vai alistar?

30.7.11

Floresce

Floresce, abre-te a um mundo
Que é nosso, sente o sol
Que te aquece o sentimento profundo.
Sente o que te dou, morde o anzol
E deixa-te ficar à minha mercê.
Não te irei magoar, quero apenas ajudar
A curar as feridas que só o coração vê.
Deixa-me cuidar dessa dor agreste
Que te tolhe por dentro
E te esconde o sorriso que antes deste.
Deixa-me acariciar-te cada pétala
De onde brota um perfume sem igual
Deixa-me mostrar-te que tem cura esse mal
E que podes voltar a sorrir,
Podes voltar a florir.
Deixa bater fortemente o coração.
Ele aguenta toda essa azafama
E não dará sinais de exaustão,
Porque bate com paixão,
Apaziguado com carinho
Pelo suave tocar de uma mão,
Trémula, meiga e doce,
Tal e qual a sensação
Que em mim nasceu numa primavera,
Ao sentir teus lábios, teu doce mel,
Impossível descrever num papel.
Voltar a senti-lo, ai quem me dera!
Agora mesmo, sem preconceitos,
Sem importar o que o relógio chama
Porque o meu coração não só bate,
O meu coração apaixonou-se, ele ama…

15.7.11

Outro Mundo

Preciso criar um mundo só meu
Sem árvores, mas com raízes,
Sem rostos felizes
Apenas com desconhecidas caras
Que me tragam à memória as aparas
Da vida que vou deixando para trás,
Para que me volte a sentir capaz
De fazer nascer um sorriso
Sem que para isso seja preciso
Soltar uma única palavra bacoca.
Usando apenas o olhar
De uma visão que se vai tornando oca
Afogada pelo lacrimejar,
Salgado, frio e brusco,
Com falta do mimo que em ti busco
Para apaziguar a dor que me mói
Que por vezes duvido se realmente dói,
Ou se é apenas o chamar das palavras
Com vontade de saírem da jaula
Onde vivem aprisionadas
E que todos chamamos de mente,
Um cérebro que por muito que tente
Se sente fora do mundo,
E a vontade dele lá no fundo,
É apenas de criar um sonho
Onde escolho quem lá ponho.
Todos precisamos de um mundo assim,
Um para nós, um para ti, um mundo para mim…