1.12.07

O meu Braga - Bayern




Sim, é verdade, eu falhei o jogo da época do meu clube do coração. O meu Braga a defrontar uma das melhores equipas a nível Europeu e respeitada por esse mundo fora, no dia em que faço 21 anos, e eu não fui até à pedreira... Difícil de acreditar para quem me conhece, mas é a realidade. Não foi o preço dos bilhetes, nem o frio, nem a transmissão na televisão, nem mesmo uma possível festa de anos que me afastaram do estádio. Foi o horário de trabalho, que não me deixou ir ao estádio. Uma televisão era um sonho no meio de tantas máquinas, mas era impossível conciliar ambas as coisas, no entanto, o relato do meu rádio de bolso não me impedia de continuar a laborar normalmente. Todos aqueles que já ouviram o relato de um qualquer jogo de futebol do seu clube, sabem bem o quanto irritante, stressante e enervante é ouvir o relato de um jogo com este carácter... Tive de me sujeitar a tal pressão tentando imaginar o que era relatado, tendo por isso (talvez) sentido o jogo de maneira um pouco diferente...
Faltam ainda 15 minutos para o jogo se iniciar, mas já não consigo aguentar mais e vou buscar a minha fonte de esperança, coloco o phone no ouvido o mais rápido que posso para saber notícias vindas do estádio. “Será um jogo que tem tanto de difícil como de histórico para o Braga. O Bayern é um colosso e não irá facilitar, apesar disso tem a pressão do seu lado e o Braga poderá aproveitar isso e com o apoio do público poderá num golpe de sorte não sair derrotado no jogo de hoje...” Eram as primeiras notícias vindas de Dume, e no fundo espelhavam o que eu pensava embora eu tivesse a esperança de receber uma prenda de aniversário via rádio. Seguiram-se os onzes inicias e a entrada das equipas em campo. Os nervos não param de aumentar e ansiedade já cá anda no meio dos tornos a tentar apanhar-me. “Eu aqui quietinho e o Oliver Kahn a entrar, olhou para mim, e não imaginam a sensação, eu não sabia onde me meter, o homem mete medo. Só a presença dele em campo pode intimidar os avançados do Braga...” – enquanto o comentador da rádio transmitia esta frase um arrepia percorreu-me o corpo todo ao ouvir cerca de dez mil almas a incentivar o Braga. Vai começar o jogo e a pulsação já não baixa tão cedo! “Joga o Braga pela direita e é Jorginho que transporta a bola, sai o cruzamento...aparece Vandinho cabecear... (o coração parou repentinamente, o peito apertou-se todo, fico imobilizado) e a bola a sair ao lado, excelente oportunidade do Braga se adiantar no marcador...” Volta o coração a bater e abro o punho que se tinha cerrado. Eu nem queria acreditar que o Braga assustou o Bayern! Após alguns calafrios provocados por ataques dos bávaros chega o minuto vinte, e o resultado mantém-se como começou. Está-se a aguentar bem o Braga, pensava eu na altura, mas de repente “Linz ganha bola na área, excelente oportunidade, remata Linz... (e enquanto aperto o punho direito contra a palma da mão esquerda ouço o público Bracarense a gritar golo, todo arrepiado e completamente fora de mim, formo um grito igual no fundo da minha garganta que é interrompido pelo caminho) e o árbitro a anular o golo por possível falta de Wender sobre um contrário. Nas imagens televisivas não parece ter existido qualquer falta...” Nem queria acreditar que o Braga tinha marcado um golo limpo ao gigante Bayern que o arbitro se encarregou de anular. Começo a ter cada vez mais fé na tal prenda. Mais um punhado de ataques do Bayern, e mais uns cortes na minha mão, porque a limalha não perdoa distracções, e concentração é coisa que me foge por entre os dedos neste momento... Últimos dez minutos da primeira parte e três jogadas excelentes que poderiam ter dado golo para o Braga, primeiro Linz não toca na bola, e de seguida dois remates de Wender que apenas Kahn conseguiu travar, valeu-lhe a experiência. Vem o intervalo e a certeza de que o Braga se estava a debater de igual para igual num jogo entre David e Golias...
Depois de ter conseguido baixar o ritmo cardíaco lá começou a segunda parte. “Klose completamente solto com a baliza à sua mercê nem queria acreditar nas facilidades dadas pela defensiva arsenalista e ainda hesitou antes de atirar a contar para o fundo das redes...” Não acreditava ele nas facilidades, nem eu no que estava a ouvir. Que balde de água fria... Tinha já perdido as esperanças da prenda quando me chega ao ouvido “Wender encontra uma linha de passe para Linz, envia-lhe a bola, Linz desvia o defesa que acaba por escorregar sem falta, pode marcar o Braga, remate cruzado de Linz... (não consigo descrever a sensação com exactidão, sei que deixei de ouvir os tornos a trabalhar, senti o coração a acelerar, agarrei com firmeza a peça que tinha na mão, cerro com toda a força a outra e os dentes, e ouço o mais belo grito saído da “gruta” como pano de funda voz do relatador) ...é golo!!! O Braga empata a partida, o Braga joga bonito, o Braga merece...” Grito tão ou mais alto que as máquinas a trabalhar, sinto os músculos todos a contraírem ao mesmo tempo de maneira que me sentia capaz de levantar com a força de braços todas aquelas toneladas de ferro que compõem um torno. Sensação indiscritível a vivida... Mais uns cartões amarelos, mais umas jogadas de luxo, mais uns remates no jogo e mais uns cortes nos meus dedos, mas já nem sinto dor... “Ao que o Braga jogou aqui esta noite merecia, sem a menor dúvida, sair daqui com os três pontos. Foi uma equipa valente, jogou futebol bonito, deu espectáculo, encostou o Bayern às cordas, olhou-o olhos nos olhos, sem medos nem receios. Foi um Braga que demonstrou ser merecedor da alcunha carinhosa dada pelos adeptos, foi o verdadeiro “Enorme”...” Ao fim de ouvir isto só posso dizer que tive pena de não poder ter ido ao estádio, foi difícil ouvir o relato e sentir o coração próximo do ataque cardíaco mas acima de tudo que sinto orgulho em ser Braguista e que a prenda chegou via rádio...

29.11.07

Mais um 29 de Novembro




Faz hoje, exactamente 200 anos, que a Família Real Portuguesa partiu em direcção ao Brasil com o objectivo de escapar às inimigas mãos de Junot, o general francês a quem Napoleão Bonaparte confiou a primeira invasão a terras de Camões.
Pode o primeiro parágrafo ter bastante importância na história do meu país, pode até ser alvo de estudo nas aulas de História, mas para mim, existe algo que ultrapassa tal importância, algo bem mais recente... Não é estudado na escola em disciplina nenhuma, nem sequer é merecedor de tal. Apenas me diz respeito a mim, e por tal, já é de estrema importância pessoal. Faz hoje 21 anos que passei a constar como um novo cidadão português no Registo Civil lusitano. Podia olhar para trás, reviver, ainda que apenas em pensamento, todas as coisas boas por que já passei, lembrar todas as más que, por minha culpa ou por culpa de outrém, me fazem querer mudá-las e me fizeram aprender com os próprios erros para não cair duas vezes na mesma casca de banana. São 21 anos de encontros e desencontros, derrotas e vitórias, altos e baixos, tudo o que uma vida normal tem. Podia, realmente podia, mas não o vou fazer. Não o faço por uma razão simples, ontem, alguém com uma opinião que eu respeito e valorizo disse-me que “quando olhámos para trás podemos não nos aperceber do degrau que temos à frente, e podemos (ou não) cair nele”, daí que, a jogar pelo seguro, vou olhar bem para o degrau, para não tropeçar nele, ainda que, se por ventura, este degrau me leve a um nível mais baixo vou cair de pé e com uma certeza: um dia vai aparecer um degrau para subir, e aí eu vou estar atento e vou subi-lo com os pés bem firmes...
Desejo a todos os que hoje fazem anos um excelente dia, e como forma de agradecimento a todos os que se lembraram de mim deixo, mesmo antes de partir, uma musica...




24.11.07

Devagar




Aos poucos. Assim vai acontecendo o meu regresso, no fundo como tudo na minha vida. É difícil viver o dia de hoje com 10% do pensamento na saudade de ontem, mais 10% no desejo de poder voltar atrás para modificar o que ficou gravado,5% a tentar mudar o futuro, e com uma grande parte a recear o futuro próximo. Tento viver de pequenos momentos onde se mistura o passado, o presente e o temível futuro. Continuo a sorrir para que não se note nenhuma diferença em mim, mas minto, minto como quantos dedos tenho nas mãos. Sinto-me triste e desorientado por dentro. Tenho medo, medo de ver as horas passar, medo da correspondência que o carteiro traz, medo que o futuro chegue... Ouço dizer, pelas ruas da minha memória, que com a saúde não se brinca. E eu juro a pés juntos, que não me lembro de ter brincado com ela nos 20 anos que levo de existência. Juro ser tão verdade como a lágrima que me escorre. Mas ela é irmã gémea da vida, e como se não chegasse ainda tem muito em comum com ela, é injusta, dura e atinge ao acaso...
À pouco menos de um ano, um zumbido no ouvido e um líquido invulgar que me escorria do ouvido esquerdo fez-me ganhar uma ida ao médico, na altura o médico da fábrica onde trabalhava. Foi-me dito que era um infecção pequena e que com o tempo passava... Mas não passou, e por força do aumento de liquido que parecia nascer no orifício por onde ouço, resolvi ir a uma urgência no posto médico. Desta feita na vinda para casa tive de passar pela farmácia e levantar o receituário. Uma otite, era do que padecia. Acalmou por uns tempos o fluxo que brotava anteriormente, mas acabado o tratamento com antibiótico voltou a aumentar, e desta vez vinha mais frequente, mais grosso e tinha cheiro (insuportável diga-se). Nova ida às urgências, novo antibiótico receitado, mais forte desta vez... Parou de escorrer, mas a audição estava diferente... mais baixa... bem mais baixa... Volta o fluído, mais grosso, mais escuro, mais mal cheiroso, e desta vez com sangue à mistura uma vez entre outra. O susto leva-me de volta ao centro de saúde, mais um antibiótico, que no fundo, era a junção dos dois anteriores, e o conselho de consultar um otorrino. A ausência de dor, sempre me levou a crer que seria algo passageiro, mas o último conselho dado como forma de única solução e a perda parcial de audição abalaram tal crença. Após consultado o otorrino ganho dois antibióticos e um anti-estaminico que me iria ajudar a manter o ouvido seco, num tratamento de cerca de 8 dias. Um pedido de um TAC veio anexado à novidade de que o tímpano esquerdo teria uma ruptura de cerca de 3mm. De volta ao posto médico na tentativa de bater um recorde, lá consigo a consulta com a médica de família que me iria passar o tal TAC enquanto eu a punha ao corrente da situação. Marcado e feito o TAC e já com o último tratamento terminado, volto ao consultório de otorrinolaringologia para saber o resultado. A eternidade de cerca de 20 min na sala de espera, faz-me suar, acelerar o coração, e alienar-me para um outro lugar qualquer. Ouço o meu nome ser chamado e não me lembro sequer de como fui ter ao consultório, a ânsia não deixou. O relatório trazia escondido algo que não estava de todo à espera. Um tumor. Benigno e pequeno, mas não deixa de o ser por isso e não deixa de me arrepiar nem de eu o temer. “Habita” no meu ouvido perto da bigorna e do martelo (2 dos 3 ossos constituintes do ouvido médio). Uma operação resolve o problema e dentro de 15 dias deverei receber uma carta do hospital com notícias. Daí eu não desejar o futuro, daí eu ter medo que os ponteiros se mexam, daí eu ter medo do que traz o carteiro...
Feliz daquele que lhe dói alguma coisa, é sinal que sabe que tem um algo mal... ao contrário de mim...

29.10.07

Afinal existia um “V” na ponta da minha ida


89 dias e 23 horas. Era o que marcava o contador quando parou. Afinal sempre parou. Afinal o Nemec sempre voltou, apesar de nunca ter saído daqui de perto. Passou muito tempo, deu para refrescar ideias, para angariar novas e foi-se acumulando a vontade de escrever, de soltar as palavras... Dava por mim durante o dia a vaguear no pensamento bem longe do presente que vivia, lá onde se iam formando textos aos poucos, por vezes não passavam de frases, outras vezes de simples parágrafos, mas na grande maioria não eram mais que intenções ou desejos, vontades de deitar cá para fora sentimentos, ânsia, opiniões, que formavam palavras que me corriam no sangue e acabavam por ser coadas nos rins por perderem a validade e o sentido, tanto era o tempo que me corriam no sangue, presas nas celas que eram as veias! Mas agora vou poder voltar a dizer tudo, voltar aos meus devaneios, aos meus pensamentos que mesmo podendo ser errados, eu lhes dou valor por me saírem com sentimento.
Voltei, não sei se ao mesmo nível que antes de partir, mas voltei, e isso é que me interessa. Posso até ter perdido traquejo com o tempo, mas é uma questão de tempo até apanhar o ritmo do comboio e voltar a sentir uma paz interior que só sente quem realmente exprime por palavras as reacções aos sentimentos... No fundo não me devo preocupar muito com isso, uma vez que, eu não passo de uma espécie de holograma, um ser que não existe, um pseudónimo que exprime os sentimentos de quem o criou. Não posso influenciar o meu criador em nada, já que não tenho vida, mas sou totalmente influenciado por ele. Sou uma espécie de segunda personalidade, alguém totalmente diferente do original, pois só ao Nemec vêm a capacidade de escrever textos em blogs, poemas, opiniões, apenas eu fui capaz de ver mais de uma mão cheia de textos publicados num jornal, ainda que por burocracia tivessem de ser assinados pelo Rui... Só eu sou capaz disso, o Rui não... o Rui continua o mesmo apaixonado pela namorada, defensor do Braga e do Braguismo, frustado com o emprego, com vontade lhe virar as costas, farto de promessas quebradas sempre pela mesma pessoa, farto que, por elas serem sempre quebradas, continue preso a um horário que lhe tolhe a vida e não o deixa gozar coisas simples mas importantes na vida, mas apesar de tudo continua a tentar fazer rir toda a gente...
Obrigado a ti que esperas-te por mim, obrigado a ti que foste ficando por aí, obrigado a ti que insististe em cá vir e saber se já tinha voltado... e a ti sussurro “Acorda... já cheguei!”.

31.7.07

Adeus, e até...


Parto em breve, e este é em jeito de despedida! Não sei quando vou exactamente, mas sei que não tarda muito, não sei com quem vou, talvez sozinho talvez com algo mais, não sei para onde vou, pode ser longe, pode ser que fique por perto, não sei por quanto tempo vou, mas dói saber que vou. Dói olhar para trás, ver o que está escrito, reviver tudo outra vez e sentir novamente cada palavra com a mesma intensidade e emoção. Dói deixar o “Acorda-me quando chegares” ficar pelo XI apesar de na verdade ter o (suposto) fim marcado para o III (que por imposição dos acontecimentos não aconteceu). Dói saber que vou deixar de ser objecto de leitura por parte de conhecidos e de alguns desconhecidos, dói não lhes poder dar certezas do futuro. Dói... Fere... Marca... Custa e muito ser a criação de alguém com imaginação que está sempre por detrás (ou no interior) de mim e ter de o fazer. Alguém com sentimentos fortes que cria um pseudónimo para se expressar, cria uma personagem como sendo ele próprio. Escreve, desabafa, sente e vive o que faz enquanto encarna a personagem de nome invulgar com origens na Europa de Leste. Blogs e fóruns faziam parte da vida desta figura que represento. Talvez faça uma espécie de falta a quem lia os meus devaneios ou pensamentos (nem sempre lúcidos), talvez lhes cause tristeza, talvez indiferença, talvez felicidade, talvez... Talvez... Resta-me despedir de todos, não sei se volto, e se voltar não sei quando, mas quero acreditar que voltarei a servir de pseudónimo novamente ao meu criador e que isto não vai ser a morte do Nemec e será apenas um estado de coma, um até já, um até breve, mas por enquanto fica um até sempre e um obrigado a ti em especial, a ti que me deste força para continuar a escrever, a ti que me deste força para manter vivo e actualizado por mais tempo, a ti que me serviste de inspiração, a ti que leste o que escrevi e tiraste a tua própria interpretação, a ti que comentaste o que ia sendo actual, a ti que esperas pelo meu regresso e a ti que eu vou acordar quando (se) chegar (regressar)...

Até sempre,




Nemec




28.7.07

Mão cheia de dias diferentes (Expensive soul - Brilho)

Confesso, estava já farto de sair todos os dias para o trabalho e ver pela estrada em direcção ao rio, gente de calções e t-shirt a cobrir o fato de banho, ar descontraído, andar calmo e sem stress, outros sentados na esplanada de um café a refrescar a garganta e a alma, sem pensar em nada, mente solta e liberta e sem relógio no pulso... Já no trabalho, e a escorrer água, vinham-me à memória essas imagens onde eu me imaginava e lá ia passando mais um dia de trabalho. Mas isso hoje acabou. Acabou porque, ao fim de 3 anos a picar o ponto todos os dias, vou de férias, vou ficar tal e qual como me imaginava enquanto torneava o metal... Só quero as minhas férias assim...


27.7.07

Acorda-me quando chegares XI


Deixei-me levar pelo silêncio causado pela tua ausência física. Silêncio constante e perpétuo que me induziu numa espécie de coma, de onde nem as pombas, que se apoleiraram em mim, me fizeram despertar. Um mundo escuro e mudo onde me fechei na tua ausência. Durante um dia inteiro nada nem ninguém me consegui perturbar, mas hoje, hoje logo pela manhã, ainda o sol se espreguiçava, algo me curou. Uma voz leve e suave chamou o meu nome... Abri rapidamente os olhos e tentei focá-los o mais rápido possível, em frente já não via a linha férrea que desaparecia no horizonte, via o comboio do qual tu eras passageira única, e quando olho para o lado sinto o beijo mais doce que se pode imaginar, e ali estavas tu, a olhar para o meu sorriso cravado na face e impossível de disfarçar... Jurei nunca mais me separar de ti, embora imagine no fundo, mesmo sem querer acreditar, que isso não seja possível. Agora já posso sair da estação que me serviu de casa nos últimos dias, já consigo olhar em redor e apreciar a beleza de todas as coisas ainda que incomparável com a tua. Ao olhar o banco, onde permaneci à tua espera, em jeito de despedida, vislumbro-lhe, na cara que não tem, um sorriso enorme, que mais ninguém vê, por ver o meu. Sinto-me a pessoa mais feliz do mundo. Daquele mundo monocromático que a colorido passou. Sinto-me amado neste momento do reencontro, e já depois da euforia maior consigo olhar-te nos olhos doces e meigos e sussurrar “Obrigado por me acordares” mas na verdade foi dito, e sentido, como um simples mas verdadeiro “Amo-te”!

25.7.07

Acorda-me quando chegares X




Acordei sobressaltado. Um ruído crescente fez-me despertar deste sono irreal onde sonhava contigo. Ainda com os olhos fechados imaginei seres tu a acordar-me. Cresceu em mim uma alegria anteriormente inatingível. Devagar fui abrindo os olhos, em espaços muito breves. O sol nascido ainda há pouco tempo feria-me a vista que durante muitas horas ao negro se habituou. Procurei-te com um erguer de cabeça e com movimentos bruscos dos olhos. Deixei-me estar no mesmo sítio para que soubesses onde me encontrar e não nos desencontrar-mos. Enquanto não chegavas fui reparando nas outras pessoas. Um misto de sorrisos e lágrimas preenchiam todo o espaço da estação. A tristeza de quem partia e via partir os seus mais chegados contrastava com a felicidade e os sorriso estampados no rosto de quem chegava e via finalmente perto os seus amados! Era perto disto que eu me sentia! Aos poucos a estação foi ficando vazia. O comboio já tem as portas cerradas e arrancou em direcção ao horizonte. Apenas aqueles que esperam pela boleia permanecem no paredão cinzento... Cinzento foi também como ficou o meu sorriso ao constatar que este comboio não te trazia, pois não te encontro entre os que restam, e a esperança de te ver hoje acabou de morrer. Morte súbita, digo eu! Já não resta ninguém na estação, apenas eu, a solidão e as pombas da praxe... O banco de madeira que me serviu de repouso durante a noite faz-me sinal para voltar para lá, convite que não recusei por uma simples razão: foi aqui que prometi esperar por ti e daqui não saio sem ti! Além do mais não há nada que eu possa fazer, o mundo fora desta estação sem ti é todo cinzento, sem graça, tão monocromático, a única fome que tenho só tu a podes matar, nada me resta senão esperar pelo comboio de amanhã! Observo o sol na sua rota descendente onde se irá confundir com o horizonte, observo-o já cor-de-laranja até que a pequena réstia de luz se esmoreça e desapareça definitivamente. Olho as mesma estrelas que tu e tento perceber o que elas me dizem na esperança que entendas o que te transmito através delas. Volto a fechar os olhos que o sol feriu, e deixo-me embalar pelo banco de madeira... Adormeço depois e peço-te para me acordares quando chegares...

