3.10.10

Diário da Índia - Dia 10

Domingo, dia de folga, não para toda a gente. Eu trabalho, só de manhã e num ritmo mais baixo que já começa o cansaço a ser muito é certo, mas trabalho. No fundo sinto-me a trabalhar sempre que não estou a dormir, porque os temas de conversa acabam sempre por acabar no trabalho. Preciso de descanso, preciso de algo que me alivie este stress constante, estas pressões pequenas que todas juntam se tornam numa grande. A conversa com amigos era o ideal, mas sem Internet e com um acesso limitado ao telefone não se torna fácil comunicar com os que me são chegados e estão agora tão longe. Vou por isso tentando fazer amigos por aqui, pelo menos para durarem no tempo em que cá estou, sei que nunca mais os vou ver no dia em que partir, mas por estes dias é a eles que me lamento, e com eles que me animo, é com eles que alivio, apesar da língua ser uma entrave há sempre uma maneira de nos exprimir-mos. Escrever já não chega para aliviar as saudades, os telefonemas sabem a pouco, e eu sinto falta de coisas tão básicas que as diferenças de cultura não me dão, mas cá me vou aguentando. Numa tentativa de me distrair e esquecer todo este enorme reboliço de sentimentos, tive neste fim de tarde um jogo de futebol, ou pelo menos algo parecido com isso, um jogo divido por nacionalidades, de um lado 3 portugueses, do outro 4 indianos, o resultado nada importa, até porque na Índia o futebol não é um desporto comum, e eles nem a as regras sabiam, um deles foi a primeira vez que jogou futebol e sentiu-se extremamente feliz por ter marcado um golo! Valeu a pena este tempo passado a dar umas boas corridas e uns valentes chutos na bola, deu para aliviar. Talvez fosse esta a parte mais interessante deste fim de tarde, não fosse o que se passou a seguir extremamente insólito. Fui convidado para ir até à cidade, e lá fui eu, porque oportunidades de sair aqui da fábrica não são muitas. Na volta, o condutor do carro conseguiu infringir a lei mais vezes que uma ambulância do INEM em marcha de urgência, conseguiu andar em contra mão de máximos sempre ligados mesmo quando vinha alguém de frente, sem cinto (coisa que por aqui ninguém usa), a falar ao telemóvel enquanto segurava uma garrafa de cerveja de 1,5l na outra mão! E andam os polícias em Portugal a passar multas de estacionamento nos carros que excederam o tempo do parquímetro…

Sem comentários: