10.5.12

Há dias



Há dias em que as palavras me faltam,
Dias em que o azar teima em rimar com destino
E me levam a um total desatino,
Dias em que à franja os nervos me saltam.
Tremem-me as mãos, esvanece-se  a visão,
Turvam-se os sentidos, aperta-se o coração.
Dói este desalento que me corrói
Dói pensar, dói agir, dói ferir…
Dói… Sei que não mata, mas sei que mói…
Há dias em que as palavras são demais,
Melhor fora se estivesse calado
E a flor não tivesse secado
Com palavras, palavras a mais...
Há dias em que o telemóvel não liga,
Em que a máquina do café não é amiga,
Fica-te com o troco e nem a bebida adoça,
Há dias em que um arranhão parece uma mossa.
Há dias que não me apetecia ter
E dias que eu nem queria ver,
Há dias que me roubam o querer
E dias que nem dias deviam ser…

28.4.12

Porque nós... nós estamos sempre lá!


É fácil criticar quando tudo corre mal, é fácil mostrar o desagrado  perante uma derrota, é fácil apontar as culpas aos outros, é tão fácil esticar um dedo para a frente! Mas se gostam de coisas difíceis, ao esticarem esse braço em frente abram a mão, e gritem BRAGA com toda força, gritem até as cordas vocais pedirem clemência! Aguardem, aguardem a resposta que vem do outro lado e sintam o calorzinho tão bom que vos cresce na barriga. É uma doença gostar do Braga eu bem sei, mas é uma doença tão boa… A equipa perde e nós perdemos com a equipa, mas se não formos nós a puxar por ela quando ela está em baixo quem o vai fazer? A época está a acabar, tivemos momentos muito bons, momentos menos bons, mas o futebol é isto, é golos, é vitórias, é alegrias e sorrisos, é festa, mas também é derrotas, é erros, é lágrimas, é falhanços. Devemos aceitar, compreender que nem sempre as coisas correm bem e continuar a apoiar, a lutar contra tudo e contra todos, a mostrar que somos diferentes, que somos nós, que temos identidade, que somos capazes de organizar arruadas e cordões humanos, somos capazes de as organizar e de participar nelas com muito orgulho e carinho, somos capazes de envergar uma camisola do Braga por puro prazer em dias que não há jogos. Nós sonhámos e lutámos para atingir os mesmos sonhos, mas a mim, sempre que não realizo o sonho só ganho mais força para voltar a tentar. Apesar de tudo fizemos história este ano, nunca nenhum de nós tinha festejado 13 vitórias seguidas por exemplo. Com todas as contrariedades que tivemos, com todas as mexidas no plantel e com uma estrutura de futebol que começou este ano um projeto do zero, conseguimos fazer um brilharete. Não vamos baixar os braço, temos raça, temos valor, NÓS CONSEGUIMOS PORRA! Vamos apoiar a equipa que tantas alegrias nos tem dado, vamos apoiar o clube que guardámos no coração. Vamos a estas duas finais com toda a garra e poder na certeza de que os insultos e os assobios não nos levam a lado nenhum, e que a cair cairemos de pé. Ontem aconteceu algo que talvez pouca gente tenha dado valor, mas que para mim valeu muito. No intervalo cantava-se “Quando tu entras em campo…”de cachecóis bem abertos, com a voz de quem ama o clube. Ia a música a meio, e apita o árbitro para o início da 2ª parte, o que acontece? Quem sente, quem entende, não se senta, não fecha o cachecol e não se cala. Canta até ao fim porque ama o que faz! Mostrámos a nossa força, a nossa raça, o nosso valor! É lindo, arrepia, é o futebol, somos nós os Braguistas, porque na vitória e na derrota nós estamos lá, nós estamos sempre lá...

6.4.12

Paixão em dias cinzentos


Cinzento o dia, cinzento a alma.
Sim sinto a tua falta,
Falta da voz que me acalma,
Falta do coração que me salta
Instintivamente por te ver o sorriso.
É nada mais do que preciso,
Um sorriso que me acalente
Que me obrigue a ficar contente,
Me faça fervilhar o sangue nas veias
E me prenda eternamente nas tuas teias.
Deixar-me-ei ser por ti devorado
Num tortuoso prazer tão real,
Nascido do gesto mais banal
Que me faz sentir amado, apaixonado…
Ah a paixão… aquele sentimento
Que não conseguimos desenhar,
Que nos faz voar ao sabor do vento
E que por vergonha teimámos em negar.
Que parvos nós somos,
Culpando os outros por sermos atingidos
Quando a jeito nos pomos
Das garras dos amores desmedidos.
Sejamos felizes, vivamos a paixão,
Deixemos de lado a vergonha
De exibir um sorriso onde antes existia uma fronha,
E de felicidade rebolemos no chão!
Sabe tão bem, quem não gosta afinal?
Quem nunca sonhou para sempre ser feliz?
Mostrem a vossa paixão, façam um sinal
E escutem, não a boca mas o que o coração diz…

2.4.12

Afinal o que é o futebol?


Afinal o futebol para vocês é o quê? Riem-se de mim se vos disser que futebol para mim é uma doença? Dói-me o peito de tanto sofrer na bancada, os dedos roídos sangram pedindo clemência, a concentração foge-me sempre que penso num símbolo, no símbolo do Sporting Clube de Braga, a voz, essa já cá não mora, mora a rouquidão no seu lugar, pois não me canso de cantar, não me canso de gritar e não me canso de sentir… Sentir o Sporting Clube de Braga percorrer-me as veias, sentir os punhos bem fechado e bem erguidos a cada golo, cantar em uníssono o que afinal os une, este amor, esta paixão, esta doença… Não se riem de mim? Então bem-vindos ao meu clube, pois sei que tal como eu se arrepiaram, tal como eu viram um qualquer golo do Sporting Clube de Braga enquanto liam, tal como eu leram com calma para melhor apreciarem o prazer que sentiram. Tal como eu são doentes, pertencem a uma legião de doentes, mas não somos doentes da bola, somos doentes pelo Sporting Clube de Braga, sonhamos com bandeiras, cânticos e palmas, orgulhámo-nos de cada página da história e recordamos com uma lágrima ao canto do olho e um arrepio por todo o corpo a entrada da nossa equipa, a equipa da nossa cidade, os Gverreiros do Minho no Aviva Stadium… Sofro por ti, passo a semana a pensar no próximo jogo e chegada à hora aperta-me o estômago, nasce aquele friozinho na barriga que me desatina o pensamento, que me mantem vivo, que me dá luz e que eu tanto adoro. Sou drogado e a minha droga é o Sporting Clube de Braga, não quero reabilitação, quero morrer assim, dependente, doente, mas feliz… Feliz por pertencer à melhor família do Mundo, onde dentro de um estádio se constroem laços que nem derrotas podem desfazer. À chuva, ao frio, percorremos quilómetros, fazemos sacrifícios, queimámos a pele debaixo de um sol tórrido, somos doidos, mas sorrimos! Cortam-nos as pernas, cortam-nos as tarjas, mas não nos cortam a voz e fazem-nos crescer a alma! Estamos cá para o que der e vier, estamos cá para gritar até sem ficarmos sem voz. Estamos cá para lutar sempre, um Gverreiro não desiste, não se esconde e as únicas lágrimas que verte são de orgulho e de alegria. Este é o meu futebol, que me tira o ar, me morde nos dedos, me faz abraçar toda a gente. É o lado bonito do futebol, o único lado que devia existir… Não te rias de mim, conta-me o que é o futebol para ti!

17.3.12

Mundo Complexo

Às vezes perdemo-nos na complexidade do que afinal é tão simples, tão básico, tão natural. O Mundo não foi desenhado por nós nem para nós, porquê tentar mudá-lo? Porque não nos afeiçoamos nós a todas as suas características? Se a primavera demora um ano a chegar porque queremos sempre apressar o desabrochar das flores? As coisas bonitas levam tempo a ser construídas, a crescer, a amadurecer. Por muita vontade que tenha em comer fruta, se ela estiver verde nunca me vai saber a fruta madura… Se o que é bom demora tempo espero que o dia de amanhã o seja, porque esta noite parece querer ficar para durar. A noite e a incessante, incansável e intermitente vontade de desistir, de descrer em grande parte do que começo. Não acredito nas coisas que faço, não tenho fé que valha a pena. Desisto por me sentir incapaz, desisto por não saber o que estou afinal a fazer, desisto porque uma nuvem negra insiste em tapar-me o sol. Porque não sou capaz de escrever quando preciso? Porque não o sei fazer quando é suposto? Quem me entala as palavras e a tranquilidade necessária para que a inspiração nasça dentro de mim e brote os amontoados de letras que esperam de mim? Toda esta complexidade é afinal muito simples: não posso escrever quando os outros querem, não sou talhado para isso, não o sei fazer. Acabaram-se as experiências, acabou-se a oportunidade, simplesmente não consigo, perdi-me na complexidade…