24.7.07

Acorda-me quando chegares IX


Poucas horas passaram desde a última vez que te vi, mas a incerteza de muitas faltarem para te voltar a ver faz nascer em mim um misto de saudade e raiva! Não sei ao certo quantas horas faltam para voltar a ver o teu rosto. Lugar angelical onde permanecem, lindos e serenos, os teus olhos doces, onde mora o tua boca que liberta palavras meigas e beijos ternurentos, que me fazem sentir a palavra amor de cada vez que tocam os meus. Na hora da despedida, uma lágrima quase fugia na ânsia e incerteza de quando te voltar ver, mas ficou presa, e fez-me fingir. Fingi parecer ser forte pois na verdade sentia uma imensa dor por não saber quando te voltaria a ver. A tua felicidade (talvez também fingida) deixou-me sem forças nem coragem para me mostrar fraco, não quis aumentar o teu sofrimento. Forte é aquele finge ser alegre para não tirar o fingimento de alegria da cara de quem ama na hora da despedia. Se isto não é amar, condenem-me à morte por apedrejamento e atire certeiras pedradas quem sabe o que amar é, se o que sinto não é amor, não sei o que é amar, e ninguém sabe o que é amar! Espero não ser longa a tua ausência, mas por muito curta que seja, no relógio do meu sentimento irá ser sempre demorada demais! A ausência dói, mas o reencontro cura e fortalece o ser mais fraco. Nunca nos últimos 5 meses estive tanto tempo longe de ti como prevejo estar agora. Já não me lembro de como são as manhãs passadas sem ti, sem um carinho, sem um mimo, sem beijo! Como irei saciar esta fome sem alimento? Já não sei viver assim... Não sei viver com este amargo na boca, com este vazio no estômago, com esta ânsia que chegue um dia que nem eu sei qual é, com esta vontade de ver o relógio adiantar-se... É tão vagaroso esse comboio que te trás até mim. Muitas estações vai passar até que chegue ao destino e o pior de tudo é que só agora partiu da estação onde te apanhou... Nesta longa e penosa viagem onde o começo é tão certo como a incerteza do fim, vou ficar aqui, na última estação desse comboio movido pelo tempo imaginário que ambos criámos. A noite, apesar de ser de Julho, está fria, e é no amparo deste banco de madeira que me deito e me aconchego para matar este cansaço, para calar a voz desta fome que consome, para me deixar embalar pelas tuas palavras trazidas pelo vento que me gela as mãos que juntas tentam esconder o meu peito, de maneira a guardar o calor do amor que por ti no meu coração mora! Deixo que as pálpebras aos poucos me retirem da visão o ponto mais longínquo da linha férrea e as estrelas que, por entre as nuvens, espreitam. Deixo-me adormecer na esperança de que o dia da tua chegada esteja para breve!

P.S.: Acorda-me quando chegares!

20.7.07

Acorda-me quando chegares VIII (um por cada mês de son(h)o)


Serás?

Serás tu?
A viajante que chegou a tempo
de curar todas as minhas feridas,
de me guiar para o sol...
De caminhar comigo pela estrada da vida
Até o fim dos tempos
Serás tu?
Quem brilha no escuro como o fogo
Encarando a manhã olhos nos olhos
Serás tu a pessoa
que dividirá esta vida comigo?
Foste essa pessoa nos últimos 5 meses
És tu essa pessoa neste dia que nos marca
e quero acreditar que serás tu... para sempre!



Voando nas tuas asas!

Fecha os meus olhos e sonha
Como as sombras na noite escura
Conta as horas até ao amanhecer
Algo me está a faltar (tu)
Consegues imaginar-me enquanto lês o que escrevo?
eu consigo ver-te à espera, lá do outro lado
O que escrevo agora é só para ti
Tudo vai acabar bem
Velejamos sobre a noite
Na espera do crepusculo
Que nos vai trazer o tão esperado reencontro
Consegues ouvir a minha voz ja desesperada
por entre o silêncio da noite?
Ambos sabemos que é uma questão de tempo
Até vermos a luz do dia
Mas já não aguento a dor da ânsia
Do abraço apertado que me espera
No calor do peito


Beija e deixa

Beija-me
Beija-me apaixonada e calorosamente
Beija-me como só tu sabes...
Deixa-me sentir o sabor a mel que em teus labios escorre
Deixa-me tocar o silencio das tuas palavras
Deixa-me guiar o meu amor ao teu coração
Deixa-me beijar-te enquanto a lua nos ilumina
Beija-me ao som das ondas e deixa-me amar-te


Paisagem

Contigo
como linha de horizonte
bem lá ao fundo,
fui voando,
conquistando o teu rosto
segundo a segundo…
No meu sonho,
as tuas cores
foram a melhor
paisagem do mundo…
Misturou-as o meu amor,
tornando esta paixão,
na mais bela tela,
que jamais poderei ver
da prisão desta janela…


Do nada

Chegaste sem eu dar por isso,
Por entre a confusão dos dias
Ocupaste um lugar sem dono.
De mansinho, aos poucos
Tomaste conta do espaço vazio
Que encerrado guardava
E a ninguém permitia lá chegar.
E tudo mudou,
Do nada surgiu algo,
Do algo surgiu aquilo,
E daquilo surgiu isto…
Estranho vicio que não me sai do corpo,
Insaciável desejo de te ter…
Hoje fazes parte de mim,
E por mais que quisesse,
E se o quisesse, não conseguiria,
Tirar-te, amputar-te da minha vida.
É inútil, vieste para ficar.
Eu quero que fiques.
Respiro-te o mesmo oxigénio,
Banho-me na tua luz,
Quero dividir contigo o universo,
O mundo, o meu mundo, o nosso mundo…
Quero ouvir-te dize-lo uma vez mais…
E outra, e outra, e outra
tantas vezes mais…
Sim tu sabes o quê, não revelo, tu sabes,
Tu sabes…

4.7.07

Acorda-me quando chegares! VII (o regresso)


Com o envelhecer e o passar dos anos, apercebemo-nos que na vida existem coisas pouco importantes, importantes, e muito importantes. Porém a nossa mente estúpida tem a inconsciente tendência de baralhar tudo isto! Frequentemente damos importância a coisas mínimas e esquecemos a importância das que realmente a têm, levando a um maior número sucessivo de erros, quer em actos quer em pensamentos! Magoamos o nosso interior, mas pior que isso, ferimos outras pessoas, e o tamanho das cicatrizes que se irão formar é inversamente proporcional à distância que essa pessoa está de nós, ou seja, quanto menor a distância emocional, maior o golpe! É certo que o fazemos sem consciência dos actos, mas fazemos, e não temos desculpa para isso, não deixa de ser um erro nosso! Há bem pouco tempo eram poucas as pessoas com quem eu me dava, com quem falava, desabafava, trocava opiniões, e como consequência disso aprendi a estar só e pensar comigo mesmo, mas sobretudo a desabafar com as lagrimas que iam distorcendo as estrelas que moram no céu que pinta o limite do horizonte da minha varanda e que manchavam as folhas dos pequenos textos que ia escrevendo! Descarregava ali toda a minha fúria! Deixei esse hábito durante vários dias, semanas, meses até... Pois encontrei alguém que me ouvia e ajudava. Mas um pormenor tinha escapado neste meu novo refugio. E se o meu desabafo tivesse relacionado com esse amor? Tinha de voltar ao meu antigo método de alívio pessoal. Foi isso que aconteceu na última semana, fui atirado para aqui por duas ocasiões! Precisava de pensar, de me encontrar comigo mesmo para ver onde falhei, deixar escorrer as lágrimas que me iriam ajudar a curar, mas apenas com a junção de ambos os métodos consegui chegar a uma conclusão! A parte do meu cérebro à qual cabe a função de distinguir a importância das coisas, não estava a trabalhar a 100%... Confundiu muitas coisas, esqueceu outras, e perdeu dados importantes para o equilíbrio e bem estar de tudo a que eu digo respeito. Enquanto possuía apenas um método de desabafo dos meus mais íntimos pensamentos e desejos, a escrita era a forma de não voltar a cair no mesmo erro e de mostrar a alguém aquilo que a boca não dizia quando por perto se encontravam os ouvidos dela. Apesar de o resto do corpo dar sinais, e dar a entender o que a boca abafava, ela continuava muda. Foi assim (na minha ideia) que ela me foi conhecendo melhor e sabendo como eu funcionava, de maneira a que nos conseguimos entender de tal forma a criar uma intimidade capaz de fazer com que a boca soltasse as palavras acorrentadas, com liberdade condicional apenas na escrita até então! Tinha sido criado um hábito, o de escrever para alguém, coisa que nunca tinha feito antes, ou pelo menos tão intensa e directamente... Por culpa da minha avaria cerebral, deixei que este hábito caísse em desleixo e fosse cada vez menos frequente, até ser erradicado por completo, e tudo por culpa minha, coisa que ela não merecia! Deixei que a minha fome de escrita fosse levada para outros campos e outras paixões diferentes. Por “umbiguidade” (mas errada e inconscientemente) deixei que se sobrepusesse em mim a preferência de ver uma criação minha publicada num jornal regional que fazer crescer um pouco mais de amor num coração que tanto bem me quer! Errei, e o erro trouxe-me a esta noite fria de Julho, como se tratasse de um sinal do quão frio eu tenho sido para quem me tenta aquecer a cada passo, devolveu-me o sabor salgado das lágrimas e as manchas no papel, mas também me devolveu a funcionalidade que precisava para me aperceber que não fiz o correcto e para tentar emendar! Fica por isso aqui escrito, que a minha vontade de voltar a mostrar que te amo, te quero, te desejo é tão grande como a minha vontade de voltar a ser tudo como era... Tristezas não pagam dívidas, e dúvidas não passam de meros obstáculos que são criados apenas para serem destruídos, por isso, a certeza de um sorriso na tua cara é o bastante para um igual nascer na minha e fazer crescer aquilo que aumenta o coração... Estou de volta à escrita, aquela que tu gostas! Só falta uma palavra para acabar: amo-te!!!

21.6.07

Braga - a minha doença


Ontem foi dia de consulta médica, daquelas normais, chamadas “consultas de rotina”. Somos pesados, auscultados, mostramos a língua, os dentes e a garganta para serem examinados e as análises feitas à uns mesitos atrás. Ainda nesta fase da consulta, em que nos verificam os sistemas, chega a altura de medir a tensão... O médico faz uma cara um pouco estranha, que me deixa apreensivo, e enquanto procura as análises ao sangue atira-me uma pergunta:
- Há alguma coisa que te deixe nervoso ultimamente?
- Não! – respondi eu ainda meio inquieto pela cara e estranheza da pergunta.
Segui-se um silêncio...
Já com os exames abertos e depois de uma rápida olhadela por eles apenas dispara:
- Confirma-se!
- O quê senhor doutor?
- Tem uma espécie de doença...
- E é grave? – interrompi eu
- Não! E no seu caso é genético!
- Genético?
- Sim. O seu pai tem o mesmo síndroma!
- Excesso de açúcar no sangue, certo? – era a única doença que conhecia no meu pai...
- Não...
- Não!? Então?
- Tem algo em excesso no sangue e não é açúcar! É a paixão por um símbolo, por um clube...
- Pelo Braga...
- Certo! Está presente no sangue, nasceu consigo e interfere-lhe com o sistema nervoso, tal como sucede hoje, regista os valores mais altos de sempre nos batimentos cardíacos e a pressão arterial está também acima do normal!
- Mas nesta altura do ano não há futebol, não há muita razão para eu estar assim... Tem cura?
- Exactamente por isso é que o sistema nervoso está alterado, é uma espécie de ressaca, sentes a falta de algo a que estavas habituado e a ânsia de estar a chegar a altura em tudo vai voltar ao normal está-se a apoderar do inconsciente! Não tem cura, a medicina não consegue fazer nada, porque é algo que nasce dentro de si, lhe corre o corpo pelo sangue, e que guarda no coração! A medicina é inútil na luta contra um amor verdadeiro a um clube...
- Mas posso fazer algo?
- No entanto pode sempre atenuar estes efeitos...
- Como?
- Para começar, deixe de ler a imprensa desportiva que o bombardeia todos os dias com notícias falsas e sem fundamento, cujo único objectivo, é a venda daqueles pedaços de papel coloridos, na maior parte das vezes, com mentiras ou simplesmente suposições, que saltaram á ideia do jornalista sem mais nem menos... Aceite apenas as notícias publicadas no site do Sporting Clube de Braga, pois apenas essas são verdadeiras e não são contraditórias, tudo o resto veja como mera especulação! Depois pode sempre começar a preparar a nova época...
- Preparar a nova época? Eu? Como?
- Como é do conhecimento geral, está a decorrer a renovação das cadeiras no EMB para a nova temporada, não perca mais tempo, e renove já a sua... Terá melhoras rápidas e significativas...

Fiquei espantado com o método, não há cá medicamentos caros nem idas à farmácia, apenas uma simples mas muito valiosa cadeira cinza que me faz afirmar com toda a convicção: comprar cadeira faz bem à saúde... Braguista!

15.6.07

Voltando atrás no tempo...


Dia 8 de Fevereiro de 2005 – “Proença abandona a arbitragem” .
Era este o título que esperava ver escrito numa página qualquer de algum jornal naquele dia. Este desejo tão invulgar tem um fundamento. No dia 6 do mesmo mês realizou-se mais um derby minhoto onde o clube da capital do Minho perdeu fora de portas por uma bola a zero. O árbitro deste encontro foi o Sr Pedro Proença. Já em tempo de descontos, dois jogadores (Paulo Sérgio do Braga e Cléber do Guimarães) envolvem-se numa disputa de bola e acaba por cair dentro da área o avançado arsenalista, nada foi assinalado... Momentos depois ouve-se o apito final e já com a cabeça fria vem-me á cabeça a pergunta “será que era mesmo pénalti?”, apercebo-me entretanto de algum alarido em torno do referido árbitro, “nada de anormal” pensava eu... Na manhã seguinte e ainda na ressaca jogo, enquanto folheio um jornal desportivo, deparo com o seguinte titulo “Proença abandona se for pénalti”; no resto da notícia Amaral Correia, assessor da SAD do Braga, fazia saber que no fim do jogo ainda dentro do relvado, Pedro Proença tinha dito a António Salvador, em frente dos companheiros de equipa e dos delegados da Liga de Clubes, que abandonaria a arbitragem caso ele tivesse errado na decisão tomada naquele lance e realmente fosse pénalti. Era divulgado também que alguns dos jogadores do Braga tinham sido alvo de insultos pelo arbitro no decorrer da partida, caso que chegou a ir para tribunal, e que levou o Sporting de Braga a vetar este juiz para os seus jogos, tendo este arbitro sido nomeado para arbitrar um jogo do Braga ainda com o processo a decorrer em tribunal e jogando o Braga sob protesto! Referia ainda as palavras do jogador do Guimarães envolvido no lance (Cléber) que admitia ter havido uma grande penalidade por assinalar mas recusava-se a dizer em que altura do jogo ocorreu! Depois de ler isto tive a imediata reacção de procurar nos meios de comunicação social disponíveis se realmente teria sido pénalti e Proença iria pendurar o apito. Nas imagens televisivas era clara a obstrução de Cléber a Paulo Sérgio, embora os comentadores, tratando-se de um clube que não interessa fazer “publicidade” tenham apenas tocado ao de leve no assunto... Foi já com certeza de que tinha havido um erro que me levantei dia 8 na esperança que o Sr Pedro Proença fosse um homem de palavra e fizesse cumprir aquilo que tinha dito dois dias antes... Mas foi com tristeza que constatei que este senhor não passava de um mentiroso e não honrou a palavra como devia... Hoje foi-lhe atribuído um prémio de distinção na arbitragem, e pergunto eu: Como pode receber um prémio alguém que já não deveria arbitrar???

7.6.07

Desafio-te...

Em resposta ao desafio da Cristina (randomnes)


7 coisas que faço bem:
- escrever
- exagerar
- mostrar a alguém que realmente gosto dela
- fazer as pessoas rir
- projectar circuitos electronicos
- fazer reparações e "invenções"
- sudoku

7 coisas que não faço:
- desenhar
- apoiar uma equipa que não a minha
- trair
- beber alcool
- fumar
- cozinhar
- comer caracois


7 coisas que apercio no sexo oposto:
- sinceridade
- humildade
- beleza interior
- gosto pelo desporto
- simpatia
- ser braguista
- mostrar o que realmente sente


7 actores/actrizes:
- Sandra Bullock
- Jennifer Lopez
- George Clooney
- Angelina Jolie
- Rowan Atkinson
- Jerry Seinfeld
- Michael Richards


7 coisas que digo diariamente:
- amo-te
- como é?
- falta muito para a meia-noite?
- tenho fome
- coiso
- "cala-ti"
- tá bem

desafio a "minha" cirigaita (
*_Lipinha_*) e a Cidália (Cidi's World)

1.6.07

Fim-de-semana


“Fim-de-semana - Expressão que se utiliza para indicar os dois dias de descanso existentes no termo de cada semana. Constituem o fim-de-semana o Sábado e o Domingo.”
Foi este o significado que encontrei, para a expressão fim-de-semana, num qualquer dicionário de sinónimos banal que se encontram por aí. Certamente seria esta a explicação que mais gente acharia justa e acertada. Concordo, em certa parte. O meu significado de fim-de-semana é um pouco diferente e talvez não tão correcto para o resto da sociedade. Os dias do meu fim-de-semana não se distinguem dos outro dias da semana, por não estar durante oito horas atado ao emprego, é diferente, pessoal e intransmissível, é como uma impressão digital, é único! O meu fim-de-semana começa ao crepúsculo da sexta-feira e tem um tempo indeterminado, á partida, podendo acabar poucas horas depois ou durar, no máximo, até ao nascer do Astro Rei da terça-feira seguinte. Tem um nervoso miudinho que se confunde com a crescente ânsia, um nervoso mais sentido e um relaxamento profundo que me traz o desespero pelo próximo fim-de-semana, e ao mesmo tempo, me dá força para encarar o resto da semana!
Saio do trabalho no fim de mais uma sexta-feira como a maioria das pessoas, e desde logo, sou tomado de assalto por uma pequena inquietação que me desvia o pensamento e o encerra numa cela onde ele apenas consegue pensar no tempo que falta para começar o grande jogo, aquele onde joga o Sporting de Braga, tudo o resto tem importância mínima e se desvanece por entre o nevoeiro tal e qual D. Sebastião. Agora apenas me concentro no onde, quando e como vou ver jogar a minha equipa... Chegada a hora do apito algo em mim se transfigura e me muda completamente, deixo a timidez de lado e uso da minha força interior para apoiar os meus bravos em mais uma batalha. Durante 90 min é a única coisa que sei fazer, e ainda assim, são actos inconscientes. Vem depois a paz, a chave que me liberta o pensamento da cela e que traz atado a si o entusiasmo pelo fim-de-semana seguinte! É este o meu fim-de-semana, é por ele que anseio durante todos os dias que me levanto. Dependo dele, e do que ele me dá, para sobreviver, tal como um viciado no tabaco depende dele para o seu bem-estar. Mas algo de estranho tem acontecido ultimamente. Desde à uns dias para cá que algo está errado. O pensamento foi cerrado, o nervoso miudinho já cá mora, mas passaram duas terças e nem sinal da cura para este estado de alma. Já por vários dias que desço a Rua de S. Martinho em direcção ao Estádio e... nada! Não há trânsito, não há carros estacionados em cima dos passeios, não há ninguém a envergar as cores vermelha e branca unidas como só nós Braguistas sabemos e amamos, não há nada... É tudo tão monótono e previsível como em qualquer dia da semana! Que fizeram com o meu fim-de-semana? Preciso dele para me sentir vivo, preciso da chave que me vai libertar o pensamento, preciso de sentir a paz dentro de mim...
E tu, tiveste fim-de-semana?

24.5.07

Ultimo apito


Apita o árbitro pela última vez esta época na Pedreira Mágica... O empate caseiro a uma bola associado ao resultado de um derby da capital classifica o Sporting de Braga na 4ª posição! À sua frente apenas se vislumbram os rotulados de 3 grandes pela imprensa nacional. Razão pela qual o Braguista enche o peito de ar e grita Braga, com o mesmo orgulho de quem vê a sua equipa a ser campeã. Aplaude efusivamente como forma de agradecimento a um grupo de bravos, que se debateu durante uma época inteira contra inúmeras contrariedades, para obter um lugar tão honroso como este... Nota, com pena, no rosto de alguns uma espécie de lágrima, que foge e desfoca a visão, por saber que certamente foi a última vez sentiu este símbolo ao peito como sendo seu. Já com os guerreiros, que o fizeram vibrar toda esta época, recolhidos aos balneários, e a maioria do público já a descer a Alameda do Estádio, o Braguista contempla toda a beleza que a Pedreira Mágica lhe oferece, e saltam-lhe à memória momentos ali vividos que lhe arrepiam todos os milímetros do corpo. Todos os golos marcados e a explosão de alegria criada a cada um deles, o calor humano mesmo nas noites mais gélidas, e todas as demonstrações de amor ao símbolo do clube, tudo isso é lembrado como uma retrospectiva não mais longa que trinta segundos. Apesar de toda esta alegria e euforia conjugadas num sentimento só, uma não menos sentida tristeza o assalta. A tristeza por saber que tão cedo não voltará a este mesmo estádio para ver o seu clube jogar...
Antes do regresso a casa, resolve festejar pelas ruas e artérias da cidade dos Arcebispos, a conquista do primeiro lugar entre os clubes de orçamento mais reduzido, e uma nova presença na Taça Uefa, porém depara-se por todo o lado com festejos de outra cor, mas isso não afecta a sua vontade de festejar, pois torna-se daltónico por instantes e tudo lhe parece festejar de vermelho e branco.
De regresso ao aconchego do seu sofá, aguarda ansiosamente por ver o golo do seu clube na televisão e ver na classificação final que no quarto posto figura o Sporting de Braga.
O tão aguardado momento já passou, a época já acabou, e agora é simplesmente um conjunto de resultados registados em forma de números. Para trás ficam noites e tardes de grandes alegrias, uma época de excelentes resultados, talvez a melhor de sempre, embora as exibições nem sempre tenham sido as melhores. Mas que importa a exibição se não conta para os registos? O que conta são os resultados... E esses é que vão ser lembrados e nos vão encher de orgulho nos próximos anos!
É hora do Braguista recolher ao seu ninho, repousar a cabeça na almofada e esperar pelo sono... Mas ele tarda em chegar, e não quer mesmo vir! O Braguista não prega olho, pois a sua cabeça não pára de pensar por um minuto que seja nos tempos que se avizinham. Mentalmente dolorosos e penosos. Durante cerca de dois meses e meio não irá sentir o prazer de ver o seu clube de coração jogar ao mais alto nível, no trabalho não irá defender o Sporting de Braga com unhas e dentes, pois não se vai falar de futebol até começar a nova época, nos jornais nacionais apenas vão sair notícias de transferências, dos jogadores que melhor defenderam o símbolo da camisola vermelha com mangas brancas para outros clubes rivais, quase todas elas criadas por jornalistas sem escrúpulos ou encomendadas para destabilizar o equilíbrio emocional desses bravos, e consequentemente enfraquecer a união dentro do balneário, notícias que criam um mal estar no Braguista que teme pela perda das suas mais valias. É totalmente massacrado pela invasão de tais inverdades... Resta-lhe ler a imprensa regional, que defende os interesses do seu clube e lhe abranda a azia... Tempos difíceis que irão surgir a cada nova aurora... Mas o Braguista aguenta, pois o amor que arde dentro dele pelo clube da cidade que o viu nascer, torna-o forte e capaz de suportar isto e muito mais, pois está para chegar uma nova época, cheia de coisas bonitas para fazer e jogos para apoiar, vibrar e vencer. É com este pensamento, vontade e confiança que o Braguista se irá levantar e deitar todos os dias...

16.5.07

Bracarense, Arcebispo, Arsenalista, Braguista


Todas as palavras, por mais pequenas que sejam, têm um significado. Algumas têm até mais que um significado podendo a mesma palavra ser aplicada em vários contextos. Acontece também o inverso, várias palavras significarem a mesma coisa. Com o passar do tempo certas palavras caem em desuso e surgem outras novas que aos poucos vão entrando no vocabulário de cada um de nós e vão fazendo cada vez mais parte do nosso dia a dia, vindo estes novos vocábulos fazer companhia, e por vezes substituir, os antigos, enriquecendo assim a língua. Certos termos existem apenas num determinado local, ou numa determinada sociedade (se lhe podermos chamar assim), não fazendo por isso parte do vocabulário oficial da língua. Exemplo disso é a palavra Braguista.
Desde a criação do Sporting Clube de Braga que os adeptos do clube eram denominados por Bracarenses. Esta designação deve-se ao facto de os habitantes ou naturais da cidade de Braga serem Bracarenses, nome atribuído devido à cidade ter sido fundada no tempo dos romanos com o nome de Bracara Augusta. Apesar de já não ser utilizado com tanta frequência, por vezes utiliza-se o termo Arcebispos quando se fala da comunidade em volta do clube, mais uma vez com a razão a ser atribuída à cidade que, por em 1112 ter sido doada aos Arcebispos, é também conhecida por Cidade dos Arcebispos. Porém outra designação têm, a de Arsenalistas, esta tem a ver com o facto de José Szabo ter sugerido um equipamento para o Sporting clube de Braga, à semelhança do utilizado pelo Arsenal de Londres (equipamento utilizado ainda hoje) ficando a equipa a ser conhecida por Arsenal do Minho e, consequentemente, os adeptos por Arsenalistas.
Muitos anos mais tarde, devido a uma grande parte dos Bracarenses nutrir um certo sentimento por um clube de fora da cidade que lhes pertence, surge a necessidade de criar um vocábulo que destinga aqueles que somente apoiam e amam o clube mais representativo da capital do Minho, daqueles que por algum motivo sentem algo por outro clube, ou ainda daqueles que simplesmente habitam ou são naturais da cidade de Braga. Com esta necessidade, nasce o Braguista, palavra que não existe no dicionário e é vulgarmente utilizada pelas pessoas a que se refere. O significado é muito simples, caracteriza uma pessoa que ama um só clube e que o defende até que as forças não o permitam mais, sendo esse clube o Sporting Clube de Braga. A palavra Braguista, é uma palavra relativamente nova, e que é mais usada e conhecida pelos frequentadores mais assíduos da Internet nos sites e fóruns que se relacionam com o Sporting Clube de Braga, apesar disso, está a tornar-se cada vez mais conhecida e mais utilizada entre a comunidade Bracarense. Está a ganhar estatuto e a começar a ser conhecida pelo “mundo fora”. Existe já uma associação constituída por este tipo de adeptos, a Associação Braguista! Brevemente iremos ser reconhecidos como apoiantes de um só clube e a palavra Braguista vai figurar no dicionário da língua portuguesa, iremos finalmente ser diferenciados e dar a conhecer ao poder centralizado que os Braguistas são de carne e osso, e não simples hologramas...
Enquanto este meu sonho não se realiza e este dia não chega, resta-me apenas dizer que, quer sejamos Bracarenses, Arcebispos, Arsenalistas, ou Braguistas o que importa é estarmos unidos e apoiar única e exclusivamente o Sporting Clube de Braga...


P.S.: O significado da palavra Braguista aqui apresentado por mim foi, uma vez que a palavra não existe oficialmente, criado por mim, sendo assim, uma mera sugestão pela maneira como eu a vejo e gostaria que fosse vista pelos outros, podendo estar totalmente errada!

11.5.07

Jewel - Hands

If I could tell the world just one thing
It would be that we're all OK
And not to worry 'cause worry is wasteful
And useless in times like these
I won't be made useless
I won't be idle with despair
I will gather myself around my faith
For light does the darkness most fear
My hands are small, I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
And I am never broken
Poverty stole your golden shoes
It didn't steal your laughter
And heartache came to visit me
But I knew it wasn't ever after
We'll fight, not out of spite
For someone must stand up for what's right
'Cause where there's a man who has no voice
There ours shall go singing
My hands are small I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
I am never broken
In the end only kindness matters
In the end only kindness matters
I will get down on my knees, and I will pray
I will get down on my knees, and I will pray
I will get down on my knees, and I will pray
My hands are small I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
And I am never broken
My hands are small I know
But they're not yours, they are my own
But they're not yours, they are my own
And I am never broken
We are never broken
We are God's eyes
God's hands
God's mind
We are God's eyes
God's hands
God's heart
We are God's eyes
God's hands
God's eyes
We are God's hands
We are God's hands



8.5.07

Mais um Domingo igual?


