Mais
um comprimido de Malarone e mais um dia pela frente. Muito pó de cimento
inalado, muito cansaço físico e psicológico e um desgaste que já custa a
recuperar. Mas nem tudo é mau, o sorriso do indiano a quem ofereci algumas
moedas de euro para a sua colecção, compensou em parte, uma outra parte foi
compensada com a surpresa ao almoço, PIZZA! Sem caril nem especiarias malucas,
simplesmente pão, com tomate e queijo crocante, que delicia, soube-me pela
vida. Ganhei ânimo para a tarde e ao jantar nova surpresa, FRANGO, duro como
borracha e pequeno como uma perdiz mas estava saboroso, e misturado com a massa
do costume fez-me sentir bem. Mais uma caneca de chá a ferver e vamos lá
experimentar a internet. Não tenho acesso ao facebook, mas tenho ao email e
tenho Superbraga, tenho ao blog para actualizando as aventuras e tenho ao
youtube para ouvir musica. Mais importante é mesmo fazer videochamadas para os
de casa de quem já sinto saudades. Por falar em saudades tenho de me lembrar de
não as voltar a mencionar em conversas, ontem fiz-te chorar…
23.11.11
22.11.11
Diário da Índia - Dia 4
Hoje
perdi oficialmente a noção dos dias, não sei se é segunda, terça, quarta ou
nenhum destes, estou perdido! Mas lembro-me sempre do que comi ontem e
anteontem e no dia anterior, isto porque foi sempre massa. Os indianos não são
todos iguais mas há alguns que nascem com uma espécie de cola, colam-se a nós e
oferecem-nos todas as mãos do mundo para ajudar, que no caso, sendo tantas só
servem para estorvar. É simplesmente impossível trabalhar com eles, é
impossível fazer seja o que for com alguém de queixo colado no ombro, que me
segura na chave de fendas quando eu estou a rodá-la, que me segura na mala ao
mesmo tempo que eu, que me faz sentir o seu bafo a caril de tão colado que esta
a mim, gritei em desespero “SE METESSES A MÂO NO CÚ PAH!”, ao que parece que
entendeu e retirou a mão, mas por breves momentos, uma questão de segundos… é
impossível fugir deles, e quando te escondeste, ele escondeu-se contigo… Além
disso começo a ficar chalado…
21.11.11
Diário da Índia - Dia 3
Depois
de forrado o estômago com um belo de um pequeno almoço, preparei-me
psicologicamente para um dia de trabalho longo e com obrigação de ter um
rendimento mais elevado devido ao inesperado atraso no início. Ora se bem o
imaginei, mais mal ele corria. Descobri que em toda uma cimenteira existe
apenas uma máquina de furar que eu posso utilizar, cuja, tem a servir de
extensão dois cabos presos com fita isoladora junto da ficha. Por azar o broca
que trazia agarrada era 2 mm mais pequena que o que eu necessitava, sendo assim vamos
lá arranjar outra… mas não há! Então compra-se. E lá foram comprar, voltam 2h30
depois com uma broca de furar ferro… troca-se… só se trabalha de tarde… Isto é
muito difícil estar no meio do nada! Como se não bastasse tenho dois moçoilos
de turbante na cabeça, que me faz uma impressão enorme, literalmente colados a
mim, estão sempre a menos de 50cm de mim, mal consigo respirar, e não consigo
perceber o que dizem porque enfiam “erres” em tudo o que é palavra, são piores
que os de Setúbal! Continuo a esperar por melhores dias. Ah! Hoje jantei bem.
20.11.11
Diário da Índia - Dia 2
Só
hoje com a luz do dia consigo perceber onde realmente estou. Rodeado de
montanhas muito próximas de mim, e numa montanha mais baixa que todas as
outras. As estradas que se serpenteiam pelas encostas fazem-me perceber o
porquê da demora para cá chegar. Da montanha onde eu vivo (leia-se durmo) consigo
ver a montanha onde a fábrica está plantada, e entre estas duas montanhas
existe uma outra montanha onde fizeram um túnel para melhor a atravessar. Ao
contrário do que parece estou em linha recta a pouco mais de 2 quilómetros! A
curiosidade deste túnel, é que mesmo escavando toneladas de pedra o túnel foi feito
cheio de curvas. Após a reunião onde se acertaram alguns pontos, fez-se a
visita ao (futuro) armazém para desembalar tudo e pegar no material necessário
para iniciar a obra. À hora de almoço recebemos informação que estão a passar
uns cabos para os nossos quartos que nos permitirão ter internet, a ver vamos
se é verdade, o cabo já cá está dentro pelo menos. Foi melhor esta notícia que
o almoço em si, estava demasiado picante a massa. A tarde começou com um
protesto dos camionistas que fecharam a entrada e a saída da fábrica com dois
camiões, o que atrasou tudo, “furado” este protesto a tarde arrastou‑se e
arrastou-se e eu senti-me cada vez mais fraco, fruto das saudades e das falhas
na alimentação. Por entre um idioma que
não percebo e um inglês muito mal expresso lá chegou a hora de jantar e de
comer uma massa melada mas já sem picante. Não é saborosa, mas a ideia de ser
algo que me dá energia faz-me ter vontade de a comer. A internet ainda cá não está, mas o sono já
cá morava, hora de dormir e sonhar com um dia bem melhor amanhã.
19.11.11
Diário da Índia - Dia 1
À chegada a Deli já não estranhei a
maioria das coisas, como o chão alcatifado, os militares armados, a má
disposição dos funcionários que controlam as entradas no país, o cheiro, a
chapada de ar quente e húmido, 20º perto das 2h da manhã... nada disto me soou
a novo. Depois de recuperada a bagagem enviada no Porto, procurei a porta que
pela manhã, bem cedo, me cederá passagem para o avião até Chandigarh. Encontrei
a porta e julgava ter encontrado numa espécie de “bancos-cama” o local ideal
para dormir cerca de 4 horas, mas estava errado, não consegui nem 10 min. A
televisão muito alta com o teclado bloqueado e a luz muito forte que mesmo de
olhos fechado me fazia confusão obrigaram-me a ficar acordado até de manhã,
cada vez mais cansado. Lembro-me de andar a arrastar os pés por sentir que
estavam cada vez mais pesados, e se calhar até estavam, o pé torcido voltou a
inchar, e de que maneira. Foi então sem dormir que fui ao encontro do avião
que, ao contrário do que eu esperava, não estava munido de dois poderosos
jactos mas sim de duas hélices a fazer lembrar um avião de combate da 2ª grande
guerra. Entrei e pude constatar que por dentro o avião não tinha melhor aspecto
do que por fora. Avisaram depois todos os passageiros que a descolagem foi
adiada por existir muito nevoeiro no aeroporto de Chandigarh. Novo aviso e novo
adiamento… só à quarta o avião se fez à pista, do outro lado do aeroporto por
sinal e já eu tinha descansado os olhos um bom par de minutos. Da viagem em si
só me lembro do quase fim e do fim, o que separa isto do inicio foi passado de
olhos fechados. O quase fim resume-se a uma tentativa falhada de aterrar o
avião, segundo o comandante não havia radar e o denso nevoeiro não o deixou
identificar a pista, pelo que se aceleraram os motores e se foi dar a volta ao
avião. Depois de aterrar e de um duche rápido num hotel próximo, tapei o buraco
com parte de uma pizza e fiz-me ao caminho até aos Himalaias. Não imaginava eu
que estava tão longe. Já da outra vez me fascinou a perícia com que se conduz por
aqui, sem grandes regras, mas hoje tive a prova cabal de que é preciso muito
sangue frio. Foram quilómetros a fio percorrido entre curvas e contra-curvas,
sempre com ultrapassagens do outro mundo e que não lembra a ninguém. O que é
certo é que cheguei à fábrica de Baga inteiro, numa só peça, e já é hora do
jantar. Se calhar já me tinha esquecido de como era a comida por cá, mas ao
entrar no refeitório, o cheiro intenso a caril e pimenta que me entrou pelo
nariz dentro, rapidamente me fez lembrar todos os sacrifícios. Hoje foi massa,
mais picante que o normal, amanhã logo se verá. Tudo a postos para começar o
trabalho. São 16:24 em Braga, 22:04 em Solan, Índia, e eu vou tentar repor as
energias gastas na viagem, vou dormir.
18.11.11
Diário da Índia - Dia 0
É novamente bem cedo que me faço à
aventura. Afinal a caminhada não será assim tão diferente da última, apenas
alguns pormenores mudam. Ia o sol a meio do seu sono quando me despedi dos que
cá ficaram, levando comigo o nó no peito de recordação, ainda assim, obrigo a
que em mim reine a boa disposição, numa tentativa de tornar tudo menos
doloroso. Não sei se por mero acaso, por infelicidade ou por “vontades” de
alguém que desconheço, as coisas não começam da melhor forma e a meio da fila
para a revista da passagem à zona de embarque oiço o meu nome ser chamado nos
altifalantes do aeroporto, estava atrasado e estavam já a fazer a última
chamada… Ultrapassou-se esse pequeno problema e lá entrei no avião, com lugar
reservado na última fila, junto do corredor. Lembro-me bem do avião ter
levantado, mas a certa altura o peso nos olhos era tanto que fui obrigado a
cerrar as pálpebras, ainda que não seja considerado dormir. Dormir dentro de um
avião é tarefa impossível, uma vez que, para mim, dormir implica descansar.
Chegado ao gelado povo alemão, procurei a
porta de embarque, ainda fechada, que me levará a Deli, procuro depois um local
para almoçar, desta feita o McDonalds para
que me lembre de quando foi o última vez que a carne fez parte da minha ementa.
Regressado à porta de embarque, reparo que me acabaram de marcar um lugar em
executiva com o nome de Jacob Xavier… Alguém quer que fique por aqui e que não
embarque rumo à Ásia. Apesar da senhora do balcão da companhia aérea Lufthansa
não ter ficado muito convencida de que o meu nome não era Jacob, lá me deu o
bilhete certo, sentado entre um indiano com cerca de 30 anos e uma indiana bem
mais velha, com cerca de 60, no corredor do meio do avião. Desta viagem
lembro-me apenas de alguns tópicos, lembro-me de passar grande parte do tempo
de olhos fechados, lembro-me da primeira refeição, frango com batata, lembro-me
da dor de costas terrível e lembro-me do desespero que começo a sentir por não
poder descansar e dormir em condições, custou imenso fazer a viagem, mas lá se
fez e cá cheguei… Olá Deli!
17.11.11
Não deixes cair mais
Escorre, salgada, fria, agreste…
Como a despedida
E o último beijo que me deste.
Mas não apaga a dor sentida
Nem tira o aperto do peito.
Continua a escorrer no seu leito
Cara abaixo, a lágrima triste
Caindo na mão que ternamente abriste
Para guardar um sopro de mim
Junto ao teu coração doce
Onde por agora só guardas esse frenesim
E desejas que o dia de regresso já fosse.
Mas ainda não o é…
E ainda nem sequer fui, mas…
Quando voltar vou estar ainda mais próximo de ti
Para te contar as histórias que vivi
Passar um bom bocado contigo,
Que eu cumpro sempre aquilo que digo,
Até deixo-te uma lembrança,
Um abraço enorme e um beijo sentido,
Vou, mas volto na esperança
De saber curar esse coração ferido…
E o último beijo que me deste.
Mas não apaga a dor sentida
Nem tira o aperto do peito.
Continua a escorrer no seu leito
Cara abaixo, a lágrima triste
Caindo na mão que ternamente abriste
Para guardar um sopro de mim
Junto ao teu coração doce
Onde por agora só guardas esse frenesim
E desejas que o dia de regresso já fosse.
Mas ainda não o é…
E ainda nem sequer fui, mas…
Quando voltar vou estar ainda mais próximo de ti
Para te contar as histórias que vivi
Passar um bom bocado contigo,
Que eu cumpro sempre aquilo que digo,
Até deixo-te uma lembrança,
Um abraço enorme e um beijo sentido,
Vou, mas volto na esperança
De saber curar esse coração ferido…
15.10.11
A vontade da telha
E se a telha estiver partida?
Se recusar encaminhar água
Para o caleiro como fez toda a vida?
Tem o direito de se achar perdida,
De não mais querer ser telha
Por achar-se já velha,
Queimada pelo sol, que lhe bateu durante anos,
Roída pela água que encaminhou para os canos.
Desgastada de uma vida dura
Onde ninguém lhe encontra cura.
Com vontade de deixar as demais,
Deixar de ser pouso de pardais
E simplesmente nada fazer,
Apreciar um dia o amanhecer
Gozar a vida até ao anoitecer…
Permitirá o telhado tal desejo
Gerado pela telha num breve ensejo?
Sem ela o telhado não tem valor,
Fica oco, sem alma, perde a cor…
Acorda a telha em sobressalto
Com a água que cai lá do alto,
Jura nunca mais querer
Ao telhado não pertencer,
Enche-se de força e consegue gritar
Para que a ouçam além, no mar:
- Poderei para sempre ser velha
Mas orgulho-me de ainda ser telha,
A ti que de pedras tens as mãos fartas
Só te rogo que não me partas!
22.9.11
Vento
Subi à mais
alta montanha!
Queria
ver-te, tenho saudades.
Puxei pelas
minhas habilidades
E tentei
decifrar tudo o que olho o apanha.
Não te
consegui ver, estás distante.
Desanimei e
sentei-me nas flores a meus pés
Contei-lhes
tudo, disse-lhes quem és,
Disse-lhes o
que sinto, o quanto és importante.
No meio da
conversa tentou meter-se o vento
Com seu ar
forte e valentão, ia soprando
Ia-se
fazendo de desatento,
Mas chamava-me
fraco e suspirando
Pedi-lhe um enorme
favor,
Pedi-lhe que
te entregasse um beijo
Doce,
ternurento, meigo, cheio de amor,
E te dissesse
que ver-te neste ensejo
Era o meu
maior desejo.
Poder
sussurrar-te o quanto te quero,
Acalmando-te
prometendo que por ti espero
Como se
estivesses ao virar da esquina,
É assim que
vou sobrevivendo,
Enganando a
mente que também desatina,
Enganando um
coração que resiste à dor
Anestesiada
pelo teu amor.
Depressa o
vento forte se comoveu
E o seu ar agreste
desapareceu,
Amainou e
ouvi-o prometer
Que te
entregaria o meu pedido
Numa leve
brisa ao amanhecer.
Um beijo, um
carinho e um amo-te sentido…
Parabéns!
Pediste-me que fizesse um poema
Anunciando o teu aniversário,
Respondi que pegaria nesse tema
Adicionaria mais um poema ao diário.
Busquei as palavras ideais,
Enfeitiçadas pela tua alegria,
Nascidas entre os meus dedais,
Sentidas com alguma nostalgia.
Palavras não há para igualar
A prenda que tu merecias,
Um inteiro recital te queria dar.
Lamento por apenas te desejar um
Aniversário muito feliz…
Subscrever:
Mensagens (Atom)