16.2.12

O piano e a lágrima que não cai



Embala-me o piano, em batidas leves que fortemente me tocam no coração dorido. Prendo a lágrima com algemas e deito fora a chave. Dói-me a garganta de um nó que não desata e aperto a língua contra o céu da boca, faço força, cerro os punhos, dói-me, não me queixo… É a única vez no dia em que o consigo fazer. As pernas geladas não me bloqueiam o pensamento, mas antes o fizessem. Para que buraco fundo vou eu outra vez? Gosto do embalo que me dá o piano, gosto das notas que me obrigam o corpo a reagir, mas não gosto da dor que hoje me trazem, não gosto da fúria e da raiva que tenho hoje comigo. A voz que acompanha o piano traz-me o desalento, a vontade de desistir, a vontade de ficar parado, olhar a lua, sentir o frio roer-me os ossos, perder-me na imaginação de não pensar em nada, voltar a ser criança, reaprender a rimar… Oiço até à exaustão. Não tenho vontade de fazer nada, por isso espero… Espero que alguém me encontre e sei que me vão encontrar. Não estou escondido, estou só quieto, mas continuo aqui, à espera, contando até três, porque quero ser feliz. É assim que ela canta, é assim que eu oiço, é assim que me dói e é assim que eu não choro.

15.2.12

Porque te amo


Apetece-me ser apaixonado
Tal como me apetece dizer que te amo
Sem qualquer acto profano
Que na mente humana possa ser criado.
Apetece-me beijar-te,
Sentir dos teus lábios o doce travo,
O palpitar forte que no peito te cravo
Com carinho, com ternura, como se fosse uma arte.
Apetece-me sentir o teu abraço
E toda a paz que ele me oferece,
A ternura do teu regaço,
Aquele calor que me aquece.
Apetece-me ficar a lado
Como se o mundo não existisse
Sentir-me desejado, sentir-me amado,
Como se a cada dia um novo amor se abrisse.
Apetece-me tudo isto e muito mais,
Ir contigo sempre mais além
Tenho força para derrubar vendavais,
Para enfrentar o futuro que aí vem.
Apetece-me… deixa-me que te diga,
Apetece-me as borboletas na barriga,
Apetece-me o ternurento beijo que me aquece…
E eu só faço… só faço aquilo que me apetece…

Alívio


- Não tinhas o direito de o fazer. Não sei quem és, mas não te queria dar o direito de o fazer. Fizeste-o sem olhar para trás, e se o fizeste é porque podias. É injusto e não aguento esconder mais. Não consigo esconder mais a raiva por trás do sorriso, o olhar perdido, o sentimento de vazio, o eco dos gritos abafados na garganta. Podias ter avisado, podias ter feito alguma coisa… Podias ter-lhe poupado a vida… Não te apeteceu, e em mim puseste a raiva, a vontade de cerrar os punhos e gritar até que as artérias se mostrem na garganta. Não penses que me ganhas, deste-me um valente soco no estômago, criaste um fosso entre mim e o mundo para eu cair lá, mas não o vais conseguir. Eu não quero e não deixo que isso aconteça, deste-me força para seguir, deste-me força para resistir… Não sei quem és, não sei onde estás, sei que desta vez vai doer e sei que não me vais ganhar! Estás a ouvir-me? Julgas que a felicidade é pura ilusão? Vou mostrar-te o contrário. EU VOU VENCER! EU SOU CAPAZ!

- CALA-TE!

- Não me metes medo com o estremecer do chão. Quem és tu? Mostra-te! Responde-me! Vais fugir-me outra vez? FALA COMIGO! COBARDE! NÃO ME VAIS DERROTAR, NÃO DEIXO QUE O FAÇAS!

8.2.12

Não sou doido por cachecois...

Não tenho de me justificar, nem tenho de dar contas a ninguém do que faço, mas sinto uma necessidade de explicar o porquê da colecção de cachecóis, o porquê de continuar a aumentar o número de exemplares. Confesso que tenho uma paixão por símbolos, por emblemas e sempre me fascinaram os cachecóis de futebol. Por mero acaso, nas deslocações do Sporting de Braga, comecei a trocar cachecóis do meu clube com os adeptos da equipa da casa, foi por aí que começou a colecção. Uma vez que não existe número de exemplares definidos, defini eu que coleccionaria os cachecóis das equipas adversárias do Sporting de Braga. Nas equipas portuguesas a vida foi-me sendo facilitada a cada jogo fora que o Sporting de Braga fazia, quanto às equipas estrangeiras, que em tempos ou mais recentemente o Sporting de Braga defronta nas competições europeias, é mais difícil adquirir os cachecóis dessas equipas. Assim sendo, facilita-me a vida a Internet. Coloquei os meus cachecóis na Internet, e visitei inúmeros sites de outros coleccionadores com cachecóis que me interessavam.  Não conhecia ninguém, mas a verdade é que fiz inúmeros amigos. E digo amigos porque o são na verdade. Troco cachecóis com os mais variados países da Europa. Da vizinha Espanha à França, da Itália a Inglaterra, da Grécia à Rússia, passando pela Holanda, Roménia, Alemanha e Israel, da Bulgária à Eslováquia e até da Eslovénia à Ucrânia. Espalhados pela Europa estão pessoas de diferentes clubes, diferentes etnias, diferentes credos, mas sempre com a mesma paixão por cachecóis, por futebol e pelo fair-play, pela amizade. É inexplicável o sentimento que tenho sabendo distribuo cachecóis do Braga (e não só) pela Europa fora, que recebo encomendas do outro lado da Europa, onde alguém como eu, tem prazer e gosto por aquilo que faz. Contudo, o contacto não se resume a troca de cachecóis. Oferecem-se presentes, trocam-se ideias, fala-se de jogos antigos, de jogos recentes, fala-se da família, do estado do país e do estado do Mundo.  É esta união, é este grupo, United Scarves Collectors, que me faz continuar a contactar com todos eles, a trocar cachecóis e não só. Sinto-me bem com isso, não sou doido por cachecóis, não os tenho num sitio onde ninguém pode tocar, qualquer um pode lá ir, tocar neles, abri-los, vê-los, não é algo que guardo com a vida. Conseguem imaginar como um simples pedaço de pano com um símbolo pode levar dois desconhecidos a encontrarem-se num qualquer país? É como ter um amigo para ir ver num país que visitamos pela primeira vez. Assim fez o Simon Moses, Israelita, aquando da sua visita a Portugal. Visitou Braga e o nosso estádio num desvio à sua passagem pelo Porto, porque lhe falei da cidade e do clube. É a amizade que nos une, os cachecóis são só um pretexto. Que o diga o Mark Nienhaus, adepto do Shalke 04, alemão e com dois filhos, o mais novo tem uma babete com o símbolo do Braga, porque o pai assim desejou. Não me julguem por ter muitos cachecóis, façam um esforço para perceber o gozo que isso me dá… Deixem de me chamar doido, de me chamar viciado, recuso sê-lo…

28.1.12

Sem sentido


Repetem-se as explosões de ideias.
Faminto de as concretizar
Sinto o apetite correr-me nas veias
Sinto o sangue a queimar
Como a lava laranja de um vulcão,
Espessa, quente, forte,
Devastando tudo sem perdão,
Espalhando o terror, semeando a morte.
A morte que em mim são das vontades,
Dos pensamentos, dos impulsos.
Afinal porque me invades,
Se depois me apertas os pulsos?
Deixa-me deitar água na fervura,
Limpar a mente insana,
Beber da água mais pura,
Sentir o odor que o Mundo emana.
Quero acalmar todas estas ganas,
Voltar apenas a escrever com sentido,
Ser o que afinal tu proclamas,
Ir em busca do sorriso fugido.
Que se me rebentem as artérias
De tão forte bater o coração,
Por se acabarem as misérias
Se crie em mim uma explosão.
Que se acabem as drogas que me alimentam,
Que me desvairam e me tiram o juízo,
São elas que estas ideias fomentam,
As que me correm no sangue sem aviso.
Apetece-me, correr de pernas atadas,
Gritar amordaçado,
Esbracejar de mãos amarradas
E se estou livre, apetece-me ficar parado…