Manhã de Domingo, toca o despertador, dia de descanso para muitos, mais um dia de trabalho para outros, uma manhã a empregado de balcão para mim. Lá fora o sol ainda tem poucas horas de vida, mas já brilha com todo o seu esplendor. O céu, esse está limpo e azul, o que faz prever um magnífico Domingo. Poderia ser o porquê do sorriso estampado na minha cara e da felicidade que me preenche por dentro apesar da hora, mas não é, e por uma simples razão, logo á tarde há futebol na “Pedreira”, joga o meu clube, razão mais que suficiente para me fazer sorrir e renegar tudo o resto para segundo plano. Como não podia deixar de ser, visto uma camisola vermelha com mangas brancas e lá vou trabalhar. No curto caminho, encontro alguns conhecidos que me abordam e expressam a sua felicidade por logo irem ver jogar o clube mais representativo da cidade. Não é um hábito irem ao futebol, não por não gostarem de futebol, ou por apoiar outra equipa que não o Braga, mas porque nem sempre conseguem chegar ao fim do mês com mais de 1 euro no bolso... Já no local de onde devo estar até perto das 13 horas, reparo que as conversas giram todas em volta do jogo onde todos apenas esperam um resultado. Por entre as conversas lá consigo apanhar alguém a dizer que hoje vai levar a mulher e os 3 filhos ao estádio, outro que convidou uns amigos de fora de Braga para virem ao Estádio Municipal de Braga apreciar a sua beleza e ver o Sporting Clube de Braga jogar, outro ainda vai fazer uma surpresa à mãe (por ser o dia dedicado a ela) e levá-la ao estádio, ela que sofre sempre em casa agarrada ao relato que vai passando no rádio, mas mesmo assim torce por uma vitória do clube da cidade que a viu nascer. Todos levavam alguém pela primeira vez, e todos falavam em ir vestidos de vermelho. Do outro lado do balcão começo eu a sonhar em ver o estádio cheio e uma grande vitória do clube de todos nós, sonho prontamente interrompido pelo pedido de alguém. Em cada pessoa que vejo vestida de vermelho penso se também irá ver o espectáculo, mas não me atrevo a perguntar... O que é certo é que uma anormal quantidade de pessoas se veste de vermelho neste dia da mãe, ou talvez seja eu que estou mais atento a isso. Começa a nascer em mim, perto do estômago uma espécie de dor, é ânsia em chegar a hora do jogo... Olho para o relógio mas ele teima em andar devagar, muito devagar, nem um quarto de volta deu desde a última vez que olhei para ele... Após umas largas dezenas de clientes me terem dito que logo de tarde pode ser que nos voltemos a encontrar, o relógio lá faz o favor de dar umas voltinhas... Saio no fim do almoço para entreter o pensamento e tentar deixar de olhar para o relógio que voltou a abrandar o ritmo, ao contrario do meu coração, esse acelera cada vez mais. É inútil tentar distrair a mente de algo que amámos com tanta força, pois na minha cabeça só o jogo tem lugar agora. Continuo a reparar nas pessoas vestidas de vermelho e começo a reparar agora que muitas delas se fazem acompanhar de um cachecol, que não é para cobrir o pescoço do frio, que esse não se faz sentir, é para apoiar o clube cá da cidade. Todos se dirigem para o estádio, e eu, que já não aguento mais esta ânsia, sigo-lhes os passos. Hoje há uma movimentação anormal no mesmo sentido em que eu vou, algo de extraordinário se adivinha... Sento-me na cadeira de sempre ainda antes do habitual aquecimento das equipas, e olhando em volta, reparo que as bancadas estão já mais cobertas que no início de certos jogos. Sinto o primeiro arrepio ao imaginar as pessoas que ainda se dirigem para lá e ainda vão ocupar os lugares vazios, e começo a adivinhar uma enchente, um mar vermelho... Já mais perto do apito inicial reparo que nunca esteve tanta gente na Pedreira para apoiar o Braga! Para alguns este jogo tem um sabor especial, existe nele uma sede de vingança pelas duas derrotas sofridas este ano, contra a mesma equipa que hoje terá de lutar contra o apoio de cerca de trinta mil vozes de incentivo aos nossos bravos... É esta sede de vingança e esta vontade tremenda de vencer que me faz gritar golo com toda a força que conseguia, quando vejo pela primeira vez a bola a fazer abanar as redes da baliza contrária... Estava tudo perfeito até que perto do fim uma tristeza se aproxima de mim querendo estragar a festa, mas eis que, contra a crença de muitos dos presentes, um remate com fé, força, garra e vontade faz a bola beijar o fundo da baliza, faz erguer um estádio, faz matar a sede de vingança de muitos faz encher o coração de alegria de outros e faz-me perder a total noção das coisas de tal modo que dei comigo com uma grande parte dos músculos contraídos, um punho fechado de raiva, e um abraço forte a alguém que o merecia. Consigo inexplicavelmente abstrair-me de tudo isto, para durante cerca de dois segundos imaginar aquele jogo como sendo o jogo do título, aquele golo como sendo o decisivo e aqueles adeptos como sendo os normalmente presentes, apenas um arrepio ainda mais forte me faz voltar a mim e lembrar com um enorme desejo de concretização esse sonho... E assim foi mais um Domingo, mais um Dia da Mãe que tinha tudo para ser igual a tantos outros, mas acabou por ter tudo para ser diferente e marcante...

25.4.07

Passa o tempo fica o sentimento...




Enquanto pequeno fui criado através de um "molde" que me ensinou a gostar e a defender até não ter mais forças ou argumentos aquilo que, de certo modo, me pertence. Numa família de braguistas ensinaram-me a defender as cores do meu clube não só quando ele ganha. Mostraram-me que me devia sentir orgulhoso por ser adepto de um clube que mesmo não ganhando muito, me alegrava o coração só em vê-lo jogar. Na escola primária era olhado com espanto quando alguém me perguntava "De que clube és?", e eu orgulhoso respondia "Do Braga.", a pergunta seguinte, todos aqueles que como eu começaram de cedo a gostar, defender e apoiar em qualquer circunstância o que lhes pertence e não o que ganha mais, consegue adivinhar, "E que mais?". Parecia uma obrigatoriedade ser de um clube que já tivesse sido campeão. "Mais nenhum." respondia eu. Na maioria das vezes mesmo sem lhes perguntar acabavam por me dizer "Eu sou do X... mas também gosto do Braga...". Não compreendia o porquê de dizer que tinha outro clube, e sentia-me triste, triste por ficar com a sensação de que o meu clube tinha poucos adeptos verdadeiros.
Era raro na altura ver alguém a jogar á bola na rua com a camisola do Braga, mas eu jogava e vestia-a sempre que podia, mostrava o meu cartão de sócio e o meu cachecol a toda a gente, e sentia-me orgulhoso pelo que fazia, por mostrar a todos o meu braguismo... Sentia-me a criança mais feliz do mundo por domingo sim domingo não ir até ao 1º de Maio e exibir o meu cartão de sócio apenas por satisfação (pois não era necessário para entrar com aquela idade) a quem controlava a entrada.
Os anos foram passando, eu fui crescendo, as conversas foram mudando mas as perguntas e as respostas continuavam as mesmas, apenas os comentários dos outros consoante o resultado do jogo mudavam e algumas perguntas começavam a vaguear na minha cabeça. Sempre que o Braga fazia um bom resultado falavam comigo e referiam-se ao "nosso Braguinha", quando os resultados não agradavam abordavam-me referindo-se ao "teu Braga". Perdia a cabeça com isto, sentia a raiva correr-me nas veias como se de sangue se tratasse. Como era possível alguém se aproveitar do resultado de um clube e tirar sempre satisfação fosse qual fosse o resultado... Não havia sentimento verdadeiro, não havia sofrimento... Eram anos em que o Braga vivia de altos e baixos, em que se lutava uma época para ir á UEFA e na seguinte para não descer de divisão. Nestes anos conseguia-se distinguir perfeitamente, o Braguista sofredor e verdadeiro do "falsificado e oportunista". Sentia-me feliz por, embora sermos poucos Braguistas verdadeiros, não sermos confundidos com os que simplesmente iam á bola ou mesmo sem ir discutiam como se fossem...
Passaram mais alguns invernos, e eis que num verão se realiza um Campeonato Europeu que veio mudar muita coisa e apaixonar mais pessoas pelo futebol... Coincidência ou não, foi um ponto de viragem para o Braga, tornou-se um clube mais estável e mais forte, tornou-se num "Braga Europeu". Muitos, arrastados pela onda vitoriosa do clube da sua terra, decidiram segui-lo de mais perto, e esquecer um pouco o clube que até então os prendia á televisão, e começaram-se a auto-intitular Braguistas... Começaram a ir ao estádio, aos treinos, a comentar fóruns na internet afirmando sempre que o Braga sempre foi a paixão deles. Agora quando lhes perguntam o clube dizem "Do Braga" mas lá acabam por confessar, a custo "simpatizo por o X"... Apesar de se ter criado uma nova geração de verdadeiros Braguistas, são muitos os que se tornaram Braguistas falsificados e oportunistas, mas estes são agora mais difíceis de distinguir...
Época 2006/2007. Após uma série de épocas espectaculares, as melhores de sempre, vem uma época com alguma quebra, fica-se uns furos abaixo do esperado. O que acontece? Os Braguistas falsificados e oportunistas criticam tudo o que podem, presidente, treinadores, jogadores, horários de jogos e treinos, equipamentos utilizados, métodos de treino e tudo o que se possa imaginar, preferem assobiar em vez de dar apoio... Pois eles querem sempre mais para matar a sua fome... Na minha opinião, o verdadeiro Braguista, aquele que sofre, vê esta época como uma época menos boa (ou talvez não) que as anteriores mas mesmo assim de sonho, ½ da Taça de Portugal, mais jogos de sempre efectuados na Taça UEFA e um lugar na classificação que a 4 jornadas do fim nos permite sonhar e depender apenas dos nossos resultados para participar na próxima edição da Taça UEFA... O único sentimento de revolta deste Braguista é saber que está a ser confundido com alguém que não é capaz de sacrificar uma unha que seja pelo clube que diz ser adepto... Lembro aqui todos aqueles que, independentemente do resultado, ficam no seu lugar até o arbitro apitar pela ultima vez, todos aqueles que aplaudem quando a equipa perde, todos aqueles que foram esperar a equipa ao aeroporto no fim de um jogo para a Taça UEFA, não só quando ganhou mas também quando perdeu, lembro alguém que apesar de ser sócio preferiu comprar um bilhete de público do que ir embora porque a espera iria ser demorada para tirar bilhete de sócio e iria perder o principio do jogo, todos aqueles que lutam, assim, pela verdade e genuinidade clubistica. É por tudo isto que, olhando para trás e vendo-me naquela criança sinto um enorme orgulho e agradeço a que me ensinou a ser assim...

3.4.07

Um Mundo do meu tamanho...


Domingo, manhã solarenga de Junho, acordo bem cedo, o fato de cerimónia que ainda cheira a novo cobre-me o corpo, prepara-se um dia diferente, não imaginava eu o quão diferente... A cerimonia era um casamento, e eu ia fazer parte dela de certa forma especial, ia ser "menino das alianças"... Antes da igreja toca a tirar as fotografias da praxe na casa da noiva, uma assim, outra daquela maneira, mais um flash, mais um passarinho, e a minha vergonha não me deixava ver ninguém... Acabadas as fotos e satisfeitos os estômagos dos convidados, tudo ruma à igreja, onde já está o noivo, nervoso e com a consciência de que está a acabar o tempo de solteiro, coisa que nunca mais vai voltar a ser... Alinha-se a noiva em frente á porta de braço dado com o padrinho, que a vai levar ao altar, á frente os meninos das alianças, e os convidados vão entrando devagar, enquanto entram vão dizendo qualquer coisa á noiva que está nervosa. Entretanto alguém me pede para dar a mão á menina das alianças que era mais nova que eu, talvez com 2 ou 3 anos e eu cheio de vergonha lá pego na mão da menina, um dos convidados ao entrar, não fala para noiva, mas para mim, "Vais casar com a menina..." disse-me... Com a vergonha que tinha, e com a que ganhei depois disto, não me consigo lembrar de mais nada, apenas que entrei de mão dada com uma menina na igreja e alguém me disse que seria ela minha noiva, não me consigo lembrar de nomes, nem sequer de nenhum rosto... A cerimonia acabou, o fato voltou para o guarda-vestidos, a menina já não sei dela... Passaram dias, meses, anos... tantos que o fato já nem me serve, cresci, mudei, e a menina das alianças também, ficámos irreconhecíveis... Cerca de 13 anos mais tarde sou apresentado a uma rapariga, pela qual me apaixono, e começo a namorar 8 meses depois. Com um mês e alguns dias de namoro, uma duvida me assalta, "será que devo acreditar no destino?" coisa que até então não acreditava. O fundamento desta duvida em forma de questão é que enquanto lhe mostrava as fotografias desse casamento, ouço sair da voz dela, "Esta sou eu!"... Encontrei a menina das alianças...

23.3.07

What do you do? - Papa Roach

I got a one-way ticker on a hell-bound train
With nothing to lose and nothing to gain
Nobody ever taught me how to live
I'm feeling like I'm lost- like I'll never be found
I'm twisted and I'm turned around
Nobody ever taught me how to love
I'm hurting everybody I'm hurting myself
I'm desperate
So what do you do
When it all comes down on you?
Do you run and hide
Or face the truth?
If you were to tell me that I'd die today
This is what I'd have to say
I never really had the time to live
And if you were to give me just another chance
Another life, another dance
All I really want to do is love
I'm hurting everybody
I'm hurting myself
I'm desperate
When all is said and done you could be the one
With open arms and open eyes
You're jumping off the edge and hoping you can fly
Accept your fate for what it is
Into the great unknown
...got a one-way ticket on a hell-bound train
With nothing to lose and nothing to gain...

18.3.07

Secretamente


Secretamente te sussurro
Leve e de mansinho
O que a minha alma grita
Desesperadamente
Cá dentro
Com medo que tu não oiças
Encosto a boca tremula
Ao teu ouvido delicado
E por breves momentos esqueço tudo
Até mesmo que existo
Apenas me lembro e sinto
O que os meus lábios acabaram de dizer
Palavra pequena e de enorme significado
Que demostra toda a insanidade que me compõe
Devagar, com carinho e ternura
Solto um Amo-te
E um sorriso
Por saber que também o disseste...

17.3.07

Mika - Grace Kelly

Do I attract you?
Do I repulse you with my queasy smile?
Am I too dirty?
Am I too flirty?
Do I like what you like?
I could be wholesome
I could be loathsome
I guess I'm a little bit shy
Why don't you like me?
Why don't you like me without making me try?
I try to be like Grace Kelly
But all her looks were too sad
So I try a little Freddie
Ive gone identity mad!
I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?
Why don't you like me?
Why don't you walk out the door!
How can I help it
How can I help it
How can I help what you think?
Hello my baby
Hello my baby
Putting my life on the brink
Why don't you like me
Why don't you like me
Why don't you like yourself?
Should I bend over?
Should I look older just to be put on your shelf?

I try to be like Grace Kelly
But all her looks were too sad
So I try a little Freddie
Ive gone identity mad!
I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?
Why don't you like me?
Why don't you walk out the door!
Say what you want to satisfy yourself
But you only want what everybody else says you should want
I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?
Why don't you like me?
Why don't you walk out the door!



9.3.07

Dias!


Às vezes prefiro que o tempo voe, para que tudo passe o mais rapido possível na minha vida, como se fosse levado pelo vento provocado por um tornado, esses são dias de ansiadade, que não me acrescentam grande coisa, a não ser o conformismo do costume por não ser como eu queria que aconteceram as coisas. Mas eu gosto mesmo é quando entendo o tempo como algo bom e que demora uma eternidade a passar, aquele tempo em que a brisa sopra devagar e vai tatuando em mim novidades esquecidas, ou surpresas agradáveis. Esses são dias de expectativas boas e que me fazem pensar diferente. É nesses dias puros, que resgatamos as boas lembrançaas e as mais aconchegadas esperanças... Sei lá, é como se elas ficassem presas num espaço de tempo só nosso, que cultivamos com carinho e um sorriso nos labios. Como se entre a realidade e o sonho existisse um caminho estreito e bonito, onde só vemos quem amamos, e quem gosta e torce realmente por nós... Sinto falta destes dias... Muita mesmo...

8.3.07

Saudade...


Todos os dias
Em que não estiveres
Irei escrever-te um poema
Não direi saudade
Porque nas palavras
Nada do que sinto
Poderá caber
Mas escreverei
Para que num minuto
O meu pensamento frágil
Pouse no teu ombro
E escreverei um poema
Para não esquecer
Que te espero sim
Tranquilamente
Porque tempo não é nada
Já que eu te esperei
A minha vida inteira.

1.3.07

Carta para a Vida


Querida Vida,

Não sei qual a razão por ter começado com "querida Vida" podia ter começado por Vida reles, ou Vida má, ou Vida estúpida, ou simplesmente Vida... Afinal ultimamente de querida não tens tido muito, para mim tens sido mesmo muito pouco querida, não sei o porquê, e tu teimas em não mo mostrar... Ajudavas-me tanto, deixaste-me brilhar, abriste-me portas, iluminaste-me o caminho a seguir, sempre lutei com todas as forças para não te desiludir, para fazer o que me mostravas ser melhor! É difícil o que me estás a fazer agora, dói saber que não queres saber de mim para nada, porque me fazes isto? Porquê Vida? Responde-me só a esta pergunta e ficas com a minha palavra de honra em como nunca mais te incomodo enquanto existir. vou-me perguntando a mim mesmo durante horas, em que o tempo não anda, se realmente mereço isto... Será que mereço? Talvez, mas não sei o porquê de tal castigo, e tão severo... Deixaste-me pendurado e á deriva... esqueces-te que fazes parte de mim? Deixa-me viver-te como te vivia até aqui, custa assim tanto? Deste-me uma prenda no Carnaval, e é essa que se mantém sempre a meu lado e me dá força... De resto passas a vida a virar-me as costas. Estás a esticar a corda e se continuares assim não sei se aguento... Estou cansado...

Adeus Vida

25.2.07

Acorda-me quando chegares VI


Dois meses passaram desde a última vez que vi a cor dos teus olhos... Já me tinha cruzado contigo antes, mas a vontade de te dizer o que realmente sentia, escondeu-se na vergonha que guardava pelo que tinha feito... Senti-me mal por ter perdido duas oportunidades de falar contigo, mas um erro que eu tinha cometido enfraqueceu-me e fez-me fraco, medroso... Deixei-me tomar de assalto por esse medo e magoei-te sem intenção de o fazer. Algumas discussões pelo meio deixaram-me sem dormir e não te tiravam do meu pensamento nem dos sonhos, olhava para o dia e esperava um sinal teu, algo que me fizesse sorrir... Cada vez que olhava para o que tinha feito sentia vergonha de mim mesmo... Pensei que nunca mais irias querer sair dessa prateleira e nunca irias voltar a olhar para baixo... Decidi acabar com o erro que tinha cometido, e afastar-me... Afastar-me de tudo e de todos, parar e pensar em tudo... Deixei-me levar pela maré, mas continuavas presente na minha mente e no meu coração, nada te podia apagar... Voltei a adormecer e a sonhar contigo, deste-me um sinal que estavas decidida a descer das prateleiras, tentei dizer-te algumas vezes o que te "escondia" à dois meses, mas por esta ou aquela razão não encontrava maneira. Em jeito de brincadeira disseste que gostavas que te fizessem uma declaração na praia e ao luar, e numa das vezes que saímos fomos para bem perto do mar, onde conseguia-mos ouvir as ondas bater na areia fria própria do mês de Fevereiro. Era suposto apenas falar do dia-a-dia, mas acabamos por puxar o assunto onde os dois queríamos chegar... Pedi-te para esperar algum tempo, porque o erro que eu tinha feito podia-nos afectar... Disse-te para não ficares triste porque era tudo uma questão de tempo, acenaste com a cabeça num gesto de afirmação e concordância, e de repente levantas-te o olhar pregado ao chão á já algum tempo e olhaste para mim... e o que iria ser um abraço apertado tornou-se no primeiro gosto que senti dos teus doces lábios, foram breves os segundos que esperamos afinal, e não resisti, mais uma vez, ao teu olhar... É mágico o que sinto quando te olho nos olhos... Prometi ficar contigo e não te magoar mais... Afinal já tinhas chegado, já me tinhas acordado, mas não para a verdadeira realidade, desta vez sim, chegaste, despertaste-me e mostraste-me o que é amar...

17.2.07

Trouble - Coldplay

Oh no, I see,
A spider web is tangled up with me,
And I lost my head,
The thought of all the stupid things I said,
Oh no whats this?
A spider web, and Im caught in the middle,
So I turned to run,
The thought of all the stupid things Ive done,
I never meant to cause you trouble,
And I never meant to do you wrong,
And i, well if I ever caused you trouble,
Oh no, I never meant to do you harm.
Oh no I see,
A spider web and its me in the middle,
So I twist and turn,
Here I am in my little bubble,
Singing, I never meant to cause you trouble,
I never meant to do you wrong,
And i, well if I ever caused you trouble,
Oh no, I never meant to do you harm.
They spun a web for me.


15.2.07

Asas...


Asas... Só um prenuncio de asas... Mas é melhor um rabisco delas do que nem as ter. E o que importa é que eu as vejo, ainda que quase ninguém consigo, e por isso, não acredite na sua existência. Mas eu sinto, sinto e sei que um dia elas vão se tornar mais fortes, e aí eu vou poder voar. Todos se vão surpreender com aquele miudinho que traçava planos muitas vezes distantes e sonhava muito alto, porque não os compartilhava com ninguém. Ou que parecia mais um tolo que aparentemente só cultivava medo, lágrimas e fracassos. Um dia vou voar, quem sabe daqui a uma semana, um mês, um ano, ou mesmo uma vida, mas eu vou voar. Não me importo um bocadinho que seja com o tempo que isso vai demorar, só me importa mesmo é ir e, lá bem do alto, olhar para baixo e lembrar-me de onde eu saí, como era e no que me tornei... E depois olhar em frente, para onde vou, vivendo a materialização de promessas cravadas no coração e feitas durante tanto tempo, que por medo, vergonha e incerteza nunca foram reveladas... é tudo uma questão de tempo... Voar e ir para longe, para viver feliz, como aquele filhote de ave que mesmo sabendo da altura do ninho e da tempestade adiante, olha para as suas asas tão frágeis mas não teme, pois sabe, que em breve, elas vão crescer e ficar fortes...

12.2.07

Feminismo ou realidade?


Vivemos num Mundo maioritariamente governado por homens... fui criado com a imagem de superioridade dos homens. Eles eram os mais representativos, eram melhor remunerados, ocupavam cargos mais importantes, eram os donos do Mundo, governavam e tinham todo o poder... Em certos casos ainda assim é... Mas com o passar do tempo fui-me apercebendo que as coisas não são (ou não têm de ser) assim. As mulheres, ainda que, por vezes, sejam subvalorizadas, "escondem" todo o poder e o raciocínio que quando comparado com o do sexo oposto o abafa visivelmente... Têm o "sexto sentido", e os outros cinco muito apurados, têm capacidades que nenhum homem, por muito que se aperfeiçoe consegue ter... Entre uma infinidade e coisas que as mulheres possuem há uma que me fascina, a capacidade de fazer varias coisas ao mesmo tempo... Um exemplo (sem querer ser machista na parte de dizer que as tarefas domesticas cabem á mulher):


Um casal com o mesmo emprego, chega a casa á mesma hora. A atitude do homem é sentar-se no sofá, ligar a televisão e esperar pelo que se vai passando. Por sua vez a mulher vai cozinhar, põe a mesa, toma conta dos filhos, vai adiantando a roupa que tem para passar e ainda consegue falar ao telefone, ou falar com alguém e/ou ver televisão... Tentem agora inverter os papéis... o que vêm? A comida torrada, falta alguma coisa na mesa, uma peça de roupa queimada... e um filho a "vadiar"...

Por tudo isto e por muito mais, acho que as mulheres continuam a não ter o devido valor pela sociedade, apesar de mais inteligentes, mais organizadas e com maiores capacidades para governar continuam a ser olhadas como outra coisa qualquer... Ainda assim, acredito que não hei-de morrer sem ver uma mulher a governar o Mundo...

8.2.07

Nobody's listening - Linkin Park

Peep the style and the kids checking for it
The number one question is
How could you ignore it
We drop right back in the cut
Over basement tracks
With raps that got you backing this up like
(rewind that)
We’re just rolling with the rhythm
Rise from the ashes of the stylistic division
With these non-stop lyrics of life living
Not to be forgotten
But still unforgiven
But in the meantime there are those who wanna
Talk this and that
So I suppose it gets to a point
Feelings gotta get hurt
And get dirty with the people spreading the dirt
(It goes)
Try to give you warning
But everyone ignores me
(Told you everything loud and clear)
But nobody’s listening
Call to you so clearly
But you don’t want to hear me
(Told you everything loudu and clear)
But nobody’s listening
I got a
Heart full of pain
Head full of stress
Handfull of anger
Held in my chest
And everything left is aw aste of time
I hate my rhymes
(But I hate everyone else’s more)
I’m riding on the back of this pressure
Guessing that it’s better
I cant keep myself together
Because all of this stress
Gave me something to write on
The pain gave me something
I could set my sights on
You never forget the blood sweat and tears
The uphill struggle over years
The fear and the trash talking
And the people it was to
And the people that started it
Just like you
I got a
Heart full of pain
Head full of stress
Handful of anger
Held in my chest
Uphill struggle
Blood, sweat and tears
Nothing to gain
Everything to fear
(Coming at you)

7.2.07

Lembranças!


As lembranças, na minha opinião, deveriam ser o que de melhor habita em nós, no sentido de fazer com que nasça um sorriso em cada um de nós, por ter vivido algo da melhor maneira possivel. De que vale desenterrar aquelas memórias de dor, lágrimas e faltas do que não se teve? Tudo bem que nem sempre o vivemos intensamente, mas valeu a tentativa, o esforço... agora ficar a mexer numa ferida de perda ainda mal cicatrizada, vale mesmo a pena? Sei que nos completa, ainda que momentaneamente, aquela autoflagelação consentida, mas... e o depois? E o incômodo até que volte a recuperar? Já cultivei muitas coisas dolorosas, e já as reguei com muitas lágrimas... mas hoje prefiro acreditar e viver na esperança que apareçam apenas aquelas que me encham os olhos, e o coração! E as outras, que só nos moem e magoam, não me fazem bem e impedem-me de viver o melhor da vida, prefiro deixar que sejam levadas... pelo vento... pelo tempo... por qualquer coisa...

5.2.07

Inverno...


Hoje sinto-me como se a minha vida fosse a vida de uma criança de 5 anos parada no tempo, com a incerteza de muitas coisas. Criança essa que enquanto esperava ansiosamente pelo outono, na certeza de sentir uma brisa leve que arrasta as folhas castanhas outrora verdes, é surpreendida pelo inverno, pela sua chuva, pelo seu vento cortante e gelado, pelo seu frio e pelas suas desesperanças, enquanto brincava na porta de casa... Sinto-me gelado e com falta de esperança... Por vezes penso que, (muito) em breve, tudo vai mudar. Mas este inverno está a ser uma estação longa e penosa... Tento correr contra a corrente, mas ela é forte e devolve-me ao ponto de partida, experimento então andar, mas o vento que corta impede-me de abrir os olhos e não me deixa ver, só me resta parar e esperar... Nada me pode tirar daqui, nem há sequer por onde fugir, não há portas, não há chaves, não há nada... não há ninguém... Apenas eu e o inverno na porta de casa...

2.2.07

Depois!


Depois do tempo de tempestades, de sofreguidão e de abandono, em que nos sentimos perdidos e sem saber que rumo tomar, pensando que nada vale a pena e tudo foi em vão de tal forma que a vida nos parece um deserto, não daqueles de areia em que falta água, mas daqueles em que abunda a água derramada pelos nossos olhos (e pela alma) em forma de lágrimas salgadas ao nosso paladar e falta o carinho e os afectos de quem nos parece cada vez mais distante, vem sempre um intermédio, onde descobrimos vida no que achávamos mórbido e sem esperança de renascer... Temos forças para, finalmente, ver a flor, ainda que encharcada pela chuva, desabrochar, ou o pássaro, que molhado e frio começa a piar! E o mundo que antes era um deserto pintado em tons cinzentos que arrefeciam a paisagem, começa a ser colorido, e começamos a vislumbrar um mundo de cores que não víamos há muito tempo... Ganhámos um tempo novo, um tempo de novidades, em que a vida vai ensinando (e talvez redefinindo) de novo os significados de sentimentos que o tempo, pela falta de uso, nos fez esquecer sem darmos por isso, um tempo em que vamos juntando os cacos criados no passado e vamos, aos poucos, voltando a descobrir passos, que queremos desta vez que sejam mais seguros e que não sejam em falso, tendo por isso mais cautela... É no período da chuva e do medo, depois da tempestade e antes do sol e do sorriso, é nesse espaço, em que o sonho e a memória ganham fôlego e encontram uma brecha para falarem mais alto, até que sejamos capazes de os ouvir mas incapazes de traduzir o que nos dizem para a realidade... É aí que está, misturada com a solidão e a saudade, com a plenitude e o amor: a poesia, a felicidade, o sorriso!

31.1.07

Xutos & Pontapés - Dia de S. Receber

Embora falar da arte
Da arte de sobreviver
Daquela que se descobre
Quando não há que comer
Há os que roubam ao banco
Os que não pagam por prazer
Os que pedem emprestado
E os que fazem render
Este dia a dia é duro
É duro de se levar
É de casa pró trabalho
E do trabalho pró lar
Leva assim uma vida
Na boínha sem pensar
Mas há-de chegar o dia
Em que tens de me pagar
Ai é o dia
De S. Receber
Dia de S. Receber
Já não chega o que nos
Tiram à hora de pagar
É difícil comer solas
Estufadas ao jantar
De histórias mal contadas
Anda meio mundo a viver
Enquanto o outro meio
Fica à espera de receber
Ai é o dia de S. Receber
Dia de S. Receber
Ai a minha vida
Ai a minha vida
É assim esta diálise
Entre o deve e o haver
Sei que para o patrão custa
Enfrentar este dever
O dinheiro para mim não conta
Eu trabalho por prazer
Mas o dia que eu mais gosto
É o dia de S. Receber


30.1.07

Adeus!


Quanto custa dizer um adeus às pessoas que gostámos? Custa-me dizê-lo e fazê-lo ainda mais, mesmo que por breves instantes! Dou comigo todos aos dias a despedir-me três quatro ou cinco vezes da mesma pessoa. É a obrigação que carrego na consciência que me obriga a dizer adeus e não a vontade de ir embora, porque essa não existe verdadeiramente e a outra vontade, a de ficar, essa não consegue ser superior e não se consegue impor! É estranho a quantidade de vezes que digo, chau, adeus, tenho de ir, desta é que é, agora vou mesmo... uma infinidade de expressões que tenho de dizer para me enganar a mim próprio e crer que quero ir embora sem o desejar! Digo-o uma vez, e outra... e outra... e mais uma... e quando dou por mim já estive mais vinte minutos a tentar despedir-me... Se ao falares comigo isto acontecer, é bom sinal